<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500</id><updated>2011-10-16T16:00:39.584-07:00</updated><category term='Paulo Post'/><title type='text'>antitesesetransparencias</title><subtitle type='html'>" Nunca quis ser um génio. Já é suficientemente difícil ser pessoa. "

Albert Camus</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>202</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-7925979169159194228</id><published>2008-01-23T13:48:00.000-08:00</published><updated>2008-01-23T13:50:27.667-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A aliança do Paulo &amp;amp; do Zé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Depois de muito ler nos blogues dos meus amigos acerca das alianças do Paulo e do Zé (ou da aliança entre o Paulo e o Zé), queria também deixar as minhas palavras amigas sobre o facto, para mim consumadíssimo, de que ambos formam um casal maravilhoso.&lt;br /&gt;   Vamos lá. Que sei eu sobre a vida? Muito pouco. O Zé sabe mais, muito mais, e há coisas que sabe que não diz porque é reservado, mas que quando diz está certo e só diz se lhe pedirem com jeito. Noutras coisas é directo, incisivo e corta a direito. Comigo é muito doce. Não é incisivo ao ponto de berrar comigo ou dizer na cara o que pensa. Comigo fala pelo olhar e parece-me bem, sinceramente são poucas as pessoas que conseguem fazer isso.&lt;br /&gt;   Nunca aqui falei do Zé, sou uma monstra, já falei quinhentas vezes no Paulo Mongo, e gosto tanto do Zé que nem sei como lhe expressar a minha gratidão. Acho-me terrível porque nunca ter dito isto aqui, mas ainda me acho mais terrível porque nunca lhe ter dito isso a ele. Sinto-me grata ao Zé pelo Paulo, em primeiro lugar. Encontraram-se e o Paulo andava em baixo, em crise emocional, daquelas crises que eu compreendo mas nunca sei o que dizer, por isso fico ali, de olhos esbugalhados, à espera que ele grite comigo e diga que me adora e sou Monga. Se há alguém que tira o Paulo destas crises neuronais, emocionais, e não sei que mais, é o Zé. Eu diria que o salva devagar do entupimento emocional em que vive metido, do caos que por vezes o domina e o enerva tanto. O Mongo é nervoso. Como diria a Denise, o pé não pára, a pastilha elástica, o dar ordens constantes enquanto acende o cigarro, a respiração enfurecida. Uma pequena besta em delírio poético. Se não fosse domado, já me tinham saltado os óculos e as lentes ao mesmo tempo (ele vai-se zangar comigo por eu ter dito isto!).&lt;br /&gt;   O Zé dá-lhe a calma, a sabedoria do mais velho. Lamento dizer «do mais velho», não é depreciativo, mas a maturidade do Zé vem daí. Embora eu não sinta a distância etária vincadamente – nem ele – sabemos que isso conta muito na apreciação que fazemos do mundo e daquilo que sabemos dele, bem como da forma como participamos nele. O Zé faz do mundo do Paulo um mundo melhor, acho que mais livre, mais suave, menos carregado de dor e de estados de alma controversos.&lt;br /&gt;   Sempre me considerei uma pessoa bafejada pela sorte no que toca a amigos. Mas melhor do que isso, adoro os amigos dos amigos que se tornam meus amigos. Acho muito divertido e o mundo cresce com isso.&lt;br /&gt;   Com o Zé não tenho história parecida com a que tenho com o Paulo, todavia também temos o luto no nosso caminho, como quase toda a gente. A minha mãe morreu dois dias antes da irmã do Zé e eu um dia inadvertidamente perguntei se ele tinha irmãos, sendo logo de seguida repreendida pelo Mongo ao ponto de levar quase uma estalada, sem perceber porquê. Pronto, depois percebi a minha inconveniência e pedi desculpa. Mas naquele dia habilitei-me a uma lambada por causa da minha monguice.&lt;br /&gt;   Já algumas vezes desabafei com o Zé e partilho informações pessoais da minha vida com ele através do Paulo sem qualquer problema. O Zé raramente comenta ou critica, mantemos um diálogo mudo, feito de olhares de soslaio e muito tacto da parte dele, muito «não me meto, mas estou a perceber tudo». Acho que no último jantar ele percebeu tudo e sorriu-me. Apoiou-me. Entretanto andava o Mongo desvairado a fazer anos, com dezenas de amigos e amigas de diversos quadrantes, a mostrar a sua nova máquina fotográfica e a usá-la indiscriminadamente, a mandar-me comer. E não percebeu nada.&lt;br /&gt;   Agora eles têm umas alianças lindas que me comovem por tudo o que significam, e por tudo o que significam para eles os dois. Cada pessoa dá o valor à aliança que pretende: união, partilha, confiança mútua, amor, paixão. Aquela foi uma noite radiosa, o Paulo estava muito bonito, com um brilho nos olhos, muito nervoso com o facto de o jantar «ter de correr muito bem», e o Zé estava descontraído, muito calmo e seguro como sempre.&lt;br /&gt;   Gosto muito de casamentos felizes, desses que duram, que são bons, construtivos. Não precisa de haver paixão avassaladora (às vezes até perturba). Precisa de haver vontade de construir, de colocar os tijolos uns sobre os outros, de ter um tecto, uma casa, um alicerce seguro. Sabemos que a pessoa certa é certa porque vamos pesados para casa e nos encontramos com alguém que nos alivia esse peso. Sabemos que a pessoa certa nos dá as respostas certas, nos desarma e arma para um novo dia, uma nova fase, um recomeço. As alianças são isso mesmo: a construção de um caminho juntos.&lt;br /&gt;   Fico contente quando vejo o meu Mongo com o Zé (o Mongo-consorte…afinal conheci primeiro o Paulo), fica feliz, é mais delicado comigo (embora não se iniba de dizer o que quer), fica doce e ternurento. Nos dias em que estou com eles também eu me sinto cheia, completa, partilhando com eles a minha amizade e os meus segredos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-7925979169159194228?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/7925979169159194228/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=7925979169159194228' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7925979169159194228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7925979169159194228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/aliana-do-paulo-do-z-depois-de-muito.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5266651604566349820</id><published>2008-01-15T14:23:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T14:26:11.236-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;16 de Janeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Caros leitores deste blogue (escassos, bem sei, mas não interessa), hoje, dia 16 de Janeiro, faz anos o meu amigo Paulinho Mongo. Este é o nome que lhe dou e queria dizer (mais) algumas palavras sobre ele. Este será um texto muito simples.&lt;br /&gt;   Em primeiro lugar, o Paulo é das pessoas mais importantes da minha vida, e desculpem o exagero, mas é mesmo. Eu tenho pai, tive mãe, tenho avó, irmão, cunhada, sobrinho, madrasta, marido, amigos. Estou completa, estou cheia como um estacionamento subterrâneo de um centro comercial à Sexta-feira, ao final do dia. Mesmo assim, o Paulinho é das pessoas mais importantes da minha vida, pela pessoa que é mas sobretudo, acima de tudo, pelo contexto da pessoa que é. Eu explico. Nunca fomos colegas na Faculdade e até acho que eu e ele, sem a Diana, nunca nos teríamos conhecido. Portanto a Diana foi o veículo para nos conhecermos. Mas depois veio tudo o resto, que nem sei explicar bem, muitas cartas, muitos poemas, muita arte, que só o Paulo sabe fazer e que sai sempre bem porque é tudo feito com amor, desculpem se pareço a minha avó que, mesmo quando os meus bolos se queimam, teima em comê-los. Neste caso não é assim. O Paulo é mesmo artista, como tal é perfeccionista, nem sempre acha brilhante o que faz e constrói. Mas estão cá os amigos para apreciar, dar valor.&lt;br /&gt;   Mais tarde a minha identificação com o Paulo deu-se não só por razões artísticas, mas por razões muito pessoais que já me fartei de referir neste blogue: a morte do pai do Paulo e a morte da minha mãe. Nessa altura desmoronaram os nossos mundos com muita força e ficámos muito ligados, mas ele não gostou porque tem bom carácter, e ninguém gosta que um amigo nosso saiba «exactamente» o que é o sofrimento pelo qual passámos. E eu passei a saber, porque perdi a minha mãe em circunstâncias muito parecidas com aquelas em que ele perdeu o pai. Foi por isso que ele chorou mais do que eu. Porque gosta muito de mim, e para ele o sofrimento era ao quadrado. Ele acha – e eu concordo – que ainda temos coisas a aprender um com o outro, por isso permanecemos a percorrer o caminho da vida juntos.&lt;br /&gt;   Depois, o Paulo tem uma capacidade de se indignar, zangar, espernear que pouca gente tem. Ele costuma indignar-se com todas as injustiças, sobretudo as mais flagrantes, mas acima de tudo, irrita-se com aquilo que aleija os amigos. E sinceramente agradeço-lhe isso, porque de todas as pessoas com quem fui falando o ano passado, o Paulo foi a única que berrou porque os meus sogros me tratavam mal, que bateu o pé com tanta força que se o levasse lá a casa alguém apanhava pancada. É o homem dos abanões e só conheço uma pessoa que lhe dá a volta com pinta e elegância: o Zé. Mais ninguém.&lt;br /&gt;   O Paulo tem uma zanga visceral com o mundo porque, como diz a Diana, não cabe nele, é maior do que o mundo e todas as pessoas cuja existência é assim são artistas, participam no mundo desse modo: exilados. O Paulo vive no exílio do mundo muitas vezes e noutras consegue participar nele magistralmente. Capta a realidade como poucos, divulgando-a no seu blogue.&lt;br /&gt;   Com o meu amigo Mongo aprendi coisas preciosas, não fosse ele mesmo uma pedra preciosíssima. Aprendi a atravessar as ruas nos sítios certos o mais rápido possível (sabem lá o jeito que isso me deu em Roma), a gritar quando me chateiam muito, a não ter medo (ou tentar perdê-lo), a escrever melhor, a apreciar a arte, a amizade e o amor.&lt;br /&gt;   Eu gosto quando os meus amigos fazem anos (embora nem sempre eles apreciem o seu próprio aniversário) porque lhes posso oferecer coisas, mas também palavras. Eu e o Paulo adoramos palavras porque são belas e íntimas. Elas sabem tão bem!&lt;br /&gt;   Parabéns, Paulo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5266651604566349820?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5266651604566349820/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5266651604566349820' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5266651604566349820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5266651604566349820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/16-de-janeiro-caros-leitores-deste.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4670674684146714038</id><published>2008-01-12T07:06:00.000-08:00</published><updated>2008-01-12T07:08:23.430-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O álbum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Vou contar uma história. Vai fazer mais sentido para a Elisabete do que para as outras pessoas, porque a Elisabete adora memórias, pedras preciosas, tesouros ao fundo do arco-íris. Este é um deles.&lt;br /&gt;   Conto esta história agora porque nos últimos dias a presença da minha mãe fez-se sentir. Não pensem cá em coisas esotérias, forças estranhas, cadeiras que se mexem, sons, etc. Pensem em saudade. Pensem numa fada com uma varinha mágica, com um sorriso, a caminhar ao meu lado. Pensem numa presença. Pensem numa força que vos empurra para o lado certo da vida mesmo nos piores momentos. É dessa forma que tenho sentido a minha mãe.&lt;br /&gt;   Então lembrei-a. E lembrei-me. O álbum. No dia anterior ao diagnóstico do cancro da mama dela, que eu já sabia que tinha esse nome porque sim, sabia, a minha mãe pediu que eu fosse buscar álbuns de fotografias. E ainda hoje tenho para mim que isso devia ser para ela uma espécie de ritual de passagem, duro e necessário, mas ao mesmo doce e rico de significado. De tantos álbuns que folheámos, chegámos ao maior, de capa dura, todo branco e com fotografias a preto e branco: o álbum de casamento dela. E eu, que na altura não pensava em casamento sequer (estávamos em 2000), não percebi o porquê de tanta emoção com aquele álbum com fotografias gigantes, algumas que a favoreciam tão pouco, com penteados e vestidos dos anos 60 de fazer corar de vergonha qualquer pessoa. Mas ela via o álbum de uma maneira que me comoveu, porque a cada fotografia que passava saltava-lhe mais uma lágrima, e dizia muitas vezes «Fui tão feliz!». Evidentemente, este «fui» tinha um significado que me transcendia por inteiro: ela sabia que de mãos dadas com a vida andava a morte, e que era isso que a esperava, que já não iria ver filhos a casar nem netos a crescer. Aquilo era uma forma de se entregar ao seu destino, um ritual de passagem em que ela me entregava testemunho.&lt;br /&gt;   Acho que há muitas coisas na vida que sabemos, à partida, sem perguntar a ninguém. Sabemos porque está dentro de nós a resposta. E às vezes a resposta é dolorosa, não é nada – mas mesmo nada – do que queríamos ouvir. Acho que há muitas respostas que oiço que não gosto de ouvir, e como não sou de ignorar nenhuma, elas ficam e mais tarde lembro-me delas, enquadro-as, percebo-as.&lt;br /&gt;   Um casamento é difícil, sobretudo porque as relações humanas são difíceis quando são diárias, rotineiras. Talvez a minha mãe sorrisse daquela forma terna ao seu casamento não tanto por ser feliz, mas por ter sido eterno, por ter sido a vida dela, por ter sido a sua opção. Depois de um ano (e quatro meses!) de casamento, sinto que me tornei rija em muitas coisas, mas um coração muito mole noutras, nomeadamente na compreensão das relações humanas, da fragilidade das mesmas, da capacidade de mudarmos o que não gostamos e que não está bem, na forma como escolhemos o «outro» e nos tornamos nele sem deixar de sermos nós, sofrendo com ele e estimando os seus sentimentos. Aprendi que qualquer que seja a nossa opção ela exige muito de nós se formos exigentes connosco, se não formos qualquer opção serve. Aprendi algum pragmatismo – à custa de muito tropeção, de muita dor. Aprendi alguma calma e introspecção e a fatalidade daquilo que não posso mudar.&lt;br /&gt;   Podia ter aprendido isso tudo com a minha mãe antes de ela morrer, mas aprendi lentamente e muito depois. Aliás, foram precisos todos estes anos para me voltar a lembrar do álbum e da forma como nesse dia a minha mãe estava do meu lado exactamente como eu nunca a vira: humana, frágil, mortal. Com uma lágrima no olho e doente. Tristonha mas contente por ter contado o que tanto a atormentava. Então a minha mãe fechou o álbum e iniciou o pior ano da vida dela comigo ao lado. No final desse ano proferiu a frase mais importante que eu alguma vez já ouvira alguém dizer «gostei muito de estar com vocês e de vos conhecer». &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4670674684146714038?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4670674684146714038/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4670674684146714038' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4670674684146714038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4670674684146714038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/o-lbum-vou-contar-uma-histria.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-6511424397431915462</id><published>2008-01-08T14:06:00.000-08:00</published><updated>2008-01-08T14:08:00.858-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os solteiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Já lá vai um ano – e uns meses – que entrei no grupo das mulheres casadas, e como a memória é curta, vou-me esquecendo como era ser solteira. Do que me lembro bem é que as conversas das mulheres casadas pouca ou nada me diziam. Sobretudo aquelas que contavam histórias perversas de sogros, porque sempre achei que aturar os nossos pais era dose forte, quanto mais os pais dos outros. Mas costuma-se dizer que pela boca morre o peixe. E eis-me defrontada com situações muito semelhantes, de impasse. O impasse ajuda-nos a estruturar a cabeça, as emoções, obriga-nos a repensar a vida. Mas custa.&lt;br /&gt;   De qualquer forma, quando passamos esta barreira, esta espécie de ritual iniciático para o qual todos achamos estar designados e preparados, o casamento, sentimos por vezes uma grande frustração. Diz-se que a frustração de expectativas é natural, normal e até preferencial, uma vez que estamos ancorados é na realidade. Mas às vezes é mesmo tudo tão diferente do que esperávamos, que sentimos estar a entrar noutro mundo, muito paralelo aos dos solteiros. Provavelmente as pessoas que são pais sentem o mesmo quando são pais. Estão noutra dimensão, a das fraldas, biberãos, choros, sonos trocados. Com todas estas duras tarefas que escolhemos, ou para que fomos desafiados pela vida, esquecemo-nos dos solteiros, esses nossos amigos sossegados, esses ombros amigos que por ocasião da vida ficaram sem par, e aqui incluo os meus amigos divorciados, viúvos ou solteiros sem ser por escolha própria. E friso «sem ser por escolha própria» porque há muitos solteiros que adoram a sua vida de solteiros – só que eu não os conheço, dizem que há, pronto.&lt;br /&gt;   Como era a minha vida se ainda fosse solteira, ou pior ainda, solteira outra vez, que não é bem assim que se chama, chama-se mesmo divorciada, porque depois de casados não voltamos mais a ser solteiros. Não sei. Vivia com o meu pai e avó? Namorava? Vivia sozinha? Ia mais ou menos vezes sair com amigos? Não sei. A vida é uma incógnita indecifrável e se me dissessem, há uns atrás, que eu iria casar, eu ria-me a bom rir. Há coisas inesperadas. E eu sou daquelas pessoas que sempre disseram «não me vou casar». Mentira…casei.&lt;br /&gt;   Não tenho pena dos meus amigos solteiros. Acho que há vantagens em ser-se solteiro. Mas tenho respeito pelos amigos que sendo solteiros preferiam não estar solteiros ou pelo menos ter com quem estar, ter com quem dormir, ter a quem se encostar. E não é que perdi esta noite a pensar nisto? Parece ser uma burrice, mas não conheço outro modo de estar na vida sem ser a preocupação. A Paula também é como eu, mas ela é por compaixão. No meu caso acho que é mais que isso. Gostava de ser como a Amélie Poulin, que arranja a vida dos outros e não toma conta da dela. Mas tomo conta da minha – bem ou mal – e não consigo ajudar os outros. Acho eu. Peço sempre milhares de ajudas. Tenho a mania das fadas, dos anjos, dos duendes, e portanto falo, peço opinião, não me calo mais enquanto não supero um problema. E quando as coisas se resolvem ou vão resolvendo aos poucos, eu deixo de falar nisso e falar nisso enerva-me porque deixa de ser um assunto. Por todos estes motivos, acho mesmo – mas mesmo – que tenho amigos muito bons, pacientes, respeitosos, alguns mais instigadores à pancada do que outros, mas todos com a sua função e missão. Às vezes – muitas vezes – irrito-me com as suas opiniões, outras vezes irrito-me que não me as dêem. Mas essa é a função deles: estarem ali, mostrarem-me caminhos. Os meus amigos são como o tarot divinatório (nada de ideias, Patrícia França, não te pago nada pelas tuas opiniões).&lt;br /&gt;   Mas voltando aos meus amigos solteiros e deixando o meu egocentismo de lado, estou muito preocupada com todos eles. Por diversas razões. Uma, o estereótipo social do «temos todos de casar». Não vão nisso…não sou contra o casamento, acho que cada um deve fazer o que mais lhe apraz e sobretudo, acima de tudo, como entende. Dois. A projecção fantasmagórica do «corre bem e mesmo que não corra suporta-se». Não corre sempre tudo bem e não se suporta tudo. Três. Mais do que a imagem social, o sentimento de falta de auto-estima, de que os amigos continuaram o caminho e eles ficaram para trás. Quatro. O egocentrismo dos casados, que acham que a partir daquele ponto, só há maridos, sogros e cunhados para falar (confesso a minha culpa), bem como pormenores da vida de casamento. Cinco. A falta de perspectiva, como dizerem «nunca mais me vou casar». Todos sabemos que isso constitui uma mentira flagrante. Dá vontade de dizer «ai casas, nem que seja para saberes como é, anda lá». Seis. A falta de apoio. Não é um mito, é complicado que uma só carreira suporte uma casa e despesas, mas conheço casos de sucesso. Para além do lado material, há o lado espiritual, que é muito mais importante, o «vou enfrentar a vida sozinho». Precisar de alguém é humano. Amar ainda mais. Sete. O relógio biológico. Argumento mais válido para mulheres, pois infelizmente temos um «prazo» biológico para termos filhos e com os estereótipos actuais, um prazo curto de juventude, beleza, interesse.&lt;br /&gt;   Todos estes argumentos deixam os amigos solteiros tristes e desanimados – pelo menos alguns. Não vale a pena dizer que podem ir ao cinema, à ópera, à discoteca, certamente eles responderão que não têm com quem ir, uma vez que a grande maioria dos amigos é casada e tem filhos. Não vale a pena palavras soltas ao vento, dizendo que vão encontrar o amor da sua vida ali na esquina. Eles já não acreditam em nós. Não vale a pena dizer-lhes que o casamento tem vicissitudes – eles sabem mas não querem saber, porque temos companheiros para partilhar a vida e eles não.&lt;br /&gt;   Queridos amigos solteiros (inclui todos os estatutos jurídicos): tenho muita dificuldade em vos dizer o que quer que seja, por isso estar calada talvez seja a melhor política em algumas situações – e eu não tenho seguido essa política. Agora, posso dizer que me solidarizo com todo e qualquer estatuto jurídico ou não jurídico, e que os meus amigos me preocupam independentemente do que consta no BI. Opá, eu sei que não resolve tudo. Mas é a única maneira de compensar quem sempre esteve do meu lado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-6511424397431915462?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/6511424397431915462/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=6511424397431915462' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6511424397431915462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6511424397431915462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/os-solteiros-j-l-vai-um-ano-e-uns-meses.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1773382842607588442</id><published>2008-01-06T11:29:00.002-08:00</published><updated>2008-01-06T11:33:51.028-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falsos amigos &amp;amp; filhos Lda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Hoje falava com uma amiga acerca da grosseria de certas pessoas nossas conhecidas (algumas até amigas) cujo único objectivo de vida é dizerem, seja de que forma for «Estou aqui». Depois, com algum desprimor e até desencanto, enviam mensagens de «Ah, também estás aí! Não tinha reparado…». Como dizia Shopenhaeur, precisamos dos outros até para chorar, o choro existe muito para os outros e há estudos acerca do efeito da lágrima feminina no cérebro masculino e vice-versa. Quando alguém morre, S. diz que mais do que lamentar a morte, lamentamos a falta que aquela pessoa nos vai fazer e sobretudo, perdemos a opinião que aquela pessoa tinha de nós (se for boa é uma pena, se não for, oscilamos mais em lamentar «aquela» morte). A morte do outro é também a nossa própria morte.&lt;br /&gt;   Na Visão desta semana vem um artigo excepcional que revela que tão depressa o ser humano é capaz de feitos sobrehumanos para proteger o próximo, como de maldades atrozes - o caso de Pol Pot, que tendo chacinado mais de metade da população, dizia «dormir de consciência limpa». Com uma afirmação destas, uma pessoa não sabe bem onde fica a consciência e a opinião acerca da pena de morte. Matar alguém que pensa isto parece pouco.&lt;br /&gt;   Voltamos a mim e à minha amiga e às nossas amigas e conhecidas. Digo isto porque o mundo das mulheres é mais profíquo nesta coisa de «sabes, aconteceu-me isto? Não é fixe? Ai estás na merda? Ai que pena…olha, quanto a mim…». Os homens também são assim, mas cortam pela raiz as coisas, não dão conversa, na prática dá na mesma, mas não falam tanto sobre isso.  Entram e dizem «o meu carro é bom (variante: o meu carro é o melhor), os meus filhos andam nas melhores escolas», sem o intróito parvo de «sabes lá tu o que me aconteceu ontem».&lt;br /&gt;   O que tanto nos choca? Será a futilidade, o egoísmo, o desvio mental, que a minha cabeleireira explicava como «excesso de uso do telemóvel», e uma colega minha professora dizia ser «da alimentação, de comer carne», ou simplesmente há uma falência de valores morais que nos faz morar (e estagnar à deriva) num universo paralelo, que atravessamos sem questionar muito e transmitimos aos nossos filhos, ensinando-lhes «o telemóvel pode tocar na sala de aula, qual é o problema?».&lt;br /&gt;   Durante anos não ouvimos falar de amigas a cujos casamentos fomos (e oferecemos coisas caras que nos custaram a comprar porque elas – ou os pais delas – nos pagaram os lugares, refeições e bebedeiras de um Sábado ou Domingo de casamento), mas repentinamente, qual teste de fertilidade e mensagem tipo amiga Olga «Uau, estou aqui e sou fértil!» enviam-nos mensagens do tipo «Nasceu o Diogo, tem 3,450 Kg e é o bebé mais lindo do mundo! Os pais estão muito felizes e babados». Óbvio que ninguém iria enviar mensagem a dizer «Nasceu o Diogo, parece um rato, pesa o mesmo que um pacote de açúcar. Não gostámos nada da experiência, sobretudo a mãe, que está toda rota e cheia de hemorróidas, tornando a vida sexual impraticável num período de seis a dez meses, consoante haja ou não depressão pós-parto». Até nos poderia interessar ter nascido o dito Diogo, Manuel, André, Filipa, Andreia ou outro qualquer ser que não fosse hermafrodita e pudesse ter nome de um só sexo, se a mãe ou pai fossem nossos amigos de casa como eram antigamente, antes de avançarem para casamentos dispendiosos e fúteis que nos obrigaram a gastar gasolina, paciência e muito dinheiro.&lt;br /&gt;   No «Sexo e a Cidade» há um episódio magnânime em que Carrie, farta de enviar dinheiro e presentes aos filhos de uma amiga, lhe escreve uma carta, pedindo que aquela lhe pague os sapatos que lhe tinham roubado numa das festas lá por casa. Na carta especifica bem que sempre fora simpática e altruísta, comprando presentes para «sobrinhos» fictícios com quem nunca convivera.&lt;br /&gt;   A vida tem destas coisas. É certo que nem todos fazem «isto» por mal, mas como é que as pessoas não se sentem estúpidas enviando mensagens a quase-amigos ou quase-conhecidos sobre as coisas fantásticas que lhes acontecem sem perguntar «está tudo bem contigo?». Acho que é óbvio que isso não interessa. Temos tempo para falar e contar coisas boas, mas jamais para ouvir os outros ou lhes dizermos «queres vir falar comigo sobre isso?». A mudança dos tempos foi terrível. Deixámos de ter «a» noção das coisas. O telemóvel parece um vírus que espalha egoísmo e futilidade. Ainda há pessoas que se devem lamentar «tive um filho, contei a toda a gente, e ninguém me diz nada?».&lt;br /&gt;   Acho curioso como este anúncio gratuito de fertilidade constitui para as pessoas uma espécie de ritual de passagem sem efeito. Tiveram filhos…e? Quem não tem filhos é olhado pela sociedade como um monstro, principalmente se for mulher: ai que porca, meteu a carreira em primeiro lugar, ai não tem homem, só pode, ai, é infértil, se não é ela é o marido. As pessoas sem filhos são olhadas como bizarras, tristes, macambúzias e admiradoras do Diabo, só porque têm o jogo do Monopólio inteiro e podem jogar sem os filhos comerem as peças. É verdade que o contrário pode acontecer: pessoas sem filhos olharem as outras de lado, por exemplo, não as convidando para sua casa porque os filhos são barulhentos e sujam a casa (ver o episódio do «Sexo e a Cidade» em que a Charlotte pensa ter filhos e convida um casal com filhos a jantar em sua casa). A discriminação acontece de parte a parte. Exceptuando os tios, que como tios têm de ter a casa preparada para sobrinhos, a mistura entre casais com e sem filhos é por vezes complicada.&lt;br /&gt;   Depois há cenas de vida familiar dispensáveis, como vídeos caseiros natalícios mandados a amigos sem filhos de quem nunca queremos saber. Uma pessoa sem filhos não sabe o que é a vida familiar com filhos, e às vezes não quer saber, para quê massacrá-la com bebés gordos e feios ao colo dos pais? O «nós estamos bem», o «nós estamos bué felizes» o «nós somos família, anda cá que apanhas porque não sabes o que isso é» nem sempre cola ou é importante para os outros. Provavelmente se mandarmos o vídeo aos avós ou aos tios irá funcionar e cair bem. Mas a quase-amigos não. Não mandem, a sério.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1773382842607588442?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1773382842607588442/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1773382842607588442' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1773382842607588442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1773382842607588442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/falsos-amigos-filhos-lda.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-149851764848464592</id><published>2008-01-06T11:29:00.001-08:00</published><updated>2008-01-06T11:29:43.466-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os sonhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Três sonhos surreais investiram nestas últimas noites na minha cabeça, surgindo do meu subconsciente como se fossem pipocas a estalar. Não têm graça, não pensem…Num desses sonhos eu tinha três filhos que a família do meu marido mandava mandar. Cada um dos meus filhos (já adultos e sentados em posição de Lótus) levava uma bala na cabeça, em cheio no meio da testa. Mais tarde, tive o sonho terrível de ter a cabeça coberta de piolhos e de colocar nos meus cabelos uma pasta (com o nome de Quitoso, referência que sei bem onde fui buscar) que me fazia o cabelo mudar de cor. E hoje, que tive uma noite de completo sobressalto acerca do tema «sou ou não sou uma esposa medíocre?» sonhei com mutilações e queimaduras, um dos piores sonhos que posso ter, visto que é coisa que me transtorna e arrepia. Segundo os dicionários de sonhos que circulam na net, o sonho dos piolhos é bom, significa bons investimentos – porque será? Queimaduras significam doenças familiares, e como sonhei com o meu pai, que eu não conseguia ver na unidade dos queimados (cá fora estava também o meu avô), fez sentido, pois hoje o meu pai está constipado, coisa que, segundo ele, é rara e nunca vista, pois desde o ano de 2000 não se constipa. Serei mediúnica ou o meu subconsciente fez contrato com o David Lynch? Nunca saberei ao certo.&lt;br /&gt;   O sonho que também me deixa abalada e entorpecida é o dos filhos assassinados, como no filme «A Maldição da Flor Dourada». Que significará? Provavelmente perdas, medo. Sim, medo. Sou medrosa. E confesso o medo de ter filhos. O investimento para toda a vida, a falta de controlo do que hipoteticamente pode acontecer com ele/ela. Descobri hoje que o meu receio de ser mãe é terrífico, porque me sinto talhada a ter problemas dos pesados, dos graves. Mas a vida é uma caixa de surpresas, não podemos prever. Olho para o meu sobrinho e não sinto esse medo do futuro. Acho lindo vê-lo a crescer, compreendo a trabalheira que dá aos pais, e acho natural que tente espatifar tudo, se entale, se babe e caia no chão com a minha avó a baixar a voz cheia de horror a dizer-me «É perigoso…pode cair», como se isso fosse o fim do mundo, como se não fizesse parte do crescimento cair vezes sem conta.&lt;br /&gt;   Há um limite nas nossas próprias forças que é terrível: não podemos controlar tudo de todas as formas. Há muitas coisas na vida incontroláveis. Mas isso vale para todos. Todos estão sujeitos à mudança de planos do universo. E se o universo muda de planos, temos de mudar de planos também. Não vale espernear, emudecer, escandalizarmo-nos de não ser tudo como queríamos. Há divórcios, rupturas, doenças, filhos malcriados mesmo quando achámos que fomos pais exímios, desemprego, pobreza…e haverá sempre uma Paris Hilton na carteira do lado, na sala ao lado, ou casada com um amigo nosso, a quem basta espreguiçar para cair tudo no colo e mesmo assim é presa bêbeda e tem má conduta. A uns basta uma palavra para serem punidos, outros podem prevaricar à vontade que a punição nunca vem e quando chega é tarde.&lt;br /&gt;   Temos de confiar no universo, sem dúvida. Acreditar que há excepções que realmente não nos ensinam muito, mas que a regra é os pais passarem mensagens correctas aos filhos, de amor, solidariedade e capacidade de sobrevivência sem eles, bem como os pais serem autónomos o máximo de tempo possível. Mas nisto que estou a dizer, quantas variantes não existem? Centenas, milhares, milhões. Tudo pode falhar e temos de contar com isso para nosso bem.&lt;br /&gt;   Agradeço ao universo o sonho dos piolhos: pode ser que entre dinheiro no meu bolso e os meus investimentos dêem fruto. Agradeço o sonho dos filhos, que me mostra que, mesmo na estagnação que a vida atinge e na imutabilidade do que pensamos e achamos ser, podemos levar um tiro e morrer. E o sonho das queimaduras…mostra-me que os medos são para ser enfrentados (no sonho há gente queimada e mutilada de quem eu fujo). De resto, posso sempre vender os meus sonhos a Hollywood ou ao David Lynch.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-149851764848464592?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/149851764848464592/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=149851764848464592' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/149851764848464592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/149851764848464592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/os-sonhos-trs-sonhos-surreais.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4971289733235415650</id><published>2008-01-06T11:26:00.000-08:00</published><updated>2008-01-06T11:28:59.833-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O ano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não gosto muito de assinalar passagens de ano, acho sinceramente uma parvoíce, um pretexto para festa, só isso, e um pretexto para falarmos de tudo…e não falarmos de coisa nenhuma. Há pessoas que sentem isto nos aniversários. Sentem que passaram mais um ano de vida e não lutaram pela sua felicidade como deve ser. Eu gosto muito dos aniversários porque estou convencida que com os cabelos brancos vem alguma sabedoria, pelo menos para algumas pessoas. Eu sinto essa nostalgia parva no final do ano. Afinal, o que há para comemorar? Há sempre algo, na verdade, termos saúde, família, felicidade, um trabalho novo ou mantermos o velho. Mas isso podemos fazer todos os dias. Não temos de o fazer dia 31 de Dezembro.&lt;br /&gt;   Sinceramente, tive um mau 2007. Foi um ano de confusão total e absoluta, de descrédito, de falta de confiança em mim e nos outros, em que acho que deveria ter desistido rapidamente de umas coisas e partido para outras, em que acho que fiz tudo mal. Não estou nada satisfeita comigo própria, mas talvez isso me ajude a conseguir alcançar metas maiores, mais altas. Até ao tarot recorri este ano, e não me envergonho muito, diria que gostei bastante de recorrer a uma ajuda «exterior» tão diferente. É bom mudarmos de ponto de vista. É bom acreditarmos em qualquer coisa, nem que seja numa mentira que nos parece verdade, e que de tantas vezes repetida se torna mesmo verdade.&lt;br /&gt;   Quando as coisas nos correm mal, muito para além da conta que esperávamos ter é a mesma coisa que pagar uma dívida muito superior àquela que realmente esperaríamos receber em casa. E claro que nos parece injusto, mas é isso a vida na sua forma mais realista: é olharmo-nos no espelho e perceber que cometemos erros crassos que já não podemos emendar. Tornei-me neste ano que passou muito menos moralista do que era, porque não consigo aplicar nenhuma moral coerente à minha vida, nem percebo bem para onde vou. A falta de perspectiva enerva-me muito. E este ano pareceu-me um tremor de terra, estive sempre à beira do abismo, a puxar quem estava mais perto do abismo do que eu, mas sempre a ser sugada lá para o fundo. Além disso, cheguei à conclusão de que sou ilógica: quando devia estar melhor, desço mais baixo. Sou muito dada ao stress pós-traumático.&lt;br /&gt;   Sinceramente, não sou pessoa de expectativas muito altas. Sou realista e sonhadora q.b. Mas também nunca sei por onde anda o inimigo, e subestimando-o, perco muito. Afinal, quem é o inimigo…senão eu própria?&lt;br /&gt;   Nunca tive grandes expectativas acerca de casamentos. Vi o da minha mãe e da minha avó e chegou-me. Quando era miúda, não percebia bem para que é que servia um homem sem ser para fazer filhos, porque tanto a minha mãe como a minha avó faziam tudo em casa e eles não. Com a mudança dos tempos, nitidamente os homens assumiram tarefas caseiras e as mulheres começaram a apostar noutras que dantes não estavam nos seus currículos. Pelo menos é assim com alguns casais.&lt;br /&gt;   À mulher é dado um papel com um relevo desmesurado: é ela que…e agora podem começar a completar a frase como quiserem. Que cuida dos filhos, que luta para manter o emprego, que luta para manter o casamento, a boa forma física, a beleza e a juventude, é sempre dela que vêm as maiores decisões e responsabilidades. Acreditem que se uma mulher se descarta, por um minuto que seja, dessas responsabilidades todas, a casa fica encharcada em lixo, a criança fica babada, o casamento ruinoso, e ninguém toma decisões. Ao longo da vida fui acreditando que isso já tinha mudado, mas acho que isso também me cai em cima e a culpa é minha: porquê deixar? Outras vezes ou lutamos ou morremos no caos, e as mulheres quase sempre optam por lutar até ao limite. Somos também as primeiras a declarar derrota e a partir para o divórcio. Porquê? Porque somos exigentes. A mim parece-me que para um homem ficar sentado no sofá é suficiente para um casamento de sonho. Para nós não. Optamos pela norma, se sonhámos, então é possível. Se é possível, porque não conseguimos lá chegar?&lt;br /&gt;   Referi a regra, mas há as excepções, que normalmente são constituídas pelas pessoas que reclamam «se ele não te bate, está tudo bem» ou numa versão modificada «se ele tem dinheiro, não tens que te queixar». Por isso, para algumas mulheres (como a minha avó), se um homem tiver dinheiro e não bater, então é a melhor pessoa do mundo e só nos pode fazer felizes – é que nem há outra hipótese. Por esta ordem de ideias, eu devia ser a pessoa mais feliz do mundo.&lt;br /&gt;   Durante este ano, senti-me esmagada por um peso inominável. Senti «agora é que é, vou-me lixar totalmente». Lixei-me na mesma, mas não totalmente. Senti-me a noiva do Kill Bill, a apanhar pancada de todos os lados – como se essa não fosse já a história da minha vida. Manipuladores, chantagistas, cobardes que pensam que são corajosos, maldosos, traidores, sacanas, todos vieram ter comigo para me saudar honrosamente e dizer «estamos aqui, puta, e vamos-te à cara». Este foi um daqueles anos em que devia ter praticado boxe, alguém devia ter ficado com a cara esmurrada, mesmo que me esmurrasse o dobro. A única merda que fiz na vida foi casar-me e proteger quem estava do meu lado como sabia. E não vale a pena dizer que foi por amor, porque como fui dada como doida ninguém iria acreditar. A certa altura o casamento já era como subir a uma montanha muito alta: faltava oxigénio mas eu sabia que tinha de continuar. E que algures, pelo meio, ia ser o meu fim, e o fim do mundo como eu o conhecia até outrora.&lt;br /&gt;   Mas o caminho faz-se caminhando e a aprendizagem não pára nunca. A nossa vida não pode nunca depender da falência da vida dos outros. Nada flui em constância se esperarmos que o vizinho do lado sucumba à doença, à morte ou ao fracasso.&lt;br /&gt;   2007 não me deixa saudades nenhumas e foi bom comemorar o seu fim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4971289733235415650?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4971289733235415650/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4971289733235415650' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4971289733235415650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4971289733235415650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/o-ano-no-gosto-muito-de-assinalar.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-418660353673142533</id><published>2008-01-02T14:08:00.001-08:00</published><updated>2008-01-02T14:08:51.994-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À Prova de Morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Gostei muito deste novo filme de Tarantino, chamado «À Prova de Morte». Não fui grande apreciadora dos «Cães Danados», mas o «Pulp Fiction» ficou-me marcado pela originalidade, a violência da linguagem e das cenas, a forma crua como é tratada a morte, as cenas «cosidas» umas às outras com inteligência e sabedoria, e as interpretações fantásticas de John Travolta e Samuel L. Jackson. Vi há muitos anos e algumas pessoas saíram do cinema logo nos primeiros minutos – parecia um filme desconexo, chato, absurdo até. Mas é brilhante na forma como cruza tantas vidas nos mesmos espaços, no mesmo tempo, como uma dança predestinada a resultar.&lt;br /&gt;   Depois apareceu a parceria com Robert Rodriguez, que ainda refinou mais Tarantino, como em «Aberto até de Madrugada». Mais uma vez ninguém suspeitava que fosse uma história de vampiros, uma história azeda cujo único encanto está na figura do ladrão «politicamente correcto» interpretado por George Clooney. Aparece Tarantino, irmão de Clooney, que além de maluco é torpe e patético, perseguido por vozes e uma vontade insaciável de violar e matar. Maravilhosa a cena em que Clooney manda o irmão colocar o aparelho nos dentes depois de raptar uma família para passar a fronteira para o México. De resto, e como sempre, vale tudo: incendiar pessoas, matar de todas as formas mais cruéis e deixar que os inocentes se tornem agressores da pior espécie, provando, como sempre, que a natureza humana é imprevisível.&lt;br /&gt;   Depois apareceu os filmes do Kill Bill e aí caí mesmo de amores pelo Tarantino. Porque no cinema as mulheres têm sempre aqueles papéis tipo, de bonitas e burras, ou inteligentes mas vítimas, de desgraçadas, e isso só começou a mudar com o filme «Thelma e Louise», que une as mulheres numa parceria anti-abuso contra aquilo que são, contra a sua natureza fenomenal de lutadoras. Tarantino recuperou isso magistralmente, tirando as mulheres da margem e colocando-as não só em primeiro plano, como em dilemas que normalmente cabem aos homens. Kill Bill é uma história de vingança, de uma mulher contra um homem, mas também contra todos os agressores que rodeiam esse homem, sejam eles homens ou mulheres. Por isso as melhores cenas são as de lutas entre mulheres, pela supremacia que representam, pela conquista. Tarantino não deixa, no entanto, de descer às profundezas da mulher-menina, quando coloca a Black Mamba (interpretada por Uma Thurman) no papel de mãe, o que domina completamente toda a sua vida. Porque há uma mudança em Black Mamba que não esqueço, que é quando ela vê o teste de gravidez e diz ao inimigo (outra mulher, que excepcionalmente se compadece dela) «agora não estou sozinha, a responsabilidade é outra». A maternidade faz dela uma mulher com alma, amaciando a ferocidade das suas conquistas; em vez de uma exterminoadora de vidas, é uma criadora de vida, e isso dá-lhe perspectiva. O final em Kill Bill II prova que a vida não é só vingança, mas uma busca eterna da felicidade, que afinal estava ali, bem viva.&lt;br /&gt;   Finalmente o «À prova de Morte», e certamente que neste post estarei a reduzir a filmografia de Tarantino aos mínimos do que conheço. Aí a mulher também toma o lugar de vítima, mas reclama o de agressora só para si, numa conquista fundamental do «girls power». O filme tem praticamente duas partes, e a segunda vem a preto e branco, ou pelo menos uma fatia. O agressor-homem, desmesurado na sua brutalidade, na invasão das mulheres e do seu mundo, fotógrafo do alheio: homem porco, paradigma do pior que o masculino pode ter em mentira, falsidade e vontade de aniquilar a fêmea num exercício cru de poder sobre o outro, o mais fraco, o diferente é a personagem masculina principal, muito bem interpretada por Kurt Russel, uma escolha feliz para o papel (quem diria que na vida real ele se mostra sempre simpático e bem disposto, foi vê-lo chorar baba e ranho no programa da Oprah no dia do pai, quando os filhos lhe fizeram justa homenagem). Personagem solta e sem contexto específico, um mau só-porque-sim. História clássica do atacante que vigia a sua presa ao milímetro para a destruir sem dó nem piedade, com um carro potente, um carro que ele mesmo classifica ser à prova de morte. O carro que é o motor das agressões é também o fim da personagem. Lembremos também que o carro é o instrumento masculino de eleição, a grande metáfora do poder do homem é a velocidade, o grande elemento da conquista masculina é um automóvel potente.&lt;br /&gt;   Dois grupos de raparigas. O primeiro fica desfeito e o segundo inteiro, e nisto Tarantino é mestre em dar lições, tal como o segundo grupo de raparigas, Tarantino não se fica e dá na cabeça do agressor até ele ficar desfeito (tal como em Kill Bill). Não há a rapariga misericordiosa, boazinha, pacóvia. Quando as duas raparigas mais atrevidas querem fazer o jogo do mastro no carro, a terceira reclama o seu lugar, mas a resposta é «tu és mãe, não vais querer arriscar». A tipa não se fica «há sempre uma boa desculpa para eu não participar nos vossos jogos, deixem-me entrar». Boa onda a tipa, assim é que é. Eu cá não ia gostar da brincadeira do mastro, sou muito responsável, mas gostei delas todas. Estiveram bem em querer perseguir o assassino até ao limite das suas próprias forças, dando cabo da força dele, retirando-lhe poder, desmitificando que as mulheres são fracas ou medrosas, ou num estereóptipo maior, esvaziando o masculino com um poder tradicionalmente atribuído ao masculino. Vivam as gajas!&lt;br /&gt;   O que mais contribui para eu me ter tornado uma fã incondicional de Tarantino é ainda as suas técnicas cinematográficas, aliadas a boas ideias postas em prática. Parece ter uma daquelas cabeças que acumulam tudo e depois organizam em etapas, ficando uma mescla curiosa, no mínimo. Kill Bill já tinha sido feito com mestria inigualável, cruzando uma boa banda sonora com efeitos especiais. Mas os filmes de Tarantino têm uma surpresa que me deixa sempe boquiaberta: a intertextualidade. Uma personagem comum, um actor comum no mesmo episódio (que só se dá conta quando se vê a maquilhagem nos extras) ou em episódios diferentes, ou simplesmente uma música (o toque de telemóvel de uma das raparigas em À Prova de Morte é igual a uma das músicas de Kill Bill), Tarantino brinca com ele próprio, registando um lugar único na filmografia americana. Depois vai buscar centenas de referências da cabeça dele, dos anos 60 e 70, fotografias velhas, BDs, imagens, corta cenas e suja-as de propósito, como se de velhos documentários se tratassem. As histórias acabam por ser intemporais. Aparentam uma actualidade impressionante nos efeitos especiais mas contam histórias antigas, mitos intemporais e até clássicos do cinema de acção. São filmes e histórias à prova de morte, graças a Tarantino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-418660353673142533?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/418660353673142533/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=418660353673142533' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/418660353673142533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/418660353673142533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/prova-de-morte-gostei-muito-deste-novo.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-6747987158149048566</id><published>2008-01-02T14:07:00.000-08:00</published><updated>2008-01-02T14:08:06.965-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As Fadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   No outro dia vi um filme, comprado aqui em Roma, de que gostei muito, «O Labirinto do Fauno». Não esperava gostar tanto, parecia-me uma novidade em tudo o que eu tinha visto. Era um filme espanhol e eu costumo gostar do cinema espanhol, pela brutalidade e crueza da linguagem cinematográfica. Mas este filme era mesmo muito especial, misturava a linguagem dura da guerra civil espanhola com o mundo fantástico e encantado das fadas. Por isso tinha várias histórias, que se cruzavam de uma forma maravilhosa e conexa, com um sentido particular: acreditar é que dá sentido à vida, mesmo que seja a nossa morte. Isso foi o que eu li nas entrelinhas do filme, claro. Outros espectadores poderão ler outras coisas com mais ou menos sentido, consoante a experiência de cada um, e por isso um filme é como um livro, cabe lá a nossa vida toda, a que temos e a que nunca tivemos.&lt;br /&gt;   Ofélia, a menina do filme, acredita em fadas e em tudo o que lê. Mas é isso que a faz suportar o sofrimento, a ruína do seu mundo precoce que a obriga a ser adulta num mundo de adultos pouco dados a brincadeiras. O cenário principal do filme é a guerra civil espanhola, na época de Franco, que obriga a racionamentos, e o cenário paralelo, a história que é contada e que aparenta pouca ou nenhuma relação, é a do mundo mágico da cabeça de Ofélia, o mundo proporcionado pelos livros, que a faz vibrar com coisas pequenas, como insectos que batem as asas de forma especial e se transformam em fadas, como labirintos com faunos e pedras mágicas. Todavia, ficamos sem saber se esse mundo existe ou é só ficcional. As cenas finais deixam dúvidas se aconteceu mesmo ou se Ofélia sonhou e morreu feliz com a perspectiva daquilo em que acreditou. Na ressurreição da mãe, de um pai que era rei, de ela própria ser filha da lua e ter essa curiosa marca no ombro esquerdo.&lt;br /&gt;   A cena em que a mãe a confronta com a vida real é magistral, porque Ofélia colocara uma mandrágora sob a cama da mãe para que esta ficasse bem de saúde. A mãe descobre e queima a mandrágora, gritando a Ofélia que a vida é dura, cruel e que ela terá de aprender isso da pior forma possível; pouco depois a mãe passa mal e morre. Ofélia acredita nos poderes da mandrágora que lhe dera o Fauno para que ela cumprisse atempadamente as tarefas que lhe eram destinadas, todavia a mãe não. Nem Mercedes, a criada. E muito menos o Capitão, que acha que a menina lê demais. A confrontação de Ofélia com o mundo real coloca-a em negação com o mundo das fadas, porque não consegue superar as provas. Mas é o mundo real, do qual ela está tão apartada, que ela vence pela morte, sacrificando a sua vida. No final, ganha a vida eterna assim, embora eu ache que não é uma mensagem cristã, é apenas uma mensagem com valor humano. Mesmo no pior, acreditar vale a pena. Nem que seja acreditar no que ninguém acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-6747987158149048566?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/6747987158149048566/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=6747987158149048566' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6747987158149048566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6747987158149048566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/as-fadas-no-outro-dia-vi-um-filme.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-7681436855196508191</id><published>2008-01-02T14:04:00.000-08:00</published><updated>2008-01-02T14:07:30.276-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de 40 dias em Roma…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roma é estupenda em dias de sol e nevoeiro, apesar dos turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias de chuva são fantásticos porque os turistas fogem, todavia não dá para ir a lado nenhum com a chuva a cair sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roma é um desatino das cinco e meia às seis e meia, hora em que o trânsito é infernal (a praça de Espanha em Lisboa vezes dez ao cubo) e os pássaros cagam toda a gente sem excepção.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Os dias são repetitivos nos trajectos por muito que os tente diversificar, só são diferentes quando me perco e mesmo assim nem sempre (a culpa é minha, não é de Roma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há bons capuccinos, gelados e pizzas, sobretudo porque depois de 40 dias e à 3ª viagem já sei onde beber e comer sem gastar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias são terríveis em solidão, embora goste da solidão, sou chata comigo mesma e estou sempre a chamar-me nomes. Estou farta da minha própria voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas frases e palavras vão entrando no ouvido, mas ainda não sei dizer bem casa-de-banho em italiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mapas vão fazendo sentido, perco-me, mas é por outras razões, e dou com os sítios que quero quando menos espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir à compras já não é divertido, chega de nunca saber se o que está dentro dos pacotes tem bom sabor ou é uma bosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem graça subir e descer um terceiro andar com andaimes aos dias de semana, ouvir missas aos fins-de-semana e saber que se é vigiado das janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não tenho imaginação para comer só com um microondas disponível para cozinhar (?) e um frigorífico que não não congela nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho começa a parecer tão repetitivo só de olhar para a caixa que até os empregados estão fartos e põem a caixa na mesa quase sem olhar para mim, o recepcionista deixa-me o cartão em cima da mesa quando me vê e despede-se da porta enquanto fuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei quem são as pessoas que chegam antes de mim ao arquivo e as que chegam depois, mas não falo com nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei de cor os trajectos com menos gente e já ninguém me tenta vender coisas porque até os vendedores sabem que passo ali todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a enganar-me nas mesmas coisas, até a telefonar das cabines com cartões com centenas de números…míope é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não abrir a boca ninguém sabe que não sou italiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não me engano a apanhar autocarros, conheço-os bem melhor do que os de Lisboa. Até sei os que cheiram mais mal, tipicamente os que fazem os trajectos para o Termini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi manifestações, acidentes de automóveis e de motas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas dos cafés sabem o que tomo e tentam-me vender a lotaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os senhores árabes da Internet sabem o meu número de cliente de cor- já agora, se eles conseguem falar italiano, porque é que eu não consigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi mais canções e músicas árabes em cybercafés daqui do que em toda a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não percebi o que vêm cá fazer tantos orientais feios – desculpem o racismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não me surpreendo com o comportamento mundano do clero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo gostar de turistas…aqui é demais. Toda a gente anda de mapas na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto transportar pesos mais do que nunca. A sensação de ter caimbras nas coxas e nos gémeos vai-se tornando familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gaivotas acordam-me e não me deixam dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tantas viroses na pen que até relincha quando coloco no computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo tugas, eles comportam-se como anormais. Hoje mesmo assisti a uma discussão no autocarro entre marido e mulher do género «senta-te aqui, não me apetece sentar aí».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que aqui têm a lata de ter rampas para deficientes nos museus e igrejas, todavia os carros estacionam por cima do passeio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho cada vez mais pena de não falar italiano…é comigo que as velhas metem conversa no autocarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me fartei de pizza, mas a lasanha continua a escorregar que nem ginja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farta de motas e bicicletas – no mínimo, são perigosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não percebi como é que pessoas com bebés escolhem Roma para férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que os japoneses gostam de tirar as mesmas fotografias nos mesmos sítios a comer gelados, e sobretudo, porque é que eu fico sempre nessas fotografias?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-7681436855196508191?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/7681436855196508191/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=7681436855196508191' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7681436855196508191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7681436855196508191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2008/01/depois-de-40-dias-em-roma-roma.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-824633580714755158</id><published>2007-12-03T04:17:00.002-08:00</published><updated>2007-12-03T04:18:27.584-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A História Interminável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Hoje o meu post tem o nome de um filme fantástico. Um filme de 1984. E tem história, provavelmente interminável também. Eu vou contá-la. Em 1984 eu fiz sete anos. Animada pela promessa dos meus pais de que quando aprendesse a ler ia ao cinema, fui pela primeira vez com a minha mãe em 1984. Não me lembro porque fui só com ela. Talvez o meu irmão não quisesse ver o filme, talvez o meu pai não pudesse ter ido naquele dia – não me lembro. Talvez tenha sido um projecto entre mim e a minha mãe, tal e qual como quando íamos juntas à Baixa.&lt;br /&gt;   Eu tinha aprendido a ler há bem pouco tempo, portanto não seguia as legendas todas, a minha mãe teve de me explicar algumas partes do filme – além disso, eu já via muito mal. Mas sei que o filme me marcou para toda a vida, e nesta vinda a Roma percebi porquê. Vi o filme à venda e namorei-o dias e dias, mas reparei que não tinha legendas em português, para o ver e perceber teria de me esforçar no inglês ou seguir legendas em italiano – acabei por optar pelas duas. Todavia, ainda havia uma outra hipótese, bem remota: lembrar-me do filme quando o vi em 1984. Foi também o que me aconteceu. E foi tão bom ouvir a música do Limalh outra vez «Neverending Story». Foi tão bom vibrar com o filme e com o herói do mesmo. E finalmente perceber tudo sobre o filme: porque sempre gostei dele, porque ainda gosto dele, porque me marcou e quem sou eu no filme.&lt;br /&gt;   Obviamente sou o Bastian. Não tão má aluna como ele a matemática, mas igualmente boa leitora e participante das minhas leituras. Mas quem eu gostava de ser era o Atreyu ou a Imperatriz-Menina. E a história tem essa graça: os heróis são meninos e meninas, não homens, não guerreiros, mas meninos-guerreiros. E a partir dos sete anos, com pesados óculos na cara, eu desejei muito entrar na História Interminável, como entra o Bastian, e deixar de pé Fantasia, o universo onde reina a Imperatriz-Menina.&lt;br /&gt;   A Paula disse-me no outro dia que lhe disseram que Novembro é um mês terrível para quem perdeu alguém. Há saudades que não acabam mais. Há tristeza. É do tempo, da aproximação do Natal (que custa tanto), não se sabe bem. Mas é realmente um mês de transição. Para mim é sempre. Desde sempre. Não sei se não detesto mais Dezembro, por causa do Natal. Aos sete anos o Natal tinha tanta graça e era tão rico e hoje para mim vale zero. Mesmo zero. Não me lembro de nada tão mau, tão cruel e tão duro como o primeiro Natal sem a minha mãe. E quem me conhece sabe que não sou de choraminguices destas. Por isso cheguei a este Novembro, mais um passado em Roma, com a sensação de que a minha mãe partiu, realmente, mas está aqui comigo, quando eu atravesso a ponte Sant’Angelo ela está lá e fala comigo, e é tão fácil, tão simples…e tão estúpido, tão patético.&lt;br /&gt;   Descobri há bem pouco tempo que o segredo da vida se reduz a uma coisa muito importante: a espera. Queremos tudo demasiado rápido. Queremos comida rápida (excepto a Patrícia Torres), queremos que a constipação passe rápido (a gripe nem se fala), queremos que a gravidez passe rápido para vermos a cara do nosso filho, queremos ter um parto rápido para não doer, queremos sair rápido de casa (algumas pessoas, pelo menos), ter emprego rápido, ter estabilidade rápida, queremos resolver rápido o que não nos satisfaz. Eu pelo menos sou assim. Muito impaciente, inclemente, e por isso sofro da doença da rapidez. Quero perceber tudo rápido. Mas levei mais de dez anos a perceber a História Interminável, isso vos garanto, e toda a sua beleza, encanto e doçura, sobretudo na mensagem que transmite.&lt;br /&gt;   Do que me lembro com sete anos? Da minha mãe ao meu lado no cinema, sem dúvida. E da cena tenebrosa em que morre Artax, o cavalo do herói Atreyu, na lama movediça. Levei o resto do filme a perguntar à minha mãe «Morreu mesmo?», e ela dizia «Sim», e eu fiquei muito triste. Lembrava-me que o cavalo era branco. Só hoje, com trinta anos de vida, percebi essa cena: o cavalo não morre por acaso, morre para Atreyu aprender a continuar sozinho o seu percurso. O cavalo decide morrer. E quando na cena final volta a aparecer, fica claro que é fantasia, porque o cavalo tinha morrido. E eu para a minha mãe «O cavalo ressuscitou?», e ela «Sim». Atreyu sou eu e o cavalo a minha mãe. E ainda hoje, a ver o filme, me desespero completamente com o sofrimento de Atreyu, porque é o meu sofrimento, quando ele grita «Não me faças isso, Artax, não desistas! Preciso de ti!». Uma cena tão simples e com tanto significado. Sozinho e desamparado, Atreyu depara-se com falta de ajuda, cansaço, solidão, tristeza e doença, da qual só recupera quando é, no último suspiro, raptado pelo dragão da sorte (do qual eu me lembrava perfeitamente, excepto nos dentes e nas escamas, que agora achei horrorosos e mal feitos). O dragão ensina-lhe que ele não está sozinho, dá-lhe a mão nos piores momentos, procura por ele quando não o vê, preocupa-se genuinamente em lutar contra o fim de Fantasia, tomada pelo Nada. O Nada é o caos, a desordem, a escuridão, as trevas. Atreyu acha que falhou, Fantasia é destruída, e diz-lhe o dragão «Pelo menos tentaste». O dragão da sorte são os meus amigos.&lt;br /&gt;   Quando Atreyu se defronta com o lobo que representa o Nada diz-lhe que prefere morrer a combater, porque toda a vida combateu. Pergunta ao lobo quem é ele, e a resposta parece-me exemplar «Alguém vendido ao poder do Nada. Dantes os homens sonhavam, tinham coração, mas agora desistiram dos seus sonhos e venderam-se ao poder e à ambição. Represento a traição aos sentimentos». Atreyu mata-o, todavia antes de aí chegar tinha passado já por duras provas, uma das quais passar por entre duas esfinges que dizimavam quem mentia a si próprio. As esfinges liam o coração. E lêem o medo de Atreyu, por isso disparam, ao ponto de ele correr para não morrer. As esfinges são os meus inimigos: lêem-me o coração e tentam aniquilar-me.&lt;br /&gt;   Chegado à Imperatriz-Menina, que eu não me lembrava que era também uma criança, Atreyu chora e diz que falhou, mas a Imperatriz diz que não. Diz que com a sua bravura convocou outros a serem bravos, os leitores das suas histórias. E então convoca Bastian, o terrestre que Atreyu chamou e que tem de lhe dar a ela um novo nome. A Imperatriz diz-lhe «Tu sabes que nome me dar, mas não tens tido coragem de o dizer». Bastian abre a janela e grita o nome da mãe, que morrera (e não se chega a saber qual é esse nome, mas para que a Imperatriz não morresse era preciso dar-lhe um novo nome, segundo o Oráculo). Não me lembrava que Bastian era órfão de mãe, lembrava-me só que era um garoto triste e desolado, que os outros gozavam na escola. Mas pelos vistos Bastian e eu temos muito em comum.&lt;br /&gt;   A Imperatriz diz-lhe então que só sobrou um grão de todo o seu Império, mas que chega para construir um novo, basta querer. E para isso Bastian só tem de…sonhar, inventar, criar. E Bastian começa a inventar, a criar (daí a ressurreição do cavalo, ele também não deve saber lidar com a morte dos que amamos, como eu).&lt;br /&gt;   Tão bonito o filme! À distância de mais de vinte anos, acho o filme magnífico. No final, o narrador diz «Bastian inventou e criou, mas um dia teve de voltar à vida real…só que isso é outra história». Lembra-me quando eu sonho e gosto muito do sonho, acordo e volto à vida real.&lt;br /&gt;   Em 1984 ninguém fazia merchandising destes filmes: não havia cadernos, cadernetas, lápis, canetas, camisolas dos filmes, como hoje há do Homem-Aranha. Com muito menos do que há hoje, acho que éramos crianças muito mais felizes: tínhamos calquitos, cromos, barbies, sandálias transparentes para ir à praia, ténis e calças de treino para os fins-de-semana e víamos o Corpo Humano e a Abelha Maia. Se víamos um filme, fixávamos a história, não líamos resumos e sabíamos a priori de que tratava. Íamos à sorte e adivinhávamos o conteúdo dos filmes e dos livros. A vida era uma aventura muito divertida. E sobretudo íamos ao cinema com os nossos pais e por muito cansados que eles estivessem viam os filmes connosco, ainda fazíamos os trabalhos de casa com eles, no tempo em que fazer trabalhos de casa era uma coisa normal e regular, diária mesmo. Mas desse tempo o que mais recordo é que a minha mãe não aparecia nos meus sonhos, porque era viva e fazia parte da minha vida diária. Estava ali, à mão de semear. Hoje tenho de ir à procura dela na ponte de Sant’Angelo, numa igreja, num sonho, na minha memória, que nem sempre é feliz na forma como a recupera. A minha também é uma história interminável, que só resiste pela luta, pela bravura, e sobretudo pela minha imaginação, pela verdade do que o meu coração é e sabe. Com tanta força talvez as esfinges não me dizimem. E quem sabe o mundo seja como o Walt Disney o definiu «se podes pensar, então consegues fazer».&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-824633580714755158?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/824633580714755158/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=824633580714755158' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/824633580714755158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/824633580714755158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/12/histria-interminvel-hoje-o-meu-post-tem.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5938765753666630431</id><published>2007-12-03T04:17:00.001-08:00</published><updated>2007-12-03T04:17:51.625-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As férias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu queria faezr uma declaração estonteante, de levar ao desmaio 99% das pessoas: não gosto de férias. Nada mesmo. Está bem, sou workoolic, isso confesso, mas o que gosto mesmo é de ter tempo entre as frestas do trabalho, em vez de andar a correr. Melhor isso do que férias, do que dias e dias sem fazer nada e com pressa para ver tudo, andar em todo o lado, tirar fotografias. Aqui em Roma deve ser uma infelicidade fazer férias, porque eu já vim cá várias vezes (em trabalho) e nunca vi tudo nem tenho essa pretensão, porque há tanto tanto para ver que nem dá para acreditar. E é aqui como no resto do mundo. Está sempre tudo em falta e pensa-se logo «vim aqui, gastei uma batelada de dinheiro e não vi nada do que queria».&lt;br /&gt;   Depois férias para mim, durante muitos anos, significaram discussões valentes entre os meus pais, os meus pais e irmão, eu e o meu irmão, os meus pais e eu. Houvesse um cão e também odiava férias. A praia fartava-me. O campo fartava-me. A cidade fartava-me. Gostava era de ler. Desculpem a cromice. Dois dias sem telefonar e a minha avó achava que tínhamos morrido na estrada. Com o Pedro férias passaram a ser sinónimo de passeios mais calmos (aqui em Roma cansativos, mas aqui é tudo cansativo), mas telemóvel sempre a tocar. Portanto não gosto de férias, muito menos as de Natal. O Natal eu odeio mesmo, mas mesmo. Só gosto dos doces gordurosos (alguns), dos chocolates, nem às prendas acho piada. O que eu gostava de ter um corrector e passar por cima do Natal…e do Ano Novo nem se fala.&lt;br /&gt;   Quando me falam em férias eu lembro-me sempre da casa da avó Nazaré (até em Roma e com o frio que está me lembro disso), quente, húmida, suja, podre e a cair aos bocados, tétrica. Lembro-me do cheiro da pasta peganhenta contra as melgas (que só não picavam a minha mãe), da cama de molas onde eu dormia, que caía três vezes por noite, dos ataques de falta de ar do Ricardo, dos meus avós não acharem piada a nada e acharem sempre que os roubávamos, de comer peixe frito e de eu e o meu irmão roubarmos as uvas antes do jantar porque a minha avó via mal e lavava as unhas sujas na água. Lembro-me de a avó Nazaré tossir/escarrar toda a noite e dizer que queria ir para o hospital, mesmo sabendo pelas vizinhas que estava sempre bem até chegarmos. E lembro-me de horríveis prisões de ventre (que nunca mais tive) que faziam a minha mãe cozinhar sopa de feijão e nada…e que obrigavam a medidas de força como clisteres que me deixavam agoniada e horas na casa-de-banho – com o meu irmão a tentar impedir a passagem para a sanita ou a minha avó a ter vontade à mesma hora que eu. Lembro-me de o meu irmão criar armadilhas naquela casa assustadoras, com fios invisíveis, formigas dentro de frascos e pastilhas elásticas nas janelas, ou simplesmente mudar cadeiras de sítio, que ali gerava o caos e quedas tenebrosas, bem como gritarias. Era uma casa anti-crianças, anti-felicidade e pró-angústia (na linha da de outras casas que já conheci, mas menos cheia e mais podre). Tal como as férias, nas quais a minha mãe acabava sempre por tomar calmantes ou comprimidos para dormir por não aguentar a pressão. Eu devo ter herdado essa propensão: saio das férias sempre mais esgotada do que entrei. Prefiro ir tendo folgas. Férias não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5938765753666630431?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5938765753666630431/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5938765753666630431' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5938765753666630431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5938765753666630431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/12/as-frias-eu-queria-faezr-uma-declarao.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1854701322664005127</id><published>2007-12-03T04:16:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T04:17:13.099-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A osmose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Hoje tornei-me, oficialmente, uma múmia. Não se assustem, ainda tomo banho e mudo de roupa – pelo menos enquanto tiver roupa para mudar e a lavandaria for barata. Só que trouxe comigo um bocadinho de um documento…numa lente de contacto. Ali estava uma linha pequena e quase invisível (mas muito incomodativa) de um documento do século XVIII ou XIX – não posso precisar – na minha lente de contacto esquerda.&lt;br /&gt;   Novembro é o mês decisivo na mumificação do arquivo: ali estão os mesmos padres, frades, freiras, estudiosos novos, velhos e mais ou menos do costume. Agora há umas variantes engraçadas, como a rapariga que põe auscultadores com microfone na cabeça e tem um pé torto (coitada…mas aquilo dá-lhe estilo de múmia), o alemão gordo que se veste todo de preto e tem ar de ir exterminar judeus (basta alguém se sentar na fila dele e lhe empurrar a cadeira), a chinesa que se veste sempre de cor-de-rosa (pronto, é sempre a mesma roupa, só muda as meias), o senhor que quando espirra quase rebenta com as paredes, e há sempre o «monsenhor», que até aqui eu percebia sempre «monsieur», mas depois de muitos textos em italiano lá entendi o que lhe chamavam. Tem sempre uma nova música na abertura dos programas do PC e nunca ninguém o ensinou a baixar o volume. Há também um inglês muito estranho (eles são todos mas este supera o mau gosto) careca e com um bigode farfalhudo e de anéis com brasão.&lt;br /&gt;   Tenho saudades de algumas múmias do ano passado, como o velho de Oxford que sabia sempre o que queria mas nunca estava disponível, ia e voltava constantemente.&lt;br /&gt;   O bom da investigação é a osmose. As pessoas ali tornam-se parte dos textos e os textos parte delas (daí trazer bocados deles nas lentes de contacto). Os investigadores dividem-se em grupos, alguns muito estranhos. Geralmente as pessoas agrupam-se pelo critério da nacionalidade, ou do interesse e há os solitários, como eu, que de vez em quando lá encontro um português ou uma portuguesa por aqui. As pessoas também se dividem pela hora de chegada. Há os pontuais, que parecem dormir à porta do arquivo, e com os quais me confundo por vezes, quando sou a 5ª ou 6ª pessoa a entrar (uma marca excelente para quem mora a 25 minutos dali e tem de passar por quinhentos turistas logo pela manhã) – saliento que as assinaturas são feitas pela hora de chegada, num caderno e a hora de entrada e saída marcadas, de manhã e de tarde. Há o grupo seguinte, que é vasto e entra entre as oito e meia e as nove da manhã. Há os que chegam sempre depois das dez, ainda confusos com o que vão pedir. E os que chegam em cima das onze ou até do meio-dia, descabelados e sem saber para onde se virar, mas querem pedir tudo de uma vez.&lt;br /&gt;   Os horários também têm a graça de às vezes as pessoas competirem para ver quem chega primeiro. Geralmente é o clero, por uma razão simples, vive ali, naquele território sossegado para além da porta Sant’Anna. Mas muitas vezes são outras pessoas, para quem o trabalho que aqui fazem deve ser a maior graça divina. Eu já fui duas vezes o número um a entrar – não é para todos. Mas também já cheguei cedíssimo e reparo que antes de mim já ali estão caídas múmias de todo o género, novas, velhas e assim-assim.&lt;br /&gt;   Há as faixas etárias, de que aqui já falei. E há também os que se vestem normalmente, os que se vestem muito bem, de preferência de fato, os clérigos, que trabalham incansavelmente, e os que nunca tomam banho, parecem trambolhos, mas se estão a borrifar, porque certamente os textos são mais importantes do que o olfacto das outras pessoas ou o «parecer mal».&lt;br /&gt;   A tarde é mais curiosa e sossegada para trabalhar. Geralmente os poucos que aqui estão são supreendidos por meia dúzia de pessoas que vêm das catacumbas, penso que de aulas, que olham para nós como se fosse o jardim zoológico, espreitam os nossos textos e desaparecem do mesmo modo que aparecem, tipo visita de estudo. Nunca percebi quem são. E há os homens das obras, que por aqui passeiam de tarde e não ligam nenhuma ao contexto, querem é usar o berbequim e mudar as tomadas.&lt;br /&gt;   Para a maior parte das pessoas que aqui investiga os textos são uma fonte de informação muito rica e intensa e ganha-se uma certa afeição por eles. Quando me despeço de uma caixa difícil, daquelas com imensos textos para ler complicados e extensos, sinto alívio, mas também pena de ver partir a caixa das minhas mãos para outras mãos. Gostaria sempre de ter feito melhor – sinto sempre que poderia ter feito melhor, mas o pouco tempo que aqui estou impera uma certa velocidade que não se compadece com a exactidão científica.&lt;br /&gt;   O arquivo tem estudiosos excelentes, isso eu sei. Não sei se são pessoas excelentes, mas geralmente avalio pela forma como falam com as outras pessoas, empregados inclusive, como são enquanto pessoas. E também pelas respostas que têm. Por exemplo há uma alemã – daquelas que tem tanto cara de alemã, que não passa por mais nada – que é muito simpática. Parece ter uma familiaridade extraordinária com todos os empregados e fala um italiano perfeito. Trabalha imenso, é disciplinada, o ano passado nem a via levantar-se. Há outra rapariga, que penso que seja italiana, que faz um bom dia estrondoso e troca larachas com os empregados. Temos os mais discretos – como eu, que sou basicamente muda (mas há mais mudos por ali). Temos as tias, que querem fotocópias de tudo para não sujar as mãos e estragar as unhas.&lt;br /&gt;   O comum de todos os estudos, tratados, teses é o mesmo: igreja, clero e alguma podridão na maior parte dos documentos. Os documentos reflectem o país. Portugal vem sempre em caixas sujas, todas sebentas, rotas, com documentos rasgados e húmidos. As caixas da Alemanha (Germânia) vêm sempre limpas, bem fechadas e os textos batidos à máquina (depende dos fundos, claro, e quanto mais actuais mais bem tratados estão).&lt;br /&gt;   Há quem trate os textos por «tu», sem medo nem temores. Mas há outros, como eu, que criaram ligações aos textos de aprendizagem tal que é como se os textos falassem e me dissessem «boa! Aprendeste a ler isto!». Agora os textos estão do meu lado, os bispos, os núncios, os arcebispos e todos os missionários. Tenho sempre receio dos textos italianos com letras complicadas, mas a pouco e pouco vou-me afeiçoando a eles. Há outros que criam ligação ao seu próprio trabalho e vêm os textos como mensageiros do que pretendem.&lt;br /&gt;   O Arquivo é especial. É um sítio onde as pessoas não convivem senão com lixo, a interacção é só entre os empregados (e pouco com eles), a solidão é uma constante e vê-se na cara das pessoas quando estão sozinhas a fazer um trabalho. As pessoas que arrumam os documentos circulam no café com botas e fatos especiais como se tivessem vindo num ovni – tudo com um ar de normalidade que espanta; os estudiosos (como eles chamam) mexem nos documentos podres como se fossem livros de BD, com familiaridade e determinação. Ali estamos a fazer um trabalho «muito original», que tantos almejam, mas poucos entendem «para que é que serve» e «o que é que dá no futuro». Aliás, o ponto comum entre os historiadores todos é o mesmo: olham para o passado. Aquele é um trabalho para dar futuro ao passado.&lt;br /&gt;   Todas as pessoas deviam entrar no Arquivo pelo menos uma vez na vida. Não acho assim tão importante visitar Roma ou vir ao Vaticano, mas entrar na porta Sant’Anna, mostrar três vezes a autorização para entrar (a «tessera»), ver os guardas suíços vestidos à patetas (e ver os homens jovens e sorridentes dentro dos fatos), entrar no arquivo e ver aquelas pessoas todas a dar uma de «O Nome da Rosa» é experiência única…aconselho a levar Brise com insecticida e cheirinho bom.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1854701322664005127?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1854701322664005127/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1854701322664005127' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1854701322664005127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1854701322664005127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/12/osmose-hoje-tornei-me-oficialmente-uma.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-448206509001923356</id><published>2007-11-13T04:19:00.001-08:00</published><updated>2007-11-13T04:19:43.826-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um ateu em Roma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Roma tem diversos atractivos fantásticos, mas como toda a gente sabe, a igreja, o Vaticano e o clero são um dos conjuntos principais que atraem turistas. Estão imersos neste caos a que chamamos Roma. Não é difícil ser um turista ateu - se assim não fosse, que fariam cá os japoneses? Estou certa que vêem por curiosidade, não por serem religiosos. Mas muitos dos turistas que aqui são despejados (sim, porque aqui os turistas parecem gado) são católicos e vêm papar missas, hóstias, fotografar igrejas e comprar terços, lenços e calendários com a cara do Papa. Não ser católico em Roma deve ser uma heresia brutal, uma coisa absurda mesmo.&lt;br /&gt;   Hoje fiz a experiência derradeira da minha existência mundana: fui à igreja aqui em Roma, à missa. Em português de Portugal, afinal ali estão os conterrâneos a cantar português, e quando uma pessoa está algum tempo fora do seu país gosta de ouvir. Naturalmente que os portugueses que lá estavam eram católicos. Muito mesmo. Isto se eu puder classificar como católico a pessoa que sabe a missa de cor. As acções cada um guarda na consciência.&lt;br /&gt;   Mais uma vez cheguei à conclusão que, embora não valha a pena tentar convencer a minha avó, eu não acredito em Deus, nem na igreja, nem tenho fé. Só que dantes eu suspirava «ufa, ainda bem!», hoje em dia não sei se suspiro. Embora uma missa me pareça muitas vezes uma experiência de histeria colectiva, uma espécie de bola de neve que nunca estancou desde que Jesus Cristo andou por cá, acho que aquelas pessoas encontraram qualquer coisa que eu não encontrei e que está vedado por falta de fé. Eu bloqueei. E ninguém teve a culpa. Não é por ser ateia que sou menos responsável ou tenho menos moral do que os outros, todavia eu e só eu sou responsável pela minha moral. E esse é um peso muito grande, embora as pessoas vivam a vida sem pensar muito nisso. Todos temos uma filosofia de vida, seja ela qual for.&lt;br /&gt;   Apesar de a missa por si não me dizer muito, sinto-me peixe fora de água, desta missa a que fui eu gostei muito, não sei se por ser em português e junto de portugueses (certamente ajudou), se pela música, se pela igreja, se pela homilia do Cardeal Patriarca, de que francamente gostei, porque ele referiu imensos assuntos que me são caros. Para além de puxar pela comunidade portuguesa, e referir a perseguição à religião católica (que hoje em dia me parece muito pouco provável), mas sobretudo referindo-se à tentação de largar a igreja católica por outra melhor ou por nada (por isso até referiu o meu caso, dizendo «alguns até são ateus»), referiu que as sondagens apontavam para que uma percentagem muito elevada de católicos já tenham deixado de acreditar na vida para além da morte e na ressurreição. E curiosamente o meu ponto de viragem está aí, e talvez por isso esta homilia em especial me tenha dito tanto. É porque muito lentamente e por questões bem diferentes das católicas, eu voltei a acreditar que a comunicação com o lado de lá é possível (mais na linha Kardec no que na linha Cristiana), o que significa que parte da minha fé se restaurou. Não como se restaura um dente, e por isso estou certa de que demorá muito, ainda, a ter uma resposta acerca daquilo em que acredito. Só que entre a fé cristã e a fé que tenho na existência não corpórea da minha mãe deve haver semelhanças no processo de acreditar. Porque a mim os bispos, os padres, as freiras e todos os outros católicos, pelo menos os de hoje, me pareciam cheios de terem encontrado um sentido para a vida. Um sentido que eu não tenho e procuro. Pelo menos eu prefiro pensar isso do que pensar que todos estariam ali a adular o poder hierárquico da igreja – alguns certamente que sim, como em todos os grupos.&lt;br /&gt;   Numa vida tão atribulada, fútil, superficial, em que tudo parece estar à mão, mas cada vez que olhamos a felicidade está distante da nossa vida e estamos cada vez mais distantes do que somos, do que um dia quisemos na vida, talvez faça sentido o que o Cardeal disse: é um teste à nossa fé enquanto seres humanos continuar a acreditar seja no que for, na vida, em nós, em Deus, na Bíblia, na reencarnação. Não será mesmo mais fácil deixar de acreditar? Para mim não foi fácil. Devo ter deixado de acreditar em Deus aos dezasseis anos. Era muito nova e comecei a ler filosofia e a achar que acreditar em Deus era uma fraqueza tremenda, parecia que tinha de existir um fio explicativo ao qual estávamos presos e sem ele, quais marionetas, íamo-nos abaixo. Os filósofos provavam que havia outras explicações possíveis para explicar o que é o ser humano e qual é o sentido da vida. Depois apareceu o óbvio questionamento, que certamente muitos católicos farão também, das contrariedades entre o que a igreja prega e o que faz. Mas talvez isso não tenha muito a ver com Deus. Esse foi um passo mais fácil de dar, desvincular Deus da igreja que o prega. Só que eu não acredito nem num, nem noutro.&lt;br /&gt;   A mensagem principal do cristianismo é positiva: amor, perdão, fé são palavras boas, que respeitam o próximo naquilo que ele é, na sua essência humana. O problema é mesmo esse: como respeitar se não nos sentirmos respeitados? Dar a oura face torna-se extremamente complicado, e como acho que os católicos não são estúpidos, certamente saberão ludibriar essa questão melhor do que eu. Devem aceitar melhor que eu que existem pessoas más, desagradáveis, estúpidas, mal intencionadas, que nos odeiam e a qualquer momento nos tentam exterminar. As palavras são cruas como a minha vida, que também tem sido crua. E dessas pessoas eu ouvi sempre que eu me sentia assim porque queria, como se a normalidade passasse por eu me afeiçoar ao que não quero dentro de mim, em vez de o expulsar com rapidez e eficácia. Com muita honestidade eu assumo que sou incapaz de perdoar tudo o que me fazem, mesmo reconhecendo o que nisso há de mau, que é ruminar os actos dos meus malfeitores, em vez de os ignorar. Certamente que os católicos são pessoas como as outras: também amam, odeiam e acham que há pessoas insuportáveis. Mas têm a explicação que eu não tenho: Deus fez todos os seres com defeitos, temos de perdoar e aceitar a diferença. Ter a explicação nem sempre é conseguir atingir o patamar da lucidez. Por isso estou certa também que nem todos os católicos serão bons a perdoar ou a dar a outra face.&lt;br /&gt;   Na vida, parece que estou sempre a ser posta perante a mesma situação: terei mesmo de me adaptar ao que não quero? Parece que de repente a vida se tornou num campo de concentração, em que os judeus tinham de se adaptar ao frio, à fome e à morte; assim eu tenho de me adaptar à ofensa gratuita. Todavia, a maior parte das pessoas tem sempre uma boa desculpa para dizer o que quer e fazer o que quer: a velhice, a doença, a falta de cabeça, o mau feitio ou simplesmente o facto de ser de família parece contemplar as pessoas de um halo de santidade que lhes permite ser desbocadas, cruéis, insensatas, tudo com a desculpa «não foi por mal» - ou como já ouvi, «estavas a merecer». Dar estalos aos outros parece dar às pessoas uma certa alegria, um certo poder sobre o outro. Como lida um católico com isto? Um ateu descalça bem a bota: desvia-se do caminho destas pessoas, ignora-as, passa à frente. Mas um católico tem uma missão muito mais espinhosa: tem de perdoar. Cada vez mais acho que o Cardeal tinha razão na sua homilia, num mundo em que somos tentados a achar os outros monstros, teremos capacidade para os incluir nas nossas vidas como seres «iguais», permanecer na nossa fé e realmente acreditar que esta vida é uma passagem e que seremos reduzidos a «nada»? Ele citou uma frase de alguém não identificado: a vida é bonita, a morte é simples, a transição de uma para a outra é que é complicada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-448206509001923356?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/448206509001923356/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=448206509001923356' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/448206509001923356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/448206509001923356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/um-ateu-em-roma-roma-tem-diversos.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-7778930185927482403</id><published>2007-11-13T04:17:00.002-08:00</published><updated>2007-11-13T04:18:21.559-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perguntas pertinentes que uma pessoa às vezes faz em Roma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A probabilidade de encontrarmos um romano é cada vez mais reduzida à medida que nos aproximamos da área do Vaticano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os japoneses adoram isto, mas andam de máscara? Valia mais irem para outro sítio mais limpinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um turista nunca anda sozinho, tem mais cinquenta a duzentos turistas atrás, à frente e ao lado dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espanhóis e os alemães se embebedam e cantam seja lá onde for?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só consigo encontrar portugueses a discutirem e a comprarem rosários com cachecóis do Sporting?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clero aqui se comporta de forma tão animalesca quanto as outras pessoas todas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As freiras fotografam o Vaticano mais ainda do que os japoneses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às oito da matina de qualquer dia semanal há magotes de gente a sair de camionetas turísticas, com crianças, velhos, anormais e deficientes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As turistas japonesas usam saltos sejam onde for (até em ruínas)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há motas e bicicletas a virem em sentido contrário nas ruas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As probabilidades de encontrar um turista ou um vendedor de malas é igual à de apanhar com uma cagadela de pássaro no casaco (o meu casaco fala por si)?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-7778930185927482403?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/7778930185927482403/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=7778930185927482403' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7778930185927482403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7778930185927482403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/perguntas-pertinentes-que-uma-pessoa-s.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1916985952204604605</id><published>2007-11-13T04:17:00.001-08:00</published><updated>2007-11-13T04:17:51.672-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O elitismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   No outro dia percebi porque me incomoda tanto o trabalho que faço, melhor, o lugar que ocupo. Porque é elitista e eu, por princípio, não sou elitista. Acho que se as pessoas têm qualidades e são inteligentes, podem e devem fazer o que gostam. Mas da palavra à acção, eu ouvi muitas vezes «eu queria fazer isto ou aquilo, mas não tive possibilidade». E depois vem o rol das impossibilidades: falta de dinheiro, saúde, oportunidade, azar na vida, ou filhos, família, etc. Depende do que pomos em primeiro lugar, daquilo em que investimos, da força de vontade, mas depende, e muito, da sorte. Mesmo. E eu pelos vistos tive sorte, depois de muitos azares, mas tive sorte em fazer o que meia dúzia faz (é mais de meia dúzia, cinquenta múmias logo pela manhã). Com o tempo passa a ser rotineiro, normal, até mesmo ver gente mais jovem do que eu. Esse também é outro dos argumentos que mais me ludibria, uma pessoa ser demasiado jovem ou demasiado velha para fazer alguma coisa. Por tradição, documentos velhos é para gente velha. A imagem do historiador de barbas que enlouquece à procura de segredos nos documentos parece ser um dos estereótipos preferidos até dos mais velhos, ali no arquivo. As pessoas mais jovens, ali, são mais descomplexadas. A maior parte está em doutoramento, portanto a investir na carreira universitária, no seu país ou noutro.&lt;br /&gt;   Todavia, o elitismo consegue ser horrível, tanto em Porugal como em Itália, e não favorece um país, culturalmente, porque desaproveita uma série de cabeças pensantes que se dirige para outras áreas completamente diferentes. Só aqui em Roma conheci diversas pessoas formadas em História que não exerce nada que se pareça com História. Em Portugal, nem falo dos inúmeros casos de pessoas acumuladas em prateleiras à espera que o seu curso lhes renda alguma coisa. Acredito que muitas pessoas trocariam o que ganham por menos para poderem exercer o que realmente gostam. Eu acho secante o que faço, mas também vejo muitas compensações que não são monetárias: viagens, alguma liberdade de horário, trabalhar sozinha. Por isso, não me importava de continuar, desde que viajasse, já que o trabalho na universidade é repetitivo e intragável.&lt;br /&gt;   O elitismo é a noção de que alguma coisa é para poucos, uns quantos privilegiados que conseguiram alcançar «aquele patamar». Parece pôr de parte uma certa luta, uma certa garra, uma certa sanidade que nos coloca à procura de subir de degrau na escala dos conhecimentos. Se não pertencermos a essa elite, temos poucas chances de sobreviver. Pode ser uma elite de dinheiro, uma elite de poder, uma elite de conhecimento. Sem um attachement qualquer a uma delas, ficamos desasados.&lt;br /&gt;   Eu acho que não pertenço a nenhuma elite, todavia estou inserida nesta, portanto acabo por fazer parte de uma, ou dar essa ideia ao exterior. Como muitos outros sítios que habitamos, este é uma oligarquia: quem manda nele, senão o poder (político, religioso)? Quando esse pensamento me ocorre, não me agrada mesmo nada. Não sei como cada uma das pessoas chegou a «investigador», mas há certamente um processo complicado, e como há ali muitos estrangeiros, deve variar consoante cada país. Uns estarão ali com bolsas, como eu. Outros com carreiras universitárias. Outros porque conhecem alguém. E há o clero, que tem uma espécie de livre-trânsito para as catacumbas.&lt;br /&gt;   O trabalho parece um mito. As mais variadas pessoas já me disseram as coisas mais estranhas: se posso pedir tudo o que quero, mexer no quero, procurar à vontade. Mas não. Nada disso. A disciplina ali dentro é militar. Há horas para tudo, os documentos estão guardados numas caixas putrefactas que eles vão buscar e levam exactamente 20 minutos a chegar. No caso dos documentos mais podres, a pessoa é obrigada a sentar-se nos reservados – é o meu caso – e a pedir um máximo de 3 caixas por dia. Creio que noutro tipo de documentos é possível pedir-se mais.&lt;br /&gt;   Creio que o elitismo, por norma, estraga muito as pessoas no trato humano e social. Cria-lhes a ideia totalmente fictícia de super-pessoas, super-bem-relacionadas e super-bem-equipadas-para-a-vida. Mas a visão é em túnel, com palas nos olhos, muito estreita. A prova é que ali as pessoas são geralmente porcas, arrogantes e muito solitárias, ou então relacionam-se e tomam café com quem lhes interessa. Outras têm uma relação de amor quase erótico com os documentos e afeiçoam-se a eles como se fossem pessoas. Comigo também acontece isso, confesso. Sempre que tenho de entregar uma caixa, vêm-me lágrimas aos olhos, ou porque li os documentos que tinha para ler ou porque finalmente me vou separar da «minha» caixa sebenta. Todavia, tenho muita pena da minha mudez, de não falar italiano (e admiro imenso que as pessoas aprendam quando ali vão, mesmo com sotaque inglês), sobretudo porque me retira em grande parte a humanidade. Como as palavras são importantes…&lt;br /&gt;  Curiosamente, a área de leitura de texto antigo – que nunca supus agradar assim a tanta gente, mas toda a gente me diz que «é giro» - nunca me interessou até ao momento de vir trabalhar exactamente nisso. E parece que nunca suscitou interesse a ninguém até…eu vir trabalhar exactamente nisso. Já ouvi as coisas mais disparatadas e tolas que se podem ouvir: que podia tirar fotocópias dos documentos (então para que é que ia a Roma?), que podia ter arranjado «outra coisinha melhor que não me separasse do meu marido» (não interessa a qualidade do trabalho), que podia tirar férias enquanto estou aqui (ó meus amigos…), que não faço nada com isto no futuro (é um clássico bem conhecido), que deve ser giro passear (experimentem apanhar com os turistas quando têm pressa para chegar ao arquivo), que é um trabalho fixe (imenso, mas experimentem levar com oito horas diárias dele). Visto de fora isto parece o paraíso. Mas nunca se pode esperar recompensa nenhuma deste tipo de trabalho: quando regressar a Portugal, vai estar tudo mal, será pouco o que fiz e é preparar-me para grandes e sonoros desgostos. Mas enfim…amanhã é novo dia e os bispos, núncios e missionários esperam por mim. Mais as múmias elitistas dos arquivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1916985952204604605?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1916985952204604605/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1916985952204604605' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1916985952204604605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1916985952204604605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/o-elitismo-no-outro-dia-percebi-porque.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2859975081539127982</id><published>2007-11-13T04:16:00.002-08:00</published><updated>2007-11-13T04:17:20.422-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O gueto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Diz-se que é um fenómeno cultural. Um gueto é uma espécie de espaço isolado, afastado do mundo, com gente da mesma raça ou da mesma espécie. Geralmente é um fenómeno social, económico ou simplesmente cultural. Dar protecção aos iguais pode também ser um fenómeno de nacionalismo. Muitas vezes o gueto não se mistura com o exterior, daí o nome. Os chineses que vêm para Portugal ou para a Itália parecem-me iguais. Os árabes, os indianos, os romenos que estão aqui, em Roma, são em tudo parecidos aos de Portugal. Aprendem a língua, falam com sotaque, entre si usam a língua nativa, vivem juntos e fazem negócio.&lt;br /&gt;   Depois há o gueto cultural, também protegido por embaixadas ou institutos. Aqui há o Instituto Português, como deve haver albergues espanhóis, ingleses, alemães e alguns mais. Aquilo que o gueto tem de bom é exactamente o problema do mesmo: encontramos um bocadinho do nosso país aqui. Sentimo-nos em casa, por um lado estamos bem, mas vemos os defeitos da «nossa» casa à lupa. O que me faz pensar que todas estas pessoas, já híbridas de tanto falarem italiano e viverem em Itália, são, essencialmente portuguesas, em costumes, tradições, modos de vida e, acima de tudo, modos de pensar. O pensamento é tudo.&lt;br /&gt;   Assim que aqui entrei vi-me em Portugal em ponto pequenino. Aqui as obras são feitas por italianos e há uma certa mistura de línguas, os italianos falam um pouco de português e os portugueses sabem (quase todos) falar italiano com correcção (parece-me). Todavia, as empregadas são analfabetas, algumas extremamente incorrectas, coscuvilheiras, o sacristão é preguiçoso e o padre que gere tudo isto, pessoa certamente culta, tem modos distantes, afectados, altivos, de autêntico burguês que gere um palácio. Ele gere um gueto, mas não sabe, ou se sabe não mostra, porque é esperto. Esta «espertalhice» é tuga, é nossa. Aqui está o Eça de Queirós narrado, com todas as melhores personagens. Estas são as criadas do Eça, as que vigiam a Luísa nos seus encontros fortuitos com o primo Basílio e espalham as notícias rapidamente umas pelas outras. Os padres e os sacristães são iguais aos do Eça: inúteis, corrompidos, larvares.&lt;br /&gt;   Quem não gosta de se ver no seu país, de ouvir a sua língua? Eu gosto. Mas aqui evito com alguma veemência os portugueses. É bom ouvir português, mas posso sempre ouvir a Amália no MP3. É bom conversar em português, claro que sim. E ter costumes portugueses. E vir de Lisboa (apesar de as empregadas daqui virem todas de Viseu). Mas de resto não. Estar isolado tem as suas vantagens e tem os seus males, bem sei, mas se uma pessoa quer conviver com portugueses fica em Portugal, não se desloca a Roma, nem arranja um trabalho que exija deslocações. O bom das deslocações é a mudança de hábitos. Algumas mudanças custam, como estarmos habituados a companhia ao fim do dia, ou ouvir notícias em português ou almoçarmos com amigos. Mas algumas não custam. Estar sozinho é semelhante a estar em paz, quer dizer, claro que os problemas existem, claro que a minha vida não é aqui, mas agora, neste momento, é. E eu sou obrigada a estar presente, dentro ou fora do gueto, eu mantenho-me eu. Há uma vida em Portugal à minha espera, este é o intervalo dessa vida. Portanto, trabalho muito, mas descanso outro tanto. E eternamente me vão perguntar o que vim cá fazer, para que é que isto serve, o que é que isto dá no futuro e acima de tudo vão dizer-me, como já ouvi mil vezes «isso deve ser muito giro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2859975081539127982?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2859975081539127982/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2859975081539127982' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2859975081539127982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2859975081539127982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/o-gueto-diz-se-que-um-fenmeno-cultural.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-271855784079536480</id><published>2007-11-13T04:16:00.001-08:00</published><updated>2007-11-13T04:16:48.657-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Saudades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Do que tenho saudades depois de 15 dias em Roma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…dos amigos todos, mas sobretudo dos almoços com o Paulinho, Diana Frol, Patrícia França, e encontros manfiosos. Dos almoços inverosímeis com as três damas Paula, Estela, Sandra e das piadas mais-que-porcas que mandamos à mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não ter de pagar tanto de selos, cartas, Internet para falar com as pessoas. Devíamos ter direito a comunicar de graça em qualquer parte do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…dos filmes de terror na casa do Ric, de me empaturrar de doces com ele, dar arrotos gigantes, tudo enquanto a Lisabete come saladas e o Pedro tenta dizer palavras em russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de ter nome e não ser só «ragazza», «dotoressa» ou «prima donna» (primeira senhora a entrar no arquivo, ok?). Tenho mesmo saudades é de ser o Bino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…do Serginho, mesmo quando se baba e dá traques no colo dos tios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…do pai a discutir com a Helena sempre as mesmas coisas e a mandar piadas que ninguém percebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…do Pedro e da nossa cama gigante e mais não digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de Lisboa e do seu trânsito medonho (nada pode ser pior do que Roma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…do Eduardo aparecer de repente no meu gabinete com ideias de génio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de conversar com a Helena, mãe da Paula, e da Bia, sobrinha da Paula, olhar para mim à espera que lhe tire uma fotografia (devo ter cara de japonesa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…das piadas do Paulo Vicente, mesmo as de carácter sexual (absolutamente medonhas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de beber café em qualquer lado, ser bom, vir «normal» sem estar a chávena vazia (italianas? O que é aquilo? Poupança de água ou de café?) e pagar 0,55€!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de poder lavar a roupa na minha casa, sem andar com um saco gigante às costas (qualquer dia dão-me esmola).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de ouvir português sem ser turistas brazucas ou velhas religiosas a tentar comprar terços no Vaticano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…dos almoços como deve ser na cantina da Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de falar a toda a gente dos meus problemas familiares: aqui falo com quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não ir no elevador com padres e frades medonhos e investigadores mal-cheirosos com sobrancelhas à Grinch (só me pergunto quem é que pega naquilo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de nunca saber por onde passar, o Vaticano abre e fecha as entradas e saídas sem avisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de o Pai Natal não me pedir esmola (nunca vi isso em Lisboa) e ser simpático com as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de conseguir ouvir mais a língua do país do que outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não sonhar em italiano e latim (é verdade, sou um fenómeno, uma freak!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não me doer tanto, tanto, tanto as costas, pernas e pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de ter alguém do meu lado a fazer seja o que for sem ser ler documentos podres com lupas especiais e sorrisos amarelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de a meio da manhã comer qualquer coisa diferente do costume (o café do arquivo é igual aos documentos: há sempre o mesmo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não me abrirem todos os dias uma janela nas costas porque os documentos (ou as múmias que os lêem) são perigosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não encontrar bocados de tangerina no livro de assinaturas do arquivo (é nojento, mas é verdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não ter de andar num metro sujo, mal iluminado, pequeno, e em autocarros a abarrotar fora das horas de ponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não ter de atravessar à espera que me deixem passar por milagre e ser obrigada a enfrentar os carros, de não ter motas a fazer rasantes e bicicletas em sentido contrário ao do trânsito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de para ir à Internet não ter de entrar em sítios mal cheirosos, suados, quentes, com árabes a ouvir músicas em altos berros e mexicanos a discutirem que não querem pagar as chamadas para o México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não me sentir uma surda-muda-autista quando falam comigo e saber responder. Já agora, cada vez que falo português, nem que seja só uma palavra, a reacção também é a de surdos-mudos-autistas. Ao menos estamos de igual para igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de não ouvir sempre as mesmas músicas (é o que tenho no computador e MP3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-271855784079536480?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/271855784079536480/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=271855784079536480' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/271855784079536480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/271855784079536480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/saudades-do-que-tenho-saudades-depois.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5009486325571634082</id><published>2007-11-13T04:12:00.000-08:00</published><updated>2007-11-13T04:15:29.193-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tão neutro como a Suiça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Se eu ganhasse um euro por cada vez que alguém me diz que se vai manter isento, neutro, tão neutro como a Suiça na Segunda Grande Guerra, eu estava rica. Ouvi tantas vezes o «não me quero meter» que fiquei habituada a uma só coisa: a que ninguém se meta e eu morra sozinha no ringue, na arena, ou seja lá onde for.&lt;br /&gt;   É certo que temos anjos da guarda, mas daí até termos alguém que nos defenda, eu acho que vai um grande passo. Alguém que tome o nosso partido sem reservas nem medo. Mais ou menos como o grandalhão que se mete à frente do menino indefeso para ele não apanhar dos matulões lá da escola. Nunca tive isso e cada vez menos espero ter. Talvez cada vez menos precise, vou-me tornando crescida e trinta anos de vida metida em sarilhos na escola, em casa, na família, com pessoas de todo o lado ensinaram-me uma coisa importante: que se eu não me defendo, então ninguém defende. Ganhei mais essa consciência quando a minha mãe morreu. Até essa data, eu vivia numa cápsula, ela é que apanhava com as setas maiores, eu apanhava só com as pequenas, os retroactivos, os ricochetes, eu recolhia as migalhas dos desastres. Hoje em dia a cápsula já há muito se partiu e já sou eu a apanhar com as setas, algumas muito envenenadas.&lt;br /&gt;   Este último ano foi péssimo, foi pródigo em apanhar com setas e deixá-las cá espetadas. Algumas sangram mais do que outras.&lt;br /&gt;   Não posso pedir que me defendam quando às vezes está em causa mais pessoas, mais sentimentos, mais amizades ou família. É verdade que não, e salvaguardo isto. Mas também não posso evitar o facto de me sentir sozinha. Porque na vida talvez tenha sido essa a minha constante. Não se pode pedir a ninguém que pense como nós, é impossível, ou que concorde, ou que diga o que queremos, ou que nos defenda incondicionalmente. É evidente que quando as pessoas que gostam de nós nos vêem a ir para o abismo, até podem não dizer, mas não nos acompanham, tentam puxar-nos de lá, por isso não vão concordar connosco.&lt;br /&gt;   Nem falo em concordâncias. Ter razão acaba por ser uma grande chatice, um grande sarilho. Talvez mais valha não ter nem fazer por ter. Perante a realidade, os argumentos caem por terra. Só acho que mais uma vez a Diana tem razão: o que é estarmos isentos? Se respiramos participamos na vida, não estamos isentos. Nunca. Mesmo quando não fazemos nada estamos a tomar uma posição e a ter uma atitude. Só mortos não agem sobre o mundo – supostamente. Mas nós todos agimos, quando falamos, respiramos, interagimos, passeamos, apanhamos o metro. Poderemos ser isentos, tão neutros como a Suiça?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5009486325571634082?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5009486325571634082/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5009486325571634082' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5009486325571634082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5009486325571634082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/to-neutro-como-suia-se-eu-ganhasse-um_13.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-203675584552535105</id><published>2007-11-08T09:30:00.000-08:00</published><updated>2007-11-08T09:32:28.567-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-203675584552535105?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/203675584552535105/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=203675584552535105' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/203675584552535105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/203675584552535105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/to-neutro-como-suia-se-eu-ganhasse-um.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4224151554730769253</id><published>2007-11-05T04:21:00.001-08:00</published><updated>2007-11-05T04:21:42.495-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O grotesco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Desde que vim para Roma que me pus a pensar em coisas que sempre me importunaram e deitaram abaixo e tirei umas das conclusões mais brilhantes da minha vida: são sempre as mesmas, são invariáveis desta vida. Há pessoas que me incomodam imenso até à distância porque…eu deixo e só penso nisso. Confesso que desde o ano passado que melhorei muito. Não me deixo abalar tanto como dantes pela falta de valores morais das outras pessoas, sobretudo se estiverem perto de mim, sou mais cuidadosa com o que digo e a quem digo, invoco muito o silêncio em locais de batalha, sobretudo por instinto, mesmo quando não parecem locais de batalha e estamos só à mesa com amigos.&lt;br /&gt;   Que se passará comigo? Às vezes dou por mim a chorar porque alguém me inveja, diz mal de mim, está pronto a deitar-me abaixo ou simplesmente porque não consigo explicar o meu ponto de vista. Evidentemente que já cheguei à conclusão que só interessa explicarmos o nosso ponto de vista a amigos próximos que nos importem como pessoas. O nosso ponto de vista não interessa aos inimigos, aos conhecidos próximos, às pessoas menos bem intencionadas. Somos o que somos. Se tivermos amigos e a sorte de termos familiares que gostem de nós e de quem nós gostemos (e friso a palavra sorte, porque ela é mesmo necessária) é a eles e só a eles que nos cabe explicar seja o que for sobre o que fazemos, sobre o que optamos por fazer e sobre o que somos enquanto seres humanos. O resto tem esse nome: é resto, excesso ou diferença. Não faz parte dos cálculos.&lt;br /&gt;   Este parágrafo supra (dir-se-á assim?) são as minhas palavras, mas nada daquilo que eu faço…Ao menos sou honesta. Não, não faço nada disto. Levo dias a explicar-me dentro da minha cabeça, a achar que vou novamente ser confrontada e ter de explicar, a achar que a esta ou àquela pessoa também posso explicar qualquer coisa, a achar que ninguém percebe o que faço mas tenho de ir explicar. A Diana define este processo com uma boa expressão: eu fico emocionalmente conectada com o que não presta, com o que não me faz falta, com aquilo que não sou, não quero ser e não quero que faça parte de mim. Por exemplo era como levar na minha memória e ficar emocionalmente ligada ao grotesco de Roma.&lt;br /&gt;   Comigo trouxe uma mala pesada, um computador portátil e…lixo emocional de toda a espécie. Há o lixo do que me dizem mas não concordo nem acho certo, há o lixo dos maus pensamentos dos outros sobre mim, há o lixo da inveja sobre mim, há o lixo dos obstáculos emocionais como «não podes», «não deves», «não és capaz», «não voltarás a fazer isso tão cedo porque…», há o lixo da chantagem emocional dos que choram e berram para se fazerem ouvir e querem à força que eu lhes cumpra os sonhos de vida, há de tudo…É como se eu fosse um íman gigante de mentirosos, falsos, gente sem escrúpulos, gente vazia, gente que nunca se encontrou mas se acha perdido por causa de mim, doentes mentais, chantagistas, manipuladores. Será que as minhas emoções são um pub ordinário de esquina onde há tareias todas as noites e as meninas usam meia vermelha de liga? Serei um circo de freaks cá dentro de mim? Como manter essa diversidade de seres gritantes e ordinários fora de mim? Como não me envolver com o grotesco do ser humano?&lt;br /&gt;  Roma ainda me faz rir do grotesco. Mas os acontecimentos da minha vida já não me fazem rir. Todos somados dão um resultado um bocado triste e insatisfatório, um balanço altamente negativo com as pessoas. Eu tenho problemas até com quem ninguém tem. A Paula diz que está sempre a esbarrar com gente fixe nas coisas mais pequenas, comigo é exactamente o contrário: eu esbarro com mânfios, mentirosos, maus caracteres, mas muito mais do que isso, esbarro com manipuladores e chantagistas em todas as esquinas da minha vida. Estou a ser cruel e a esquecer-me (lá vem a minha atracção pelo grotesco) das pessoas boas que fui encontrando pelo caminho. Na verdade não as esqueço, só que não são elas o problema. Nem as pessoas do piorio. O problema sou eu.&lt;br /&gt;   Ao mudar de casa e ao casar-me eu achei que pelo menos metade dos meus problemas estava morto: já não queria mais viver em casa, nem ter a vida que tinha, nem estar com as pessoas que estava e tudo isso ia mudar. De repente senti-me entalada em problemas muito piores, era como se eu tivesse subido um degrau acima na escala da dor e do razoável. Em vez de me livrar de um problema, criei um monstro muito maior à minha volta, que obviamente não soube gerir. Acho que toda a minha vida tem sido uma perfeita desgraça por causa de uma só pessoa: eu própria. Pareço um daqueles bêbados que se embriaga, vai a um bar e cria confusão com toda a gente só porque está bêbado. O que difere são as minhas motivações, que penso não serem gratuitas.&lt;br /&gt;   Nos arquivos eu tenho de estar em silêncio para ler. É como uma oração. Para se fazê-la e se receber a graça (que católica estou eu) o silêncio é essencial. Mesmo assim tenho dificuldades em não ouvir as vozes do grotesco.&lt;br /&gt;   Aqui já devo estar mais gorda, como bastantes doces, gosto muito de alguns que há por aqui pelos supermercados (nos cafés nunca pedi nenhum, excepto no café do arquivo, mas devem ser os olhos da cara), de chocolates sempre gostei. Talvez o portátil às costas me faça manter a forma, e também as dores nas costas, e por alguns momentos esquecer…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4224151554730769253?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4224151554730769253/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4224151554730769253' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4224151554730769253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4224151554730769253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/o-grotesco-desde-que-vim-para-roma-que.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-7002736404325573012</id><published>2007-11-05T04:20:00.000-08:00</published><updated>2007-11-05T04:21:01.550-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Roma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Semprei gostei da palavra e agora que a palavra ganhou um correlativo objectivo, ou seja, uma correspondência visual e conceptual, a palavra encheu-se de significado. Roma ao contrário é Amor. Que romântico…&lt;br /&gt;   Este texto só vai fazer sentido para a Diana Frol, que acha Roma tão romântica quanto eu. Desculpem, mas vou desfazer o mito nas vossas cabeças. Roma não tem nada de romântico, excepto o barco que vai para Trastevere, cujo barqueiro deve ser neurótico e grita com as pessoas. É romântico por causa da paisagem…ao longe. Ao longe o Vaticano é belíssimo, a cúpula é uma maravilha. Ao longe e à noite, quando não está lá ninguém, excepto os japoneses a dispararem os seus flashes incessantemente. Como eu digo sempre, o Vaticano já foi mais fotografado do que o cu da Princesa Diana ou a… da Paris Hilton. Tirando o Vaticano, alguns monumentos sumptuosos e muitas ruínas, Roma é suja e grotesca. Tem uma quantidade de imigrantes ilegais que provoca arrepios da espinha.&lt;br /&gt;   Em Roma, quem são os romanos? Ninguém sabe, até porque aos fins-de-semana eles escondem-se noutras casas de férias, pelo menos os mais ricos, um velho hábito romano, pelo que sei. Eu sou sempre confundida com uma romana, não por usar casacos de pele ou botox na boca, mas porque atravesso como as velhas romanas, olho zangada para os carros e depois ignoro-os, enquanto praguejo, corro sempre e reparo sobretudo nas motas, que são perigosas porque se esgueiram por entre os carros. À noite, esta míope tem muito medo das motas, confesso. Raramente petrifico numa passagem de peões, mas às vezes acontece. E os condutores praguejam. É uma cidade cheia de gente mal-educada, incivilizada. Como diria o irmão da Paula, é uma cidade badalhoca. Muito mesmo.&lt;br /&gt;   Da primeira que cá estive fez um Inverno rigoroso, usei barrete todos os dias, o guarda-chuva foi necessário e fazia tanto frio que eu nunca pensei ser possível haver tantos turistas num sítio tão gelado. Mas havia e eu achei excepcional, visto que aqui não se pode esquiar. Da segunda vez o Inverno foi menos rigoroso e estava sol, pouco usei o guarda-chuva. Havia tantos turistas que eu nem conseguia chegar ao Vaticano. Lembro-me de uma vez em que os japoneses eram tantos e atravessavam à balda num dia de chuva, que eu fui o caminho todo a praguejar até à porta dos arquivos. Ainda bem que ninguém percebia…Comecei a fazer o caminho mais comprido até ao Vaticano – portanto a levantar-me mais cedo – e acabei por tirar uma nova e brilhante conclusão: havia ainda mais turistas e eu chegava sempre atrasada. Posso dizer que esta é a terceira vez que venho e ainda não descobri nenhum caminho sem turistas aos magotes (estamos a falar de excursões daquelas em que há pessoas de cadeiras de rodas e bebés a bordo, portanto em que tudo é possível). O que significa que aqui o turismo devia encher os bolsos dos cofres de Roma, e possivelmente de toda a Itália. Mesmo assim, os donos das lojas são empertigados, convencidos, irritantes e facilmente irritáveis (basta que não se saiba falar italiano, o que é o mais comum).&lt;br /&gt;   Se eu vivesse aqui dava em doida. Lisboa consegue ter muito mais espaço do que Roma e eu em Lisboa envergonho-me de ver turistas a assistirem a más educações, conduções perigosas, buracos e obras mal sinalizados, aqui ninguém parece importar-se.&lt;br /&gt;   Roma é interessante, sem dúvida. Tem sempre coisas para visitar e eu faço muitas vezes viagens peregrinas, como sair em cada uma das paragens de metro e ver o que há para ver. Claro que nem tudo é perto do metro, mas há sítios circundantes com igrejas, basílicas e monumentos diversos. Há também locais a temer e a evitar, como o Termini, que tem o maior número de pessoas bêbedas e feias por metro quadrado, com ruas de lojas chinesas e indianas. Aqui ainda não se renderam aos centros comerciais e é raro encontrar um.&lt;br /&gt;   Os italianos parecem ter um carácter volátil. Ou são muito bem dispostos ou muito agressivos. É difícil classificá-los sem ser com um palavrão. Cada vez mais me apercebo que são racistas e completamente alheados dos turistas, o que é estranho, tendo em conta que a cidade é povoada de turistas (deve ser o hábito).&lt;br /&gt;   Tenho os dois lados da moeda romana: as coisas boas para visitar e as menos boas para aturar, como em qualquer cidade onde se viva. Gosto na mesma, não vou dizer que não, o Vaticano tem sempre a sua beleza, de manhã, ao entardecer, à noite. Roma é sempre bonita, apesar da tremenda confusão. Apesar de tudo, é uma cidade a visitar no roteiro turístico e que viverá no meu coração para sempre, por outros motivos, pessoais, inomináveis, adversos, simpáticos, oportunos e inoportunos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-7002736404325573012?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/7002736404325573012/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=7002736404325573012' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7002736404325573012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7002736404325573012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/roma-semprei-gostei-da-palavra-e-agora.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1893704130895222485</id><published>2007-11-05T04:17:00.000-08:00</published><updated>2007-11-05T04:20:23.066-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A inveja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Caros amigos, queria dizer a todos que, mesmo em Roma, ainda não descobri «the meaning of life». Como naquele filme «A vida, o amor e as vacas», em que a personagem de Jack Palance reclama existir uma única coisa que importa na vida, mas nunca chega a dizer o que é, anunciando que cada um de nós sabe e só tem de ir à procura. É simplista q.b., quase como no Principezinho, mas…não será verdade?&lt;br /&gt;   Aqui em Roma estou sozinha, por isso em Roma ou na Conchinchina (que por acaso existe e consta nos documentos do Vaticano) os problemas seriam sempre os mesmos na vida de uma mulher trintona que viaja sozinha, que deixa o seu gajo e os seus amigos em prantos (vá, deixem-me brincar…), que só tem TV italiana (por acaso muito má, pior do que a portuguesa), o seu PC – que é salvação do mundo, se isto se estraga acabou-se a minha vida – e sabe que, durante muitos e muitos dias será assim mesmo. Cozinhar sozinha, viver sozinha, passear sozinha, escolher locais a visitar sozinha, lavar a roupa sozinha. É a vida de muitas pessoas, não tem nada de mais, não fosse a estranha investigação que me traz cá, desculpem mas não vou dizer qual, o blogue é público.&lt;br /&gt;   Serei digna de inveja? Em muitos aspectos estou certa que sim. Para já, porque viver sempre no mesmo sítio e fazer sempre os mesmos percursos, para a grande maioria das pessoas é uma seca. Há excepções, claro. Tenho um amigo que diz que onde houver uma Fnac está a salvo, seja em Portugal ou noutro sítio qualquer do mundo. Para ele, só está fora de questão países sem livrarias, cinemas, teatros, cultura. Portanto, países de terceiro mundo seriam a ruína dele.&lt;br /&gt;   Mas ultimamente pus-me a pensar. Foi tão difícil conseguir este trabalho, foi uma batalha tão dura. Na primeira vez que vim foi tão complicado que chorei no primeiro dia, coisa que raramente me acontece (houve circunstâncias muito próprias, digamos muito romanas, que levaram a isso, claro). Sempre que vim deixei situações complicadas em casa. Sempre ouvi comentários da minha avó completamente tortuosos, que quanto a ela lhe saem sempre involuntariamente e «não têm mal nenhum», mas que para mim são palavras com longo alcance. Na primeira vez deixei o pai sozinho, era tudo perigoso, uma menina sozinha (trinta anos, amigos, trinta anos e ainda sou tratada como se fosse o Capuchinho Vermelho na floresta), à segunda e à terceira vez é o marido. Pois claro, um marido ficar sozinho…olha que coisa! Que raio de trabalho fui eu arranjar, que porcaria. Soubesse ela que vou tentar compor a minha vida profissional com muitas e muitas mais viagens, porque isso me enriquece, como pessoa e no trabalho. Sempre esbarrei com comentários destes. Parece que sempre que avanço alguém me segura na camisola e manda voltar para trás, me puxa para uma vida dita «normal». Isto não é inveja, é simplesmente não perceber que, eventualmente, o mundo pode ter mudado e as mulheres já serem capazes de fazer alguma coisa por ele.&lt;br /&gt;   Depois, há as pessoas que detestam uma vida «normal». Há uns tempos esbarrei com uma atitude (feminina, e desculpem o comentário, como quase sempre) que me fez ficar muito irritada. Uma daquelas pessoas para quem a vida sorriu a sério, em termos pessoais e profissionais, mas que acha a sua própria vida um «tédio», ficou petrificada quando percebeu o que eu fazia (se é que percebeu, porque a pergunta que mais oiço nos dois últimos anos é «afinal o que é que vais fazer a Roma?»). Era mesmo o que ela queria. Bolas, e escapou-lhe esta belíssima profissão de investigador pobre a ganhar setecentos euros por mês. Só olhamos para a ponta do iceberg. Eu fiquei dois anos à espera desta bolsa, trabalhei muitas vezes de graça, e aqui em Roma, apesar de não ser uma desgraçada, tenho de controlar bem o que gasto, tenho de andar sempre carregada, e o turismo chateia-me tanto que fico maçada só de pensar que tenho de passar no adro do Vaticano para ir trabalhar e às oito da matina ali estão os fotógrafos de serviço, as excursões do costume, e os acotovelamentos necessários para conseguir passar sem arranhões. Estou certa de que muita gente ficaria farta nos primeiros dias para o resto da vida…e o trabalho? É interessante, mas fica-se pela leitura e resumo de textos. A isso convencionou chamar-se «investigação». Mas a máxima investigação que existe consiste em ir ao dicionário procurar palavras. Quando há dúvidas na leitura, paciência, estou sozinha. Trabalhar sozinho também tem as suas vantagens, que é desenvolvermos a capacidade de sobrevivência, o célebre desenrascanço.&lt;br /&gt;   Estou certa de que muita gente me arrancaria isto das mãos sem pestanejar nem que fosse para vir passear a Roma. Mas palavra que se arrependeria…passados uns dias estava a dizer que a cidade e o trabalho são igualmente «entediantes». O tédio é uma coisa que achamos sempre que desaparece, ou que pelo menos se dilui, se mudarmos do local onde vivemos, se mudarmos de trabalho, etc. Mas o tédio existe muitas vezes dentro de nós, outras vezes no facto de fazermos o que não gostamos o dia todo. Então cobiçamos, dizemos «era ali que eu devia estar». Acho que é humano. Eu também fazia isso quando via que alguém tinha conseguido um lugar para o qual eu tinha capacidades. É muito estranho como por vezes as pessoas ficam nos trabalhos que outrora achámos perfeitos, mas um dia chegamos à conclusão, quase absurda, que ainda bem que a nossa vida deu outras voltas.&lt;br /&gt;   Eu e a Paula estamos sempre a dizer isso. Nunca conseguimos dar aulas nem formação. Mas conseguimos fazer outras coisas de que gostamos mais. Foram descobertas do acaso, foram oportunidades que surgiram e eu acho sempre que tive sorte, e essa sorte aliada a capacidades dá algum resultado, que não sendo perfeito é alguma coisa.&lt;br /&gt;   Não sei explicar às pessoas que estas mudanças custam. Que chegar a casa e ela estar vazia custa, sobretudo quando se é casado. Que andar sempre carregado custa, ganha-se bolhas, varizes, dores horríveis nas costas. Que para comunicar para Portugal temos de entrar em sítios com Internet absolutamente medonhos que cheiram a chulé e mexer em teclados sebentos. Que o trabalho custa imenso a fazer, está sempre atrasado, é sempre para ontem. Que passar todos os dias várias vezes no Vaticano custa. Que a cidade é suja e cruel com as pessoas, incivilizada, grotesca, mal educada, que passados dias achamos isto um horror, um pesadelo e ninguém faz esforço para entender um estrangeiro excepto outro estrangeiro. E…que deixamos em casa situações muito complicadas, sem resolução à vista, que por um lado preferiríamos vir mas por outro não, queríamos estar perto do nosso amor a dar-lhe apoio. Nada disto é explicável, sobretudo para quem pensa que vimos aqui dar uma de grandes investigadores e viajantes dos quatro cantos do mundo. A quem cobiça isto, eu ofereceria de mão beijada um bocadinho do pior que Roma e este trabalho têm, sobretudo o compromisso de fazermos um trabalho de jeito quando é mesmo impossível…&lt;br /&gt;   Não quero pintar o cenário de negro, só de verdade, ou da verdade que eu vejo, porque sou eu que viajo e sou eu que faço este trabalho, não os outros que falam dele. Eu sei que nem todos temos as mesmas chances de viajar e que muitos gostávamos imenso de fazer isso – outros não gostam mesmo e assumem, como a Paula, que é muito sincera. Não nos acomodarmos ao que temos é um bom princípio para a mudança estrutural. Mas por vezes as melhores opções são mesmo as mais simples, as que estão ao nosso alcance. Como diz a minha amiga Estela, sempre que olha em volta percebe que vive no paraíso…acho que é isso. Muitas vezes acho que me entregaram em mãos uma empresa de grande valor e eu não tenho capacidades para ela. Mas outras vezes sei que se isto aconteceu no meu caminho é porque tinha de ser, é porque tenho algo a aprender. Por isso vou tentar aprender nos próximos quarenta dias em Roma.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1893704130895222485?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1893704130895222485/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1893704130895222485' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1893704130895222485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1893704130895222485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/11/inveja-caros-amigos-queria-dizer-todos.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-8608120813194721321</id><published>2007-10-15T13:41:00.000-07:00</published><updated>2007-10-15T13:42:27.405-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;   As revistas cor-de-rosa vs. Vida real&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Amigos, vou-vos contar um dos meus hobbies favoritos, meu e da Elisabete. Ver revistas cor-de-rosa. Aquilo é so glamour, perfume, sensualidade, famílias perfeitas, casamentos perfeitos, divórcios perfeitos. Todavia, há a outra parte. Quando a TvGuia e outras tantas revistas exploram a raiva, o ódio, a ofensa, a torpeza humana. E vêm pais enxovalhar filhos e filhos enxovalhar pais. E irmãos, como Carolina e Ana Salgado que «não se perdoam». E a «Floribella» (Luciana Abreu) desmentir que disse mal do pai ou foi abusado em pequena. E os casais a declararem casamento, divórcio, custódias legais e ilegais, pessoas desavindas e outras coisas mais.&lt;br /&gt;   Gostamos disto porque não nos aproximaríamos disto nem que tentássemos. Temos vidas monótonas: trabalho-casa-casa-trabalho. Temos filhos muito giros mas iguais a outras crianças giras, que para nós são especiais porque são nossos filhos. Não temos todos os dias coisas para contar. Exceptuando algumas pessoas. Eu, por exemplo. Não me posso considerar assim tão turbulenta em amores como uma Elsa Raposo, tão frustrada da vida como o Zé Maria do Big Brother, nem tive um casamento com pompa e circunstância que devesse ser anunciado numa revista destas. No entanto, entre a minha vida e essas das revistas há tantas similaridades que nem posso aqui falar de todas por questões pessoais. Sou daquelas pessoas a quem só falta um processo em cima, e é melhor não falar muito nisso ou apanho com um.&lt;br /&gt;   No outro dia lia numa revista qualquer acerca de uma rapariga que participa num programa: «é uma vadia». Este tipo de afirmações, assim num contexto que só aquela pessoa sabe, soa mal e porcamente. Parece mesmo cheirar a esturro. Então uma pessoa aproveita uma revista para dizer uma coisa dessas?&lt;br /&gt;   Eu pensava que esse tipo de linguagem telenovelesco não fosse próprio de uma vida tão recatada como a minha. Não vou dizer uma vida fácil ou linear. Mas palavras como «cagalhão», «puta», o diz-que-disse-que-disseste-que-dizias pensei que nem tivessem espaço para existirem na minha vida. Não por ser «boa pessoa» - eu isso não sei se sou (mas o Paulinho Mongo e a Diana dizem que sim e eu acredito neles, ok?) – mas por ser recatada, nada show-off, nada borderliner, nada «I will survive» (grito de sobrevivência da Gladys Night).&lt;br /&gt;   Sou discreta. Tento passar ao de leve, oiço tudo mas não sou de responder e só enfrento em último caso. Não sou nada de saltar do cavalo para atacar touros, mas desta vez parece que sim e se calhar a minha vida é isso, agora entendo melhor o Salgueiro (não sei se é bom exemplo, afinal ele ficou inconsciente…). Sinto-me com o mesmo desamparo que sentia quando largava a mão da minha mãe na escola e ficava entregue aos miúdos, numa barafunda e num caos que não era a minha maneira de estar na vida. Aquilo não era eu. Eu queria era brincar com bonecas, ler livros, pintar. Mais tarde passei a gostar de filosofia, por exemplo. Tudo coisas calmas. Nada de fugir dos meus pais, mentir, chegar tarde a casa. Dava sempre o telefone das minhas amigas, que também gostavam dos meus pais. Nada de «toma lá na cara porque me provocaste». Agora, pateta nunca fui, nem parva, nem mansinha. Era calma, pelo menos não exteriorizava raiva – porque tinha alguma – muito selecta nas minhas relações e muito pouco ligada à opinião do próximo. Quem me dera ser tão inteligente como era nessa altura.&lt;br /&gt;   Por essa altura eu tinha uma amiga chamada Leonor, que era o meu oposto (não sei se ainda é): caótica. Um dia mostrou-me os cortes que tinha nas pernas e nos braços e eu não via razão para aquilo. Era uma turbulência interior, acho eu. Ainda hoje ela me inquieta, porque éramos diferentes na expressão exterior do mundo, mas ambas tínhamos um interior desinquieto, turbulento, avassalador.&lt;br /&gt;   Houve um tempo na minha vida em que fui esperta o suficiente para saber que se me suicidasse nunca ia chegar onde eu queria: ser escritora. E portanto, tal como Janet Frame, não morri graças à escrita. Porque nunca fui pessoa de cinzentos, e se tentasse a morte morreria certamente. Mas depois pensei numa coisa muito parva, muito fútil: o meu irmão sem mim ficaria mais egoísta e os presentes de Natal eram só para ele. As amêndoas da Páscoa eram só para a minha mãe. E o pessoal, mal ou bem, nunca mais se endireitaria sem mim. Mais tarde até fui precisa, por isso raciocinei bem na altura. Além disso, nunca gostei de sofrer e portanto calculava que, numa ínfima hipótese de sobreviver, ficaria vários dias numa cama de hospital e teria de ir a um psiquiatra. Por último, gostava de viver e, na minha ignorância, vencia pelo menos uma batalha: era a melhor aluna da turma e uma pessoa inteligente. Os meus professores gostavam de mim. Continuei.&lt;br /&gt;   Cheguei aos dias de hoje com a sensação de vitória. Sobrevivi e até vi morrer as pessoas que nessa altura me fizeram estar viva: a minha mãe, o meu avô. É uma vitória com alguns amargos na boca, alguns desamparos e desequilíbrios. Não acho nada raro as pessoas pensarem em suicídio. Acho é que as pessoas não confessam isso a si mesmas, quanto mais aos outros. Acho outra coisa: é preciso ser-se inteligente para se pensar em suicídio e, em certa medida, lúcido. É como a miopia: excesso de visão desfoca. Por vezes há problemas cuja lucidez acerca deles seria dispensável, e isso desfoca, faz-nos pensar «que tolice viver!».&lt;br /&gt;   Quando penso no meu passado, penso em quanto o meu presente se assemelha a ele, e também a forma como fui «preparada» para esta vida um tanto ou quanto insólita, nada monótona, toda revisteira e rosa-quase-choque (não fossem as cores cinzentonas de quem a amargura tanto…). Na altura, quando era adolescente, eu lia muito Platão, gostava muito da Caverna, aplicava aquilo a sangue-frio à minha vida, à vida de quem me rodeava. E ainda faz sentido, mas tanto sentido que até dói na alma. É a velha história: a literatura é reflexo da realidade ou a realidade é reflexo da literatura? No meu caso, eu já não sabia bem e ainda hoje as confundo, ao ponto de um livro me saber a pouco porque «aquilo» que ali estava, escrito não por mim mas por outro ou outra qualquer, aquilo é que era eu.&lt;br /&gt;   As entrevistas das revistas são das coisas mais parvas que podemos ler. Destacam palavras soltas das pessoas, retiradas de perguntas tolas. Como disse um dia a Rita Ferro Rodrigues (de quem não gosto muito), não vale a pena tentar ser inteligente numa entrevista, sai sempre borrada. E é mesmo. O Lobo Antunes parece-me ser o melhor/o pior nas entrevistas, não só ludibria os jornalistas, respondendo exactamente o contrário do que esperam dele, como subverte todas as regras do «vamos ver se transmito a grande pessoa que sou, o grande carácter que tenho, a minha família fabulosa». Ele está-se a cagar para tudo isso. E é maravilhoso por isso mesmo. O Lobo Antunes é a antítese da revista cor-de-rosinha-choque. Nessas revistas, as famílias são perfeitas, os filhos só dizem coisas inteligentes aos pais, até as casas são imaculadas. Quem acredita naquilo? Eu não. Mas acho piada.&lt;br /&gt;   Depois há a outra linha mais baixa das revistas cor-de-rosa, as tais que expõem tudo e mais alguma coisa de qualquer maneira. Eu vivo nessas. Há sempre alguém a dizer muito mal de mim, pela frente, por detrás, pelo lado, por mail, por telefone, por conversa. Não tenho as orelhas lá muito fresquinhas. Com a vida, tive de tomar uma decisão competente e sábia que já há muito deveria ter tomado: paciência! Ninguém é obrigado a gostar, a aceitar, a achar que sou inteligente e digo coisas bem pensadas ou com graça. Todavia, eu também não sou obrigada a aceitar as piadas dos outros que considero estúpidas só porque outros as acham «engraçadas».&lt;br /&gt;   A maior parte de nós é vítima de intrigas. Basta que se exponha a isso. Estou a tentar resguardar-me o mais possível, mas por vezes, tantas vezes, eis-me ali nas revistas cor-de-rosa. Por vezes somos discretos e apanhamos na mesma, é azar, mas acontece. A vida não é muito previsível nesse aspecto. Há pessoas cuja vida é feita de conflitos, mas há pessoas que, mesmo fugindo dos conflitos eles vêm ter com elas. Eu tenho dos dois. Sou imensas vezes centro de conflitos (nem sequer sou um dos lados…). Isso deve ter uma explicação, mas aquela que arranjo é esta: dou demasiada confiança a pessoas cuja estranheza me espanta. Se me espanta, é melhor não dizer nada. Quando eu assimilar posso falar, enquanto houver essa barreira é de desconfiar.&lt;br /&gt;   Nas revistas circula o maior número de mentiras à face da terra. Aliás, nunca se sabe o que é ou não verdade. Lembro-me de a Priscilla Presley ter contado no programa da Oprah que quando lhe disseram que a filha, Lisa Presley, se tinha casado com Michael Jackson se tinha rido às gargalhadas. Estava habituada a tantos boatos que não ligou àquele…que era mesmo verdade. Isto prova que um boato pode ser tão verdadeiro como uma verdade assumida pode ser falsa. É nessa incerteza que permanecemos, a olhar para as sombras da Caverna de Platão. Que remédio!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-8608120813194721321?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/8608120813194721321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=8608120813194721321' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8608120813194721321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8608120813194721321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/as-revistas-cor-de-rosa-vs.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-6269232973198020984</id><published>2007-10-15T13:39:00.000-07:00</published><updated>2007-10-15T13:41:38.848-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estupidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A estupidez é humana. Completamente humana. Nenhum animal é tão parvo, tão tolo, tão estúpido, tão doente mental e tem ideias tão patéticas quando o homem. O homem deixa muito a desejar na evolução da espécie. A prova disso é a televisão. Parece que regredimos completamente. Já tivemos programas de entretenimento inteligentes, mas já não nos lembramos de nenhum. Hoje em dia temos quatro canais a dar porcaria às horas de maior audiência num Domingo (um dia já por si tão depressivo). Não fosse o Gato Fedorento na RTP1 e íamos todos alugar filmes ao clube de vídeo, ou ler ou fazer as tarefas de casa. O Domingo é uma pasmaceira. É o dia da semana em que mais apetece tomar anti-depressivos porque no dia a seguir é Segunda-feira. Depois passa.&lt;br /&gt;   A Sic ontem estava a apostar numa espécie de gala das Famílias Superstar. O que são famílias superstar? Ninguém sabe bem, nem as próprias famílias, nem a Bárbara Guimarães e muito menos o Tozé Brito, a Clara de Sousa ou os Anjos. A Fátima Lopes diz que a ela ninguém lhe põe moeda para chorar, mas naqueles Anjos tenho impressão que alguém põe uma moedinha. Ou isso ou são surdos que nem uma porta, ou então…choram de tristeza (a Paris Hilton ambém chora copiosamente quando ouve os próprios discos, mas percebe-se a razão). Ontem percebi a vontade de chorar, naquele programa e em tantos outros. Não há paciência…um a cantar mal é mau, mas uma família inteira é demais. Basta. O Tozé Brito tem uma carreira espantosa, sobretudo como produtor de música, mas ouve vozes de cana-rachada e bagaço e diz «tens futuro» certamente com a mesma convicção que o terá dito à Ágata, na altura Fernanda, quando ela cantava a Abelha Maia com pronúncia lisboeta e dizia «abalha» que ela tinha futuro. Ágata teve efectivamente futuro, mas voz para cantar, isso nunca teve. Gosto para vestir nunca ganhou e o bom gosto em atitudes faltou-lhe sempre. O Tozé Brito só teve culpa no que diz respeito à voz dela. O resto é culpa da própria.&lt;br /&gt;   A Clara de Sousa não sei o que percebe que música, mas tem tacto, postura. Mente um bocadinho, certo? Uma jornalista não pode ser surda. Dizer «és boa pessoa» é uma coisa, dizer «sabes cantar» é outra. Os Anjos está visto que além de não saberem cantar não sabem ouvir (pois, tem tudo a ver). Mas têm justificação. Desde pequenos que cantam para a avó deles e a avó deles, como todas as avós, devia ser surda, senão nunca lhes teria dito «são uns anjinhos!». Eu mandava-os ir jogar ao berlinde, à bola, cantar não. Muito menos todos de branco. Mania…a Ágata, Roberto Leal, Anjos. Bom, o branco é luto, por isso é que o Raul Ouro Negro o vestia. Assim faz sentido. Estão todos de luto pela própria voz.&lt;br /&gt;   Ontem a célebre gala apostou em juntar vozes conhecidas da mesma família. Eu sou franca. Não é porque a mãe ou o pai cantam que os filhos cantam. Está bem que há casos assim, como a Liza Minneli, a Judy Garland (a mãe) dava-lhe uns toques; como a Natalie Cole, filha do Nat King Cole, a Maria Rita, filha da Elis Regina. Mas são casos raros. E as vozes não são a mesma coisa. Agora não me venham com histórias…nem sempre filho de peixe sabe nadar e vice-versa. Quem disse que pelo facto de haver crianças cantoras os pais são tenores? Espero que a Floribella nunca convide os pais para cantar com ela.&lt;br /&gt;   Todavia, ontem a Sic fez o mais improvável dos improváveis: colocou lado a lado as irmãs Adelaide e Mila Ferreira, o Roberto Leal e a filha (cujo primeiro nome não me lembro e o último também não, mas não é Leal). No primeiro caso deu-se o desastre esperado. A Adelaide Ferreira é fantástica: quem a ultrapassa? Tem um poder vocal raro – ontem exagerou, gritou um bocado. Não foi amiga da irmã. Cantar lado a lado com uma advogada palhaça não é desafiante. A pobre Mila queixava-se «nem me ouvia ao microfone, os directos são assim, também não interessa». Completamente humilhada e sufocada pelo talento da irmã cantora. Na realidade, ninguém a ouviu. Nem ela própria. Mas toda a gente sabe que ela tentou, anos a fio, entrar para a televisão e ser cantora, mas que graças a Ediberto Lima isso não passou de um sonho (único mérito do senhor, que com cara de trolha das obras, somou e andou com o Big Show Sic). Mila gritava de tal forma na televisão que ninguém podia com ela. Tem postura de vencida da vida. A Adelaide é o contrário. Venceu há muito tempo, também pela mão do Tozé Brito, a quem agradeceu. Mas o mérito foi sempre dela. Pelo menos não se veste como a Ágata, evoluiu no visual.&lt;br /&gt;   Quanto ao Roberto Leal…a filha tem melhor voz. É capaz de não ser um grande elogio, visto que a filha não é cantora. Ao menos é afinada. Ele é insonoro e sensaborão como sempre foi na vida. Dantes copiava o «rei» Roberto Carlos, agora nem deve valer a pena, porque Roberto Carlos já se perdeu há muito. O Roberto Leal nasceu perdido. Não tem jeito para cantar, nem vestir, nem pintar o cabelo (já usou cores piores, agora anda na onda do Herman), e, sinceramente, devia aprender português. Está aqui há tanto tempo que faz pena ainda cantar em brazucunhês ou portugaleiro. Aprenda uma das duas: português ou brasileiro. E pare com aquela merda do «no Brasil sou português e em Portugal sou brasileiro», já não pega ele achar-se o «rostinho» da Lusofonia, que nunca existiu.&lt;br /&gt;   Só mais uma coisa…porque é que vestem a Bárbara Guimarães como se fosse a Jessica Rabbitt, a dizer as mesmas coisas que a miss Universo? Ao dizer «Mila, cantaste muito bem que eu ouvi e o Tozé Brito também acha» está a gozar com quem?&lt;br /&gt;   TVI. Um gajo tem de ver alguma coisa. Desculpem. Não sei o que é aquilo. É sobre casamentos, tipo Big Brother, dá todos os dias, mas também tem uma gala, com padrinhos e sogras famosos. Não percebi. Mais vale não perceber. Ali está a Júlia Pinheiro, cuja brilhante carreira terminou onde começou: na Noite da Má Língua. A Júlia Pinheiro pode ter uma voz de fugir, mas parece-me uma pessoa inteligente. Algures na vida deve ter percebido a fórmula certa de ganhar dinheiro: adular os tolos. Faz pena. Mas que haveria ela de fazer? Ser jornalista? Não. Rodeou-se daquelas figurinhas tipo Nuno Eiró (Serginho, Cláudio e Daniel Nascimento fazem parte do mesmo grupo de bichas tontinhas que acham que não são bichas e fingem que são heterossexuais, amando mulheres como quem gosta de flores para enfeitar jarros) e outros tantos que até são jornalistas mas não têm emprego. Júlia é destemida. Com a idade que tem vestem-na como se fosse uma garota de programa e ela goza consigo mesma. Ontem estava vestida como uma velha gaiteira, não lhe caía nada bem aquele preto todo e os cabelos em pé. Faltava uma bolsa em forma de caixão (eu e a Patrícia vimos um gótico assim em Picoas) ou uma vassoura. Medonha. Bastava a voz para assustar, não?&lt;br /&gt;   O programa não tem comentário possível, mas vai buscar aquelas frases feitas sobre casamento que quem se casa acha sempre uma verdadeira comédia negra, nomeadamente «o amor vence tudo». Veja-se esta cena de ontem na gala. Júlia dá o mote que as regras foram desrespeitadas e que agradecia que quem as tivesse desrespeitado avançasse um passo. Dois homens feitos e barbados avançam e todos batem palmas (eu e o Pedro íamos vomitando, foi por pouco) e as respectivas amadas ficam orgulhosas. O que raio tinham feito os moços? Tinham enviado mensagens de amor à socapa. Agora eu pergunto: há câmeras em todo o lado, certo? Repito. Há câmeras em todo o lado, certo? Pois. Era desnecessário. Se foram filmados, não valia a pena mandarem «mensagens escondidas». O meu avô e a minha avó, que namoraram à socapa dos pais, sob duras proibições, iam achar isto uma ofensa.&lt;br /&gt;   Justificação de um dos rapazes «saudades» e a Júlia-Bruxa-Má «e as regras?». O segundo «disse à minha noiva que iria sempre dizer-lhe que a amava, estivesse onde estivesse». Mas o gajo foi para a guerra combater? Como é que há homens que gostam tanto de ser tratados como meninos? E mulheres a comportarem-se como meninas? Nunca vi. Ali há choro todos os dias. Alguém morreu? É uma constante frustração com a vida que ninguém percebe. As pessoas fecham-se numa casa porque querem, a ganhar uma verba diária, por isso é um concurso, um jogo, um programa. Quantas pessoas deste mundo vivem fechadas numa casa sem ganhar um tostão? Meu Deus…que se passou com aquela gente?&lt;br /&gt;   Ontem salvou-se o Gato Fedorento, aliás como sempre. Vi das coisas mais hilariantes da minha vida, que nunca tinha visto, que nunca esperei. Um dos Tesouros Deprimentes da década. O toureiro João Salgueiro, com vinte anos de carreira tauromáquica (esta profissão estará registada? Haverá fundo de desemprego e seguros para quem leva cornadas?), resolveu fazer das suas. O malandro desafiou um touro de 602 Kg porque, e cito o próprio toureiro «chateei-me com o touro, ele marrou no meu cavalo várias vezes, fiz aquilo num gesto de coragem, não foi programado». Em primeiro lugar, damos todos graças de não ter sido programado…olha se fosse! Em segundo, vamos a votos. O touro foi provocado muito antes, certo? É sempre assim. Chama-se «tourada», significa que ou o touro marra ou nada feito. E aquele até estava manso na arena até se irritar a sério. O cavalo não tinha a culpa, e Salgueiro até devia ter descido do cavalo antes, a ver se apanhava directamente com o touro. Porque será que nunca tenho pena dos toureiros e acho sempre que apanham pouco e tarde demais? Acto de coragem? Que brincadeira é essa? Burrice não é coragem. É burrice.&lt;br /&gt;   Os fundamentos tauromáquicos (?) são, no mínimo, constrangedores. Em primeiro lugar, só se luta de igual para igual. Por exemplo no boxe há categorias pelo peso das pessoas, pelo sexo. Olha porem-me a lutar com um gajo de 80 Kg? Portanto, a luta homem-touro é desigual. Como é que o homem resolve isto? Pica o touro, dopa o touro, confunde-o, cerra-lhe os cornos. Porra, não. O homem é que devia engordar até aos 600 kg, ganhar força e depois sim, touro dos bons, cornos bicudos, beiços peganhentos, força no homem. Lembram-se das arenas romanas? Os homens lutavam com os leões, mas tinham músculo, preparavam-se para isso. Não se vestiam à tolinhos, em cima do cavalo (a ver se o cavalo é colhido primeiro, excepto no caso do «corajoso» Salgueiro, que desce do cavalo para o proteger!), com umas varas pontiagudas cheias de fitas (tipo Fernanda da Muleta). Finalmente dão umas «estocadas» (termo técnico para um nortenho designar «quecas»).&lt;br /&gt;   Acabo de me lembrar de algo que me daria um desgosto enorme. Um filho chegar-se a mim e dizer «mãe, quero ser toureiro!». Bolas, que pensamento mau.&lt;br /&gt;   Os tipos do Gato Fedorento ainda disseram outra coisa estupenda: quem se veste daquela maneira parva que os toureiros se vestem? Resposta: a Vivianne Westwood depois de meter alguma cocaína nas veias. Tenho de ler sobre touradas. Nunca percebi nenhuma. Calculo que faça parte da estupidez humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-6269232973198020984?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/6269232973198020984/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=6269232973198020984' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6269232973198020984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6269232973198020984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/estupidez-estupidez-humana.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-6447435657580803984</id><published>2007-10-14T15:08:00.000-07:00</published><updated>2007-10-14T15:09:31.294-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tiros no Escuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Em todos os filmes de terror e de acção que vi na vida, as personagens mais estúpidas – normalmente destinadas a morrer sem grandes dramas – são aquelas que dão tiros no escuro. Dar tiros no escuro é, antes de mais, gastar balas que poderiam vir a ser úteis numa outra ocasião e também correr o risco de acertar algures, nenhures ou…num amigo, num familiar. Por isso, dar tiros no escuro é das coisas mais estúpidas que se pode fazer.&lt;br /&gt;   Corremos todos esse risco, essencialmente porque, na vida, queremos sempre ter razão. Mas às vezes ter razão implica descobrir coisas chatas nas quais acreditámos toda a vida e que, no presente, deixam de fazer sentido. É sermos rendidos pelas evidências. Quando percebemos alguma coisa acerca de alguém, queremos provar à força a nossa tese de que, se essa pessoa se dá mal connosco, só pode dar-se mal com o mundo. E não é verdade. Conheço uma boa mão cheia de pessoas que não têm empatia comigo mas têm com outras pessoas, ou vice-versa, pessoas aparentemente difíceis que comigo se dão bem. A vida não é preto no branco. Aquilo que para mim é estúpido e inaceitável, parece ser bastante razoável para outras pessoas. E há coisas que me parecem bem estranhas…&lt;br /&gt;   Durante uns tempos gastei as minhas forças, quase obsessivamente, a denegrir mentalmente uma pessoa que me perturbava. Mais tarde voltei a conectar-me negativamente (utilizo a expressão da Diana) com outras pessoas ainda piores ou um pouco melhores. Porque fico eu agarrada ao que nada tem a ver comigo? Tenho uma certa obsessão pela verdade mas também pela extirpação do mal, do errado. A minha figura favorita é o Arcanjo S. Miguel, que derrota o demónio. Todavia tenho também uma perspectiva positiva acerca do «mal» (chamemos-lhe assim): juntá-lo a mais mal. Parece estúpido e destila veneno, mas se juntarmos más pessoas com más pessoas e as metermos no canto delas, não há hipótese de sairmos lesados (só temos é de fugir).&lt;br /&gt;   Há uns anos vi uma comédia um bocado amarga com a Roseanne Barr antes da sua dieta. A personagem dela era a de uma mulher que faz tudo pelo marido e pelos filhos mas, traída pelos dissabores da vida, o marido larga-a por uma mulher muito mais nova, bonita, rica e fútil. Ela jura vingança e começa o seu plano diabólico que visa retirar ao marido tudo o que é importante para ele: carreira, casamento, dinheiro, filhos (as prioridades são mesmo estas). Com o apoio estratégico de uma série de colegas e amigas, ela consegue colocar o caos na vida do ex-marido ao ponto de ele ser preso. Para além disso, perdoa-lhe mas não o aceita de volta.&lt;br /&gt;   Era bom que por vezes arranjássemos planos e estratégias deste tipo, tendo em vista a desconstrução e a reconstrução das nossas vidas, mas nem sempre mandar ao fundo os outros é uma glória. Acho que o sofrimento dos outros só agrada aos sádicos, daí serem sádicos. Não tenho muita pena do sofrimento que as pessoas infligem a elas mesmas, muitas vezes é uma escolha para se fazerem de «coitadinhas», andarem a penar, fazerem dos outros gato sapato. Enquanto isso vemos pessoas corajosas que são de facto doentes mas fazem tudo para se manterem de pé. A verdade é que o mundo nem sempre é justo e temos sempre de descobrir isso por nós próprios, pior ainda, aceitar esse facto como consumado. Aliás, aceitamos bem a injustiça desde que não seja connosco, regra geral.&lt;br /&gt;   Voltemos aos tiros no escuro. Ocorre-me sempre aqueles casos (tipicamente americanos), de pessoas que ouvem barulhos à noite, descem as escadas e, sem querer mas porque possuem uma arma comprada no WallMarket (escreve-se assim?) por meia dúzia de dólares matam a mulher, o filho, o cão. Se partissem o enxoval da sogra (provavelmente feio como todos os enxovais oferecidos por sogras abonadas) não era grave, mas matar alguém é. Para além da culpa, que faz parte dos sentimentos do ser humano, que toda a vida acompanha um pai que faz mal ao filho, ou um marido que faz mal à mulher (ou vice-versa, porque as mulheres também pegam em armas), há a injustiça, o impulso. Porque será que achamos que disparar em todas as direcções nos dá poder? No fundo, queríamos matar um ladrão, mas ele não existia, era fictício, acertámos numa pessoa. Por isso, a vida funciona assim: queremos vezes demais «matar» pessoas quando estamos, afinal, a fazer a caça às bruxas de que falei, queremos à força manter a ordem pelas nossas próprias mãos.&lt;br /&gt;   O autor Arno Gruen explica estes processos de uma forma magnânime nas suas obras, explicando todo o comportamento humano através dos processos de cisão interior. Significa que muitas vezes estamos a lutar contra um fantasma ou então uma presença interior, intrínseca a nós próprios e não exterior. A forma basilar das relações humanas é esta: não podemos mudar os outros, mudamo-nos a nós, o que não significa submetermo-nos aos outros, mas sim aceitar que não os podemos mudar. Evidentemente que é complexo e a explicação certinha só um médico psiquiatra (dos bons) pode dar.&lt;br /&gt;   Se há coisa que sei sobre mim é esta: sou muito honesta. Se tenho problemas e não sou capaz de os ultrapassar, digo que tenho problemas e não sou capaz de os ultrapassar sozinha. Então peço ajuda. Acho que tenho feito o erro supracitado, tenho sido uma parvalhona a tentar mudar o exterior, mas afinal, porque ainda sou jovem ou porque sou inteligente, sou eu que tenho mudado e acho que para melhor. Os problemas não servem só para estragar a vida. Como diria a minha mãe, a cabeça não serve só para ter cabelo e fazer penteados bonitos, serve para pensar. Quando ela me dizia isto, eu sabia que tinha feito o erro maior: pensar pela cabeça dos outros ou esperar que os outros me resolvessem um problema. Na realidade, somos nós que temos de chegar lá. Vemos bem isso quando damos aulas. Há sempre alunos a quem não conseguimos ensinar nada, mas há alguns que percebem que fazer penteados bonitos não chega (são poucos, eu sei).&lt;br /&gt;   Dantes eu precisava ainda mais das pessoas. Quer dizer, continuo a falar que nem uma desgraçada, a rir-me enquanto conto infelicidades, mas não preciso que me digam que sou capaz. Cai sempre bem – não se inibam de o dizer. É evidente que, como acredito muito nos meus amigos, gosto que o Paulinho Mongo me diga que eu sou «boa rapariga e boa mulher». São coisas muito boas de se ouvir e ele é credível (apesar de perder tudo em todo o lado…). É bom ouvirmos coisas da boca de pessoas a quem atribuímos credibilidade. Que eu saiba ninguém consulta pessoas cuja credibilidade é duvidosa, e se alguém o faz é por ignorância. Geralmente vou a médicos recomendados por outras pessoas que tenham sido bem tratadas por eles. Tem lógica. Todavia, há imensa gente que acha a sua opinião válida mesmo sabendo que a sua credibilidade é zero. E é dessas que ouvimos mais opiniões, geralmente insensatas. São os tiros no escuro. É desses que temos de nos desviar. Lembra a biografia da Sade, que chumbou em todos os exames vocais, mas que tem uma voz belíssima. Terá ouvido opiniões sensatas e insensatas e teve de chegar às suas próprias conclusões sozinha. É como tudo na vida.&lt;br /&gt;   A Faculdade de Letras não tem aquilo a que podemos chamar «avaliações objectivas». Escrever e interpretar tem a sua parte científica, mas a nota é dada por quem lê, gosta, aprecia (ou não), escrutina e ajuiza. Ouvimos dizer tão mal do nosso trabalho, chumbamos numas cadeiras porque não sabemos escrever e passamos noutras porque escrevemos bem. Afinal, onde está a verdade? Temos sempre de discernir o professor que dá uma opinião sensata e construtiva daquele que dá tiros no escuro. Nenhum de nós pára de aprender nunca. Tudo é uma experiência constante de aprendizagem e de domínio de instrumentos de saber. Quem somos e o que sabemos para além da opinião das outras pessoas? Essa é a grande prova de fé em nós próprios.&lt;br /&gt;   Eu acho que sei escrever. Mas acho por mim, não acho só pelos outros, e não me sinto enganada. Já me li e gostei. Quando escrevo não me sinto o Zé Cabra-que-acha-que-é-cantor, nem o Emanuel e o Quim Barreiros, que cantam para ganhar uns trocos (mas têm carros de luxo e casas com piscina). Quem sou eu para os criticar? Mas na verdade também não me sinto uma Margueritte Duras ou uma Simone de Beauvoir. Escrevo por diversão mas também porque acho que sei escrever. E acerca da escrita só oiço quem me interessa e não quem manda tiros no escuro. As regras que aplico à minha escrita deveria eu aplicá-las à minha vida, mas nem sempre o consigo com suficiente discernimento. Como diz a Patrícia, por vezes a minha escrita transcende a minha vida, ganha força e balanço e vai mais à frente. É estranho, mas ela tem razão. Não é pessoa de dar tiros no escuro.&lt;br /&gt;   Quando somos pessoas inseguras temos duas soluções: ou criamos uma barreira de segurança (que nos permita fazer a destrinça entre as «opiniões a serem ouvidas» e as «opiniões a serem rejeitadas»), uma espécie de «delete» do lixo que ouvimos (e muitas vezes não somos obrigados a ouvir); ou então solucionamos a coisa de uma forma um bocado triste, mas talvez a mais usual, que é engolir e acreditar no que nos dizem e julgar o mundo por esse prisma. Nesse caso, qual a diferença entre uma pessoa assim e uma marioneta? Nenhuma. Curiosamente este é o caminho mais fácil e também o mais seguido pelas pessoas. É muito fácil sermos manipulados e há pessoas que gostam disso, não têm qualquer problema com uma suposta falta de liberdade constituída por não raciocinarem pela própria cabeça (afinal, dá muito mais trabalho fazê-lo).&lt;br /&gt;   Todos temos um caminho a percorrer. Creio que o caminho da destrinça entre o que interessa e o que não interessa ouvir/considerar é mais difícil do que o outro, todavia, não sei, porque a falta de autonomia também traz amargos na boca, faz estragos na vida e, em retrospectiva, a diferença entre alguém assim e uma planta é que uma pessoa assim não faz a fotossíntese. Há pessoas para quem o engano é a salvação. Se descobrissem a verdade, morriam de desgosto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-6447435657580803984?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/6447435657580803984/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=6447435657580803984' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6447435657580803984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6447435657580803984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/tiros-no-escuro-em-todos-os-filmes-de.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-458310360128373862</id><published>2007-10-14T15:07:00.000-07:00</published><updated>2007-10-14T15:08:43.898-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simplicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Só há uma maneira de encontrarmos simplicidade: nas crianças. Os bebés são despreconceituosos ao máximo e também nos ensinam a ser pessoas simples. O Serginho, meu sobrinho, não se inibe de dar traques enquanto come pedaços de pêra ou de maçã, sentado junto aos tios. Os bebés podem fazer quase tudo, são reis e senhores de um universo muito pequeno, porque estão em formação, não têm propriamente uma filosofia de vida que não seja a principal do ser humano: sobreviver. Um bebé gosta de botões como nós gostamos de filmes, mas a razão desse gosto é simples: cor e forma, depois o toque. Por isso eles adoram telemóveis. Aí vem o som. Um bebé gosta de explorar pés, mãos e a boca das outras pessoas. A Beatriz, sobrinha da Paula, coloca as mãos na minha boca com a mesma destreza com que as coloca num urso de peluche – e sem pedir autorização. Um bebé não diz «deixa-me ver a tua boca, posso?». Um bebé não é dentista, é um explorador. Uma boca tem tanta graça como uma tomada na parede, um brinquedo ou um medicamento. Não há a noção de causalidade implícita, do género, «se tomar isto sinto-me mal e posso morrer».&lt;br /&gt;   Um bebé vomita, caga, esperneia, grita em qualquer local e não vai para a casa a pensar «que figurinha fiz eu hoje! Coitados da mamã e do papá!».&lt;br /&gt;   Um adulto tem uma ganga de coisas difíceis em cima: a moral, antes de mais, a noção de comportamento socialmente aceite e/ou correcto, a noção de consequências, etc. Por isso, se um adulto faz sabe o que está a fazer, ou pelo menos podemos pressupor isso, a menos que haja doença mental grave.&lt;br /&gt;   Para nós, a simplicidade é das coisas mais difíceis de conseguir. Tudo passa a ser difícil a certa altura da vida. Essa altura pode ser aos dezoito anos, antes ou depois, pode até ser muito tarde. As coisas deixam de ser simples, ou porque temos de suportar os problemas e já não há quem os suporte por nós, ou porque temos dívidas, ou porque alguém está dependente de nós directamente. Sim, os problemas começam aí mesmo, quando alguém depende de nós.&lt;br /&gt;   Simplicidade e burrice são coisas diferentes, naturalmente. Aquilo que escrevi acerca dos bebés nem é simplicidade, é uma aprendizagem muito complexa da vida, que nós, adultos sempre cheios de ideias, achamos simples. Para nós, simplicidade é outra coisa. Acho que se prende com os intervalos do complicado. Quando uma coisa complicada tem um pequeno intervalo, às vezes conseguimos cheirar uma flor, dar um passeio, ter uma conversa agradável, enfim…recordar como é bom cheirar, tocar, lamber, sem haver pensamentos pelo meio. Ler um livro também me parece muito agradável, mas exige mais de nós. Nem sempre é simples. Mas o conhecimento, a filosofia, a pesquisa podem tornar-nos seres muito mais esclarecidos e felizes. Há aqui um colega na biblioteca que diz que descobriu a felicidade desde que se inscreveu num doutoramento e tem quase cinquenta anos.&lt;br /&gt;   Alguns dos meus alunos eram burros. Já crescidos, mas com uma incapacidade de abstracção medonha. Como seriam a matemática se eram incapazes de perceber que o Consílio dos Deuses, episódio mitológico de Os Lusíadas era apenas um enfeite do texto e não tinha acontecido mesmo? Aliás, todos os dias eu era surpreendida por perguntas deste calibre: os deuses decidiram mesmo a sorte dos portugueses? As pessoas falavam em verso no tempo de Camões? Não era melhor ele ter salvo a Dinamen em vez do livro? Assim perdeu uma namorada e fez com que a obra dele desse trabalho aos alunos. A melhor observação que tive, essa mais simples e muito menos burra, foi a de um aluno de que me lembro muito bem, volvidos tantos anos, que ficou chocado com o epitáfio escrito a Camões, que o designava como um «grande poeta» mas também como alguém que morrera na miséria. O meu aluno, chocado, saiu-se com esta «isso não é muito positivo, stôra. Se eu morrer prefiro que escrevam: «aqui jaz o Fábio, que curtiu bués e se divertiu à grande nesta vida!». Acho que, para além de simples, é honesto q.b.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-458310360128373862?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/458310360128373862/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=458310360128373862' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/458310360128373862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/458310360128373862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/simplicidade-s-h-uma-maneira-de.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1457460467514612761</id><published>2007-10-03T14:05:00.000-07:00</published><updated>2007-10-03T14:08:28.516-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um Anjo à Minha Mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Há muitos anos, não me lembro quantos, o Paulinho Mongo emprestou-me um dos filmes da minha vida, uma daquelas pérolas cinematográficas que não esquecemos nunca mais. Chamava-se «Um Anjo à Minha Mesa», filme de Jane Campion (1992), baseado na autobiografia da escritora neozelandeza Janet Frame. Fiquei estupefacta. Nunca tinha visto um filme que tanto apelasse à sensibilidade humana, ao mesmo tempo retratando os antípodas: a crueldade dos diagnósticos psiquiátricos feitos à toa, num tempo em que qualquer doença mental dava direito a uma lobotomia (ainda falam da Idade Média). Essa foi a história de Janet Frame, escritora premiada e prova viva de como a criação salva o mundo, recriando-o, sistematizando-o e pode salvar mesmo a própria vida (o prémio arrecadado pela autora aos 28 anos, com a obra Os Cárpatos do Nosso Jardim salvou-a da maldita lobotomia).&lt;br /&gt;   Jane caracteriza a personagem de Janet no filme de uma forma magistral: tímida, gorducha, esquisita, anti-social, todavia, brilhante, criativa. Portanto, uma pessoa sensível, pobre, com uma vida difícil, que não suporta olhares nem avaliações externas, por isso mesmo passa de professora primária a empregada de limpeza quando um dia está sob o olhar de um júri e…é incapaz de soltar um esgar que seja, fugindo da sala de aulas.&lt;br /&gt;   Este filme acompanhou a minha vida, sobretudo o meu ano de estágio (creio que o Paulo mo emprestou um ano antes, portanto em 1999), com todas as avaliações subjacentes. Senti-me sempre uma pessoa de sorte por ter nascido em 1977 (e não em 1924, como a autora), ter avós e pais a protegerem-me, algum dinheiro para viver nos arredores de uma cidade chamada Lisboa. Tive mais sorte na vida do que Janet Frame, mas muito menos talento do que ela. Achava que a minha vida tinha sido solitária até ver aquele filme e me aperceber do quão enganada estava. Ninguém no filme está do lado de Janet excepto o seu próprio talento criativo. Ali é tudo. Ali basta. O talento é o anjo à mesa de Janet, o seu anjo da guarda, sem ele ficava lobotomizada, desfigurada, desconhecida e passaria na história como mais uma ruiva gorducha que morreu louca num hospício.&lt;br /&gt;   Janet tem comportamentos auto-destrutivos que eu nunca me lembraria de ter: empanturra-se de chocolates, arranca os próprios dentes. A dor de se mutilar e odiar acompanha-a ao longo da vida e transforma-se em relações estéreis, timidez obsessiva. Se me tivesse lembrado deste filme antes de me casar com o Pedro, tê-lo-ia compreendido muito melhor como pessoa. Aqui se vê a importância do Paulinho Mongo na minha vida, em me emprestar filmes destes. Eu é que tenho memória curta. É o mal de muita gente.&lt;br /&gt;   Em parte também eu sou parecida com Janet Frame, como o Pedro. Em última instância, como diz o Pedro, somos parecidos um com o outro e por isso é que casámos. É o poder do amor e da criação que nos salva da loucura, e já não é da loucura do mundo, mas daquela que nos rodeia de perto. Se eu tivesse nascido em 1924 certamente já estaria lobotomizada com tanta sensibilidade exarcebada a comentários tristes. Diagnóstico da Janet: esquizofrenia. O meu: paranóia ou psicose paranóide. O que há de comum? Nem eu nem ela somos loucas, apenas sensíveis. Quando Janet sai do último hospital psiquiátrico, um dos médicos diz-lhe (a ela ou à irmã, não me lembro bem): “ Afinal não tem esquizofrenia, é apenas sensibilidade a mais “. Olha que bom… A mim dificilmente quem me chamou paranóide irá um dia chegar ao pé de mim e dizer «afinal enganei-me, és só sensível a coisas que eu não sou». Além disso, eu posso mesmo fingir que sou paranóide, ninguém me interna e é capaz de dar jeito no contexto presente.&lt;br /&gt;   Há muitas doenças mentais por diagnosticar e outras tantas diagnosticadas que as pessoas não tratam. Mas eu tenho-me lembrado daquele fulano dos Doze Contos Peregrinos do Gabriel Garcia Marquez que fica entalado num hospital psiquiátrico a dizer que quer telefonar e a quem diagnosticam também uma «psicose paranóide» (é cá dos meus), todavia aquilo tem um contexto que justifica essa obsessão, o tipo é normal mas acaba por enlouquecer com tantos dedos que o apontam como louco.&lt;br /&gt;   Que sorte eu viver em 2007! Se fosse há uns séculos atrás estava já na fogueira por causa de um boato maldoso e se fosse em 1924 tinha o mesmo fim da Janet Frame. Em 2007 ser louco é uma brincadeira…uma brincadeira de mau gosto. Uma paranóia é uma «psicose de delírio crónico, lúcido e sistemático dotado de uma lógica interna própria» (cito a wikipédia, não é grande fonte mas estava aqui à mão de semear). Diferentemente da esquizofrenia paranóide, não afecta as funções psíquicas externas (portanto eu devo ter a psicose, visto que aqui no trabalho ninguém dá conta de nada e até consigo dar aulas sem se notar). O delírio é amplo e pode estender-se tipo complô, ou como se diz hoje em dia de forma culta, uma «cabala» prejudicial ao sujeito. O sujeito (portanto eu) assume assim «atitudes de defesa e vingança inadequadas e graves, conduzindo a graves defeitos pessoais e sociais». Mais vocábulos fazem parte das definições desta doença, entre eles perseguição, ciúme e megalomania, de que eu obviamente sofro, veja-se o tamanho deste blogue e as suas pretensões dantescas.&lt;br /&gt;   Não posso expor no blogue os quês e os porquês todos de ter sido assim «classificada», nem me interessa. Só acho os termos tão subjectivos que só um psiquiatra saberá do que se está a falar ou…estaremos a falar de todos nós num ou noutro momento da vida, quando trabalhámos «naquele sítio» que não gostámos, com pessoas que nada nos diziam nem tinham conversas de jeito e pareciam olhar para nós de lado. De resto, só conheci uma paranóide na vida, a Primitiva, colega da Universidade que, sempre que se brincava com ela gritava «Não roubei o lugar a ninguém!», de olhos bem abertos e esbugalhados. Gosto especialmente da parte dos graves defeitos pessoais e sociais, que, a serem doença psiquiátrica, já não dependem de quem vê e aprecia ou de um odiozinho de estimação, são assim para toda a gente. Digamos, a típica pessoa agressiva e odiosa que se dá mal como tudo e com todos, que não aguenta um emprego mais de dois meses que está a andar à pancada e ser despedido e depois diz «é um complô contra mim!». Deve ser isto que eu tenho, mas é assintomático, ou então é uma espécie de histeria colectiva, os meus amigos sabem que sou assim e nunca me disseram nada com medo da vingança temerosa deste ser tenebroso. Aqui na Universidade o sr. João diz «bom dia, doutora» com medo de levar um tiro e claro que arranjo muitos conflitos com toda a gente, passo à frente nas filas, sigo as pessoas, atiro laranjas podres a vidros, faço telefonemas anónimos…&lt;br /&gt;   Provar a minha suposta normalidade seria tão inútil como a Janet Frame provar que não era esquizofrénica nem precisava de choques eléctricos. Fizeram-lhe à mesma o diagnóstico e condenaram-na a duras provações que só lhe aguçaram a escrita. Quem dera que eu seja assim tão rija e que a minha escrita me transcenda. De tudo o que já me aconteceu na vida, só concluo que tenho mais ainda a aprender. Não tem sido fácil esta caminhada longa, aflita e com milhares de risos e de anedotas pelo meio. Nos intervalos estou, evidentemente, muito triste, mas isso é porque sou humana e não consigo evitar. Também não evito «classificar» os outros de forma aguçada, como me fazem a mim, mas nunca numa onda psiquiátrica, há palavras com contexto próprio cujo significado depende em muito da patologia em causa.&lt;br /&gt;   Muitos escritores, criadores, artistas têm doenças mentais do mais variado estilo e isso não lhes diminui o talento ou a humanidade. A bem ou a mal, não é mesmo o meu caso. Em 2001 entrei pela primeira vez num gabinete de um psiquiatra, depois no de um psicólogo e o diagnóstico foi demasiado positivo para eu me achar «louca». Sempre me disseram que era sensível e inteligente. Nunca ouvi a palavra «psicose», «neurose» ou outra qualquer maleita psiquiátrica associada à minha pessoa. Cheguei a ouvir «stress pós-traumático» depois da morte da minha mãe ou a palavra «depressão», mas também ouvi «está curada» por diversas vezes. Acho-me demasiado honesta comigo própria para, no caso de ser doente mental, não assumir. Dizem no entanto que os loucos nunca se acham loucos, por isso nunca se sabe.&lt;br /&gt;   O caminho nunca acaba e jogar à defesa é essencial. Digo sempre que daqui para a frente é isso que se passará, mas claro que todos os dias erro e tento corrigir. A postura é a da distância do que não interessa e a proximidade do essencial da vida. Tentar provar a minha sanidade mental parece-me um absurdo difícil de conseguir, mas a minha loucura tem acalmado ânimos, que assim suspiram e fazem o controlo dos valores tomados como «certos» (que são, afinal, os únicos possíveis no contexto em causa). É como queimar bruxas na fogueira: fica o mundo isento de pecado. Quer as bruxas o sejam ou não. Pouco interessa para o caso, parece-me, e além disso eu tenho muitos anjos à minha mesa, por isso nada me derrota.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1457460467514612761?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1457460467514612761/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1457460467514612761' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1457460467514612761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1457460467514612761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/um-anjo-minha-mesa-h-muitos-anos-no-me.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-8028986630917331452</id><published>2007-10-01T13:21:00.002-07:00</published><updated>2007-10-01T13:22:19.588-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Coisas que gostaríamos que acontecessem aos nossos inimigos, mas nunca fomos capazes de dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…carrapatos atrás das orelhas…&lt;br /&gt;…sarna para se coçarem…&lt;br /&gt;…carimbos na testa sempre que dissessem uma asneira/mentira maldosa…&lt;br /&gt;…dançar com uma obesa com pé-de-chumbo…&lt;br /&gt;…ver filmes indianos o resto da vida…&lt;br /&gt;…ouvir programas da Fátima Campos Ferreira…&lt;br /&gt;…transformarem-se em pega-monstros fechados em pacotes de batata-frita...&lt;br /&gt;…ouvirem Zé Cabra…&lt;br /&gt;…reencarnarem num tampão da Linda Reis, mais conhecida pela «pomba-gira»…&lt;br /&gt;…conviverem com gente da mesma espécie…&lt;br /&gt;…existir de repente justiça divina…&lt;br /&gt;…falar com a Paris Hilton mais de 5 minutos seguidos…&lt;br /&gt;…voltar à Idade Média e não ser rico nem pertencer à Inquisição…&lt;br /&gt;…ser um piolho da cabeça do Bob Marley...&lt;br /&gt;...ver a versão dos anos 70 do «Massacre do Texas» (é de ficar surdo)…&lt;br /&gt;…decorar e estudar a fundo todas as frases famosas de Oscar Wilde…&lt;br /&gt;…saber Os Lusíadas de cor e salteado…&lt;br /&gt;…fazer «pranchas» o dia todo (consiste numa posição estúpida, tipo prancha de surf, que faz doer o corpo todo)…&lt;br /&gt;…usar as roupas da Vivianne Westwood (só pra avisar que não cai bem em toda a gente)…&lt;br /&gt;…conhecer pessoas que-nunca-mais-se-calam…&lt;br /&gt;…contracenar com o Matt Damon ou o Ben Affleck…&lt;br /&gt;…viajar ao lado de uma pessoa porca sem poder mudar de lugar…&lt;br /&gt;…ser um burrié do Savimbi (paz à sua alma!)…&lt;br /&gt;…ler o diagnóstico psiquiátrico da sua própria pessoa (é pior do que a sina!).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-8028986630917331452?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/8028986630917331452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=8028986630917331452' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8028986630917331452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8028986630917331452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/coisas-que-gostaramos-que-acontecessem.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3236801852617560074</id><published>2007-10-01T13:21:00.001-07:00</published><updated>2007-10-01T13:21:45.513-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era uma vez uma casa…não posso divulgar a morada porque senão toda a gente que lê o meu blogue vai querer lá ir. Vou chamar-lhe «a casa da Paula», com a advertência de que a casa não é dela, é dos pais, e que este caso tem história, pois dantes havia amigas parvas da Paula (como eu) que se atreviam a ligar para a casa dela perguntando «é da casa da Paula?» e a mãe respondia «não, a casa é minha, mas a Paula não está».&lt;br /&gt;   A casa da Paula é o lugar mais habitado e seguro que conheço. Por muito vazio que fique, está sempre cheio. Por muitas pessoas que saiam, mais entram. É uma casa saudável, pelo que me é dado a ver. Não existem casas perfeitas, ou melhor, famílias perfeitas, todas têm problemas, ovelhas brancas, ovelhas negras, avós chatas ou avôs rezingões como eu tive. Eu até tive uma colecção de madrastas ruins e outras tantas que passaram na vida do meu pai mais rápido que fogo de artifício num dia de festa. No entanto, a minha casa sempre foi muito mais fechada e inabitada do que a da Paula, sobretudo depois da morte da minha mãe. Porque depois disso houve silêncio e ficámos sem fala ou palavras possíveis para denominar o momento. O presente passou a arrastar-se para o futuro com muita dificuldade e alguma dor.&lt;br /&gt;    A casa da Paula é muito especial por causa das pessoas que a habitam. Por causa da Paula, da mãe dela, do pai, do irmão, da cunhada, das primas, dos sobrinhos e primos e amigos que chegam e ficam na casa de passagem. Lembra alguns costumes africanos, em que as pessoas chegam às casas, tomam as suas refeições e continuam o seu caminho.&lt;br /&gt;   Desde sempre que me habituei a ir àquela casa. Depois a Paula casou, saiu de casa, mas a casa ali está, com a mesma dinâmica para a Paula e para os amigos da Paula. Há sempre café e bolachas. Há sempre milhares de conversas, de desabafos, há centenas de coisas a passarem-se em paralelo à casa, ou em diagonal. Há ali boas energias. Os filhos não estão presos aos pais com pregos obrigatórios, a nora é tratada como mais um elemento (de uma família saudável), e os amigos fazem parte da vida. Cheguei a um ponto da vida em que toda esta normalidade me parece tão sensata e doce que quase me apanha desprevenida.&lt;br /&gt;   A minha casa sempre foi muito mais anormal do que a da Paula, nas minhas considerações. Mas sempre foi uma boa casa, também. Como diz o meu irmão, pertencemos a uma casta de gente que quando tem problemas se ri e isso é especial. Contamos uma anedota, discutimos o quão parvos eram os nossos pais e o quão chatos eram os nossos avós, e vemos sempre que isso não mudou. A avó continua a achar que a cristaleira nos vai cair em cima a qualquer momento e que temos de comer até rebentar ou morremos magrinhos. O meu pai continua a achar que o feijão verde enfeita a sopa mas não é para comer e que morangos e amoras são exactamente a mesma coisa. A minha mãe e o meu avô resolveram ser anjos antes de tempo e já não nos fazem companhia presencialmente, mas devem andar por ali e rir-se de tantos disparates.&lt;br /&gt;   Recentemente a família cresceu e veio a Elisabete, depois o Serginho e depois a Helena. A Elisabete é como uma irmã para mim (sorte a minha, que as cunhadas às vezes também parecem salamandras com veneno pegado às patas), o Serginho (meu sobrinho) parece ser intransigente, ou a cadeira é dele ou nada feito, mas ainda não lhe vemos os traços todos de carácter, é muito pequeno. A Helena veio mais tarde, é a minha madrasta, mas eu prefiro dizer que é a vizinha do 4º direito, porque «madrasta» encerra uma série de cognomes, epítetos, ideias preconcebidas muito desagradáveis, e felizmente a Helena não é nenhum deles. É apenas ela própria e ouve-me com disponibilidade e graça.&lt;br /&gt;   Não entro muitas vezes na casa dos meus pais. Os últimos anos foram duros e eu tive de lutar um bocado para me erguer ou reerguer. A casa não tem movimento nenhum, é como se estivesse morta e talvez fique melhor quando eu tirar de lá todas as minhas coisas. Mas dali só saiu gente e o meu pai basicamente vai lá buscar o que precisa, levando pratos, talheres e copos do 4º esquerdo para o 4º direito. Portanto, nada tem que ver com a casa da Paula, melhor, dos pais da Paula. A casa dos meus pais está desactivada. A casa dos pais da Paula é eterna: está lá sempre alguém, está lá sempre a máquina de café e as bolachas, há sempre alguém que vai lá dormir, pernoitar, porque «é muito tarde para voltar para casa e a Paula tem casa em Lisboa», há sempre secretárias, escrivaninhas e computadores para se trabalhar, livros para ler, mesas para escrever, filmes para ver. E tudo isto não está ali morto, a flutuar no universo, tudo isto tem uso, apesar de a Paula e de a mãe da Paula dizerem sempre que «está tudo cheio de pó».&lt;br /&gt;   A vida ali existe também pelas boas relações que nós, amigos da Paula, mantemos com os pais e restante família, e vice-versa. Creio que a Paula sabe que são relações que já a transcendem, quer dizer, já gostamos deles para além da existência dela, mas isso a mim parece-me bom, um dia quando for mãe (se conseguir ter coragem para tanto) quero permitir isso aos meus filhos, a possibilidade de eu fazer amigos através deles. Deve ser fantástico…&lt;br /&gt;   Não posso dar a morada da casa da Paula, senão vocês iam todos para lá. Mas fica mais ou menos no final do arco-íris, tipo pote de ouro. Perguntem à Ângela (o morzito), à Patrícia França, à Patrícia Torres, à Sofia, a mim e a muito mais gente que já por ali passou, pernoitou, bebeu café e comeu bolachas (embora eu jure que já lá comi muito mais refeições variadas!). Dava um prémio a alguém que encontrasse uma casa como a da Paula, perdão, como a dos pais da Paula.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-3236801852617560074?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/3236801852617560074/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=3236801852617560074' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3236801852617560074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3236801852617560074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/casa-era-uma-vez-uma-casano-posso.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3936831843218546018</id><published>2007-10-01T13:20:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T13:21:09.959-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As cartas da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Este foi um ano de muitas mudanças. Para mim, para muitos amigos meus, muitas amigas minhas. Há quem diga que 2007 é um ano de mudança e 2008 um ano de estagnação, do ponto de vista cósmico. Para mim 2007 foi sempre a andar, a mexer, a fazer, a destruir, a construir, a sistematizar e…a conseguir perceber alguma coisa da vida.&lt;br /&gt;   Em Agosto deste ano deu-se uma mudança radical na minha vida. Comecei a acreditar. Considero que isso foi uma das coisas mais positivas que aconteceu em toda a minha vida, porque há uma diferença grande na qualidade de vida de quem acredita em relação a quem não acredita. E quando digo acreditar digo acreditar seja no que for: em nós próprios, em Deus, no cosmos, na natureza, na vida. Sempre fui céptica e ateia. Até aí tudo bem, se isso tivesse alguma coisa a ver com o que sonho, com o que sinto, com o que sou. O ateísmo tem a ver o exílio de Deus, em quem deixei de acreditar e confiar há muito tempo. Mas o cepticismo, esse, não posso mais aplicá-lo à minha vida.&lt;br /&gt;   Tive e tenho grandes dificuldades em dar crédito a algumas das minhas intuições, sentimentos e emoções, mas de repente, no encontro fortuito com cartas de tarot, dou comigo a pensar: ali estou eu. O Pedro acredita nas cartas como espelho objectivo do pensamento. Eu simplesmente acredito nelas, ou porque o coração me diz que sim ou porque escolhi acreditar. E porque não? E se for uma escolha? E se as cartas forem uma espécie de talismã da sorte, um placebo escolhido? Porque não gostar delas, acreditar nelas na mesma?...&lt;br /&gt;   Este aspecto marca toda a diferença numa vida. Se acreditarmos em alguma coisa – e não falo em viciar-me em leituras de tarot – pelo menos temos um ponto de apoio. E sou franca: sempre me faltaram pontos de apoio, filosofias positivas de vida, optimismo ou crédito seja ao que for.&lt;br /&gt;  As cartas dão algum optimismo, mesmo quando são más e as leituras saem corrompidas pela negatividade das nossas mãos e das nossas energias, são caminhos apontados, soluções possíveis, passíveis de mudança, como nós. As cartas conferem dignidade a pensamentos que recalcamos porque muitas vezes sabemos ir ter problemas com as nossas decisões.&lt;br /&gt;   Descobri que é bom acreditar em alguma coisa: cartas, anjos, tarot, astrologia, ciências ocultas, xamanismo, etc. Talvez isso não enfraqueça o ser humano, o raciocínio lógico, mas o estruture de forma a enquadrar-se no mundo. Tenho ainda grandes dificuldades em acreditar na reencarnação. Acho sempre que as pessoas que morreram são como feixes de luz, ficam transformadas num ponto de luz no Universo gigante. É assim que vejo a minha mãe e o meu avô também. Transformados. Mas de reencarnação não percebo muito. Tenho vindo a aprender.&lt;br /&gt;   A coisa que mais gosto nas cartas é sentir-me perto da minha mãe, como se ela vivesse nesse feixe de luz que eu imagino e me fizesse companhia quando eu quero. Somos muito possessivos – queremos as pessoas que amamos ao pé de nós. A maior prova de humanidade (e de amor) é saber perder as pessoas, deixá-las ir, entregá-las ao universo. Durante uns tempos, as pessoas exercem determinados papéis no mundo, de pai, mãe, irmão, marido ou mulher. As pessoas largam esses papéis quando morrem, mas nós que vivemos nunca mais nos esquecemos deles. Queremos as pessoas de volta, mas sobretudo queremos os papéis exercidos pelas pessoas. Quando tenho saudades da minha mãe sou egoísta: não é tanto do ser humano que ela era que eu tenho saudades, mas sim do papel que ela exercia, porque me habituei a esse papel protector. Todavia ela, que já morreu, diz-me que ainda me protege. Portanto ainda exerce, noutro domínio do universo e de outra maneira completamente diferente, o mesmo papel de mãe. Cabe-me a mim saber lê-lo e é essa a aprendizagem a que me dedico agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-3936831843218546018?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/3936831843218546018/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=3936831843218546018' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3936831843218546018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3936831843218546018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/as-cartas-da-vida-este-foi-um-ano-de.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5630104294322053781</id><published>2007-10-01T13:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T13:20:37.894-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Igreja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não gosto de missas. Acho-as mecânicas, repetitivas, chatas. Mas esta foi curta, não me posso queixar, com meia dúzia de pessoas daquelas que conhecem a missa de cor e sabem logo quando hão-de falar. Assim é bom ir à missa, nem que seja pela igreja, pela compenetração humana, pela oração. O padre era daqueles que resumia a missa em meia hora, coisa simples. Rezava na profundidade da alma, apesar da mecanicidade dos gestos.&lt;br /&gt;   Lá estava o pessoal do bairro, reunido há um ano atrás numa festa barulhenta, com arroz à mistura. Era o mesmo pessoal, mas agora chorava copiosamente a morte do Z., marido da C. E eu na fila da frente com ela, entre ela e a mãe, a fingir que rezava, mas no fundo compenetrada em que a alma do Z. ficasse a habitar um lugar calmo, seguro, pacífico, pedindo protecção ao meu guia espiritual, a minha mãe, para a C.&lt;br /&gt;   Gosto muito de viver. Não por ser uma obrigação, mas porque há pessoas que valem a pena. Quanto mais amigos perdemos, vemos morrer ou até sofrer, mais devemos dar valor à vida. É preciosa q.b., como açúcar num bolo que não seja para diabéticos.&lt;br /&gt;   Ao meu lado esquerdo a C. segreda-me «quando quiseres vai embora, não estás presa nem faças frete»…como a C. é compreensiva e boa rapariga! Todavia, não vou embora, oiço lágrimas, oiço suspiros, mas a C. aguenta-se com a sua cara risonha, mas muito triste e as suas olheiras gigantes, toda vestida de preto, que não lhe cai nada bem. Custa-lhe a leitura das epístolas, aí hesita uma lágrima porque está perante todos. No final, algumas pessoas vão cumprimentá-la e a mãe dela diz-me à parte «obrigada por tudo, minha querida». Fico feliz. Fiz pouco, quase nada mesmo, mas estive ali, tão perto quanto podia.&lt;br /&gt;   A igreja respira calma e harmonia, contrastando com a minha ansiedade interior. Chego a casa e fico banzada: com vidas tão tristes como a da C., ainda há gente que se preocupa em ofender o próximo, em denegrir a minha imagem? Fico a pensar que tenho mais que fazer na vida, nomeadamente ajudar a C., que precisa de companhia. É por isso que a vida vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5630104294322053781?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5630104294322053781/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5630104294322053781' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5630104294322053781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5630104294322053781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/10/igreja-no-gosto-de-missas.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2809978035501055792</id><published>2007-09-20T16:05:00.001-07:00</published><updated>2007-09-20T16:05:52.247-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vida como ela é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Há dias em que a vida é muito estúpida e dói que se farta. São os dias do diagnóstico e também os dias do fim. Eu explico. Quando uma doença é diagnosticada cai tudo por terra, quando uma pessoa morre cai tudo também. A diferença é que no segundo caso somos obrigados a aceitar a inevitabilidade do mundo e da vida, somos obrigados a perder a esperança.&lt;br /&gt;   Quando a minha mãe morreu, eu não sabia nada sobre a morte, tal como não sabia nada sobre a vida. Por não saber nada de uma, nada sabia sobre a outra. Era uma ignorante nestas coisas. Agora sei um bocadinho mais, melhor, conheço um bocadinho mais, porque se soubesse realmente, não ficaria tão chocada com a morte. E ainda fico.&lt;br /&gt;   Estes dias tenho pensado na C., na vida que ela tem tido, e bolas!, a vida é mesmo estúpida! Eu já não achava que certas coisas fizessem sentido na minha vida e às vezes custa-me tanto enquadrá-las que choro. Choro com a «anormalidade» dos factos. O que faz isso é uma coisa chamada «expectativa». Não me venham com tretas, todos sonhamos ser felizes, todos temos expectativas. É a expectativa que cria a ilusão e, mais tarde, a desilusão. O ideal seria o estoicismo de nada esperarmos da vida. Mas esperamos sempre alguma coisa, de preferência muito boa. Se não tivéssemos expectativas, nunca íamos a concursos. Se concorremos é porque achamos, mesmo numa hipóteses em um milhão, que podemos ganhar alguma coisa. Assim é a vida. Por isso vivemos. Porque achamos que, de alguma forma oud e outra, vamos ganhar.&lt;br /&gt;   Não sei o que espera a C. da vida, mas a regra é não ter nada daquilo com que sonhou, com os piores obstáculos que se pode imaginar. Eu não tenho tudo aquilo com que sonhei, mas tenho muito mais do que há uns anos esperaria ter. Agora a C. tem uma aprendizagem dura, kármica mesmo desta vida cruel que tem levado.&lt;br /&gt;   Hoje telefonou-me, e passados segundos de cumprimento, absolutamente normal nela, começou a chorar que o marido tinha morrido e que tinha sido notificada por telegrama. E eu parva (ninguém sabe bem o que dizer nestas alturas!): «a que horas ele morreu, C.?». Como se isso interessasse…e ainda me despedi com outra gaffe histórica «Fica bem, amiga!». Claro, uma pessoa perde o marido, com quem casou há apenas um ano e eu digo-lhe «fica bem, amiga».&lt;br /&gt;   Para mim era óbvio que o Z. estava mal, já o tinha visto e o aspecto dele era de uma pessoa fraca, completamente acabada. Eu percebi que era o fim, não é preciso ser mediúnica para se saber essas coisas. Bastava olhar e também perceber o que a C. ia contando, que era grave. Além disso, ela estava perdida. E quando digo «perdida», sei do que falo, perdida nos acontecimentos, na tragicidade do momento, nas correrias de um lado para o outro, no suportar tudo sozinha, no constante virar costas dos médicos…perdida na falta de informação que temos, neste mundo ocidental, do que é a morte, como é a morte, o que se deve fazer. Nos mails ela ia-me dizendo «graças a Deus te conservo como minha amiga há tantos anos!», o que me faz acreditar, todos os dias, que a consigo ajudar, que estou no caminho dela por uma razão e ela continua no meu também por uma razão.&lt;br /&gt;   Nestes últimos dias, não tenho contacto com a minha mãe, não lhe consegui resposta, quando lhe perguntei «e a C.? e o Z.?», a minha mãe limitava-se a deixar-me com as minhas intuições. Quando assim é, é porque eu sei que vai acontecer. Então ela não aparece nos meus sonhos. Manda-me apenas ficar no caminho das pessoas, ali onde estou, em lugar seguro, a ver, a perceber, a saber, a apoiar. Será que estou a fazer isso como ela fazia? Será que sou competente? Será que estou a ser boa amiga? A minha mãe diz que sim. Para já, os problemas da minha vida ficaram numa caixa. A C. precisa de ajuda, de muito mais ajuda do que eu.&lt;br /&gt;   Esta noite o meu sono foi confuso, era só distúrbios, barulho, coisas partidas e pelo meio viagens para muito longe, lembro-me que sonhei com a Indonésia e depois Polinésia. Lembro-me de pensar que quem morre vai direitinho para a Polinésia, porque tem paisagens lindas…Estará lá o Z.?&lt;br /&gt;   A vida é muito estúpida. Mas a minha mãe continua a dizer que faz sentido. Palavra de mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2809978035501055792?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2809978035501055792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2809978035501055792' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2809978035501055792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2809978035501055792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/09/vida-como-ela-h-dias-em-que-vida-muito.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5582699330510546245</id><published>2007-09-20T16:04:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T16:05:20.072-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Declaro-vos marido…e marido»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Confesso que nunca iria ver o filme, achei desde logo que seria dinheiro mal gasto, uma comédia tosca e bacoca. Mas não. Havia duas opiniões, para mim de confiança, a do Paulo e a da Patrícia, que diziam bem do filme. Por isso fui vê-lo, sozinha, numa tarde em que não me apeteceu voltar para casa cedo.&lt;br /&gt;    O mérito do filme não é a história, que não me parece extraordinária, mas a mensagem, directa, simples e pedagógica: todos diferentes todos iguais. Um pai, bombeiro de profissão, viúvo há três anos, resolve casar com um colega e amigo de longa data, forjando a sua orientação sexual, de forma a deixar os filhos seguros em caso de acidente ou morte. O amigo, mulherengo convicto, entra na jogada para safá-lo.&lt;br /&gt;   O casamento, uma fraude mal encenada, é investigado a pente fino, pelo que os dois homens ficam num dilema: como se comportam os gays? Este é talvez o mito ou o estereótipo que mais domina a história, porque o homem que os investiga chega a dizer-lhes «o vosso lixo não me parece gay». Colocados perante este problema, os dois homens, heterossexuais, tentam entender o que fazem dois gays numa casa onde habitam também duas crianças (curiosamente, o rapaz tem tendências homossexuais), dizendo coisas como «estamos sempre a fazer sexo…sexo muito gay», dando palmadas no rabo um do outro constantemente e mandando piropos ao rabo do carteiro. A personagem de Adam Sandler (desculpem nunca me lembrar do nome das personagens nos filmes) diz «vou buscar os meus discos do Boy George» (fartei-me de rir com essa referência) e arranja um quadro dos Wham nos seus primórdios.&lt;br /&gt;   Um dos momentos altos do filme é a festa gay, onde luz, cor, acção, movimento e muita adrenalina se misturam, e em que a personagem de Adam Sandler brinca com as palavras dizendo «estou muito gay» (gay=alegre). Mas a imagem dos gays passa para lá deste estereótipo, quando um dos bombeiros (o mais machão, com cara de mau) assume a sua homossexualidade. Apesar da gestualidade confusa quando se assume homossexual (parece que todos os gays têm de ter trejeitos de fêmea!), alguns mitos caem por terra com esta comédia, mostrando também como dois homens, qual deles o mais alheio à realidade da homossexualidade, assumem a defesa dos princípios da liberdade do ser humano, da liberdade de escolha, da liberdade de ser/estar na vida como se quiser (reparem como termina a festa e a manifestação anti-gay, ou o apoio incondicional da corporação de bombeiros aos dois homens que fingem o casamento). O discurso final da personagem de Dan Ackroyd, o chefe dos bombeiros, diz tudo: «sei que este casamento é uma fraude, embora com boas intenções, mas o que interessa se se é homossexual, heterossexual, transexual, etc.?».&lt;br /&gt;   O mundo é composto de gente diversa, essa é a grande mensagem. Também a menina discursa brilhantemente em Tribunal, oferecendo uma vasta gama de espécies animais que praticam a homossexualidade e dando esse aspecto como natural na vida do planeta (quando ela um dia estudar literatura e cultura gregas ainda ficará mais espantada!).&lt;br /&gt;   Muito boa a cena de «apanhar o sabonete» nos chuveiros comuns dos bombeiros, mostrando bem o receio estúpido de se ser «violado» por um amigo só porque é gay…&lt;br /&gt;   Por outro lado, a amizade dos dois homens sai incólume das diversas peripécias, os dois conseguem rir-se do próprio casamento encenado e fotografado por um chinês míope, cujo discurso base, em inglês achinesado é sempre o mesmo «o círculo representa a união dos opostos, por isso a aliança não é um quadrado, rectângulo, etc.». Serve para recordar a todos os que se casam… Brilhante a parte em que a testemunha principal é um sem-abrigo com um discurso desconectado do mundo real, que esfrangalha o bolo à procura de explosivos e sabe danças russas.&lt;br /&gt;   Gostei ainda da advogada, mulher bonita e inteligente, mas emocionalmente frustrada, que na sua ingenuidade abre o coração a uma amizade genuína com um dos elementos do casal encenado. Evidentemente que se apaixonam e ficam juntos, mas fica registada a confiança que uma mulher deposita num homem gay: desde despir-se à frente dele, a pedir-lhe que lhe apalpe as mamas («vê, são verdadeiras e ninguém acredita! Não é silicone, é real!») ou lhe ensine os preliminares do sexo.&lt;br /&gt;   Tudo acaba bem, num casamento homossexual que mistura tudo e todos numa alegria contagiante, sem cair no espalhafato. Um filme engraçado e com mensagens positivas.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5582699330510546245?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5582699330510546245/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5582699330510546245' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5582699330510546245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5582699330510546245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/09/declaro-vos-maridoe-marido-confesso-que.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3597280406458798747</id><published>2007-09-20T16:02:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T16:04:33.918-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os meus porquês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Porque é que, em pleno século XXI…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …nos centros comerciais e sítios afins, ainda há homens a entrarem na casa-de-banho das senhoras com a desculpa «dá na mesma, é igual»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …ainda há homens a atirarem piropos às senhoras com a sensação de estarem a dizer uma verdade absoluta: «ó tu, que és muita linda, olha para cá!», «dava umas voltas contigo dava!»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …ainda se escarra na rua como se nada fosse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …ainda há mães convencidas de que os filhos são propriedade sua e que as noras são as cabras que os roubam de casa e lhes dão cérebro para serem autónomos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …há pessoas cuja única função no mundo é mandarem bocas foleiras e generalizantes, de preferência aos gritos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …o apito dos automóveis se transformou numa espécie de linguagem alternativa do seu humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …os peões continuam a achar que são sempre visíveis e imortais, mesmo que passem pelo meio dos carros em andamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …a Ministra da Educação continua a mandar números fabulosos no plano da Educação, dizendo barbaridades como «cada vez há mais licenciados no país»? E licenciados-desempregados? E pessoal saído de cursos-fantasmas a escrever portunhol e pretoguês, para quem o conceito de pontuação e ortografia são tão abstractos como as equações de segundo grau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …se continua a dizer que as pessoas saem tarde de casa «porque estão bem em casa dos pais»? Perguntem isso a quem ficou, como eu, na casa dos pais até quase aos 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …continuamos a defender a família como instituição quando quase todas são disfuncionais e prejudiciais ao ser humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …achamos que o telemóvel é o centro comunicacional da sociedade? Dantes não o tínhamos e ninguém se queixava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …continuamos a dizer «sempre foi assim» como uma imposição de Deus Nosso Senhor? Células morrem a todos os segundos e não podemos reclamá-las a Deus: «dá-me as células, eram minhas, a minha pele sempre foi assim». Deus ia morrer de rir…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …depois de tantos anos de esforço continuo a viver num circo? Já nem existem poemas na minha cabeça de tão árida e estupefacta que estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …algumas pessoas acham que têm sempre razão e a sua verdade é a absoluta? (esta pergunta é um clássico do grupo de perguntas «é que nem tentes responder!»)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …Deus dá nozes a quem não tem dentes? Quem sabe aproveitar o dinheiro não o tem, e quem não sabe tem de sobra. (outro clássico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …continuamos a achar que a velhice é sabedoria? Os velhos são parvos e esquecidos, doentes e patéticos. Quanto mais cedo ficamos assim, mais velhos somos, quanto mais tarde, mais nos mantemos joviais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …muitos acham que podem gostar de toda a gente e toda a gente gostar deles, quando essa façanha nem o Dalai Lama consegue?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …tantas vezes na vida discutir não adianta nada, mas nada mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …achamos que a morte e as doenças foram feitas só para os outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …achamos que a doença serve de desculpa para todos os desatinos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …achamos que se não estivermos ocupados em todos os segundos/minutos/horas do dia não somos úteis à sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …continuamos a achar que gritando as pessoas nos ouvem melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …ainda há pessoas que acham de uma elegância absurda dar traques na cara dos outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …chove sempre quando dizem que vai estar calor e está calor quando prevêem chuva? (ah, desculpem, esta é da lei de Murphy)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …libertam o O.J. Simpson sob suspeita de assassinato mas prendem-no por assalto e depois por…rapto? Pode ser condenado a prisão perpétua. Não, de certeza que não matou a mulher, não era culpado, não havia provas forjadas nem nada. A desculpa destes últimos feitos é igual à dos feitos anteriores: “ Sou O.J. Simpson, acham que iria cometer um crime quando o mundo inteiro tem os olhos postos em mim? “. A resposta é SIM. Só mostra como às vezes o mundo até consegue ser justo com os pulhas (mas é raro, não tenham muitas esperanças).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   …ainda dão a oportunidade à Britney Spears de actuar nos prémios na MTV, mesmo acusada de estar bêbeda e ganzada à frente dos filhos? Foi o que se viu, um zombie drogado a tentar mexer as ancas. A minha avó fazia melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-3597280406458798747?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/3597280406458798747/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=3597280406458798747' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3597280406458798747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3597280406458798747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/09/os-meus-porqus-porque-que-em-pleno.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4367667653967994543</id><published>2007-09-14T16:23:00.000-07:00</published><updated>2007-09-14T16:26:01.891-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os piqueniques da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Já escrevi imensos textos acerca dos meus amigos, quase todos eles elogiosos e representativos da importância que cada um deles tem para mim. Naturalmente que, com o tempo, cada amigo segue o seu caminho pessoal, profissional, social, e até geográfico. Quase todos nós, à excepção do Dalai Lama, damos muita importância ao ego e por isso tornamo-nos possessivos, com as coisas e com as pessoas. Queremos as pessoas connosco, aqui e agora. Se formos razoáveis, começamos a perceber que, se estamos pouco tempo com as pessoas, devemos aproveitar a sua companhia ao máximo. Acho que a vida me tem ensinado a fazer isso de uma forma delicada, a dar importância a almoços, jantares, lanches e piqueniques, caracoladas e cervejinhas. A minha avó costuma dizer que é o que guardamos da vida e levamos no coração. Talvez ela tenha razão.&lt;br /&gt;   Há quase um ano que almoço com a Patrícia no jardim ao pé da Maternidade Alfredo da Costa. Ali ficamos com os nossos almoços improvisados ou trazidos em tupperwares, as nossas bananas compradas ou roubadas de casa, os nossos guardanapos, a ver grávidas a passarem, indigentes a ressonarem ou a praguejarem e, em muitos casos, a ver boxers, poodles, bulldogues e cães rafeiros a fazerem necessidades no jardim. Quando chove resguardamo-nos no centro comercial, onde dezenas de pessoas de fato comem à pressa. Muitas sentam-se na nossa mesa a fim de se despacharem. Há tias, tios, gente pateta, miúdas que se vestem como putas finas, outras que não, há conversas fúteis e tolas, outras que parecem sérias. Mas, na maior parte das vezes, existimos nós, a nossa salada de queijo fresco e manga, as nossas empadas de galinha, a nossa sopa, e o nosso passeio pelas lojas de livros, cds e enxovais caros.&lt;br /&gt;   Temos uma hora para tudo isto e conseguimos habilmente expor muitos problemas que nos afligem. Ou melhor, eu falo que me desunho, ao contrário da maior parte das pessoas, quando estou calada, na minha concha, estou bem, é porque a harmonia está cá dentro, é porque estou a resolver qualquer coisa com o meu próprio assentimento. A Patrícia é ao contrário, fala imenso quando lhe apetece, mas se estiver em baixo, está muito quieta a ouvir-me, em escuta atenta e silenciosa. É com estas antíteses que gerimos uma hora de almoço que acontece, geralmente, duas vezes por semana, mas que ultimamente se tem multiplicado. Passei uma fase em que pensava «é hoje que a Patrícia já não me consegue ouvir mais e me põe fita-cola na boca!». Era a fase do gato que tenta apanhar a cauda (tenho muitas fases assim!), de angústia, em que falo do mesmo tantas vezes que fico cansada só de existir. Todavia, até hoje, sempre consegui dizer tudo o que me passava pela cabeça sem sanções. Tenho esta sorte divinal com os meus amigos: eles ouvem de tudo.&lt;br /&gt;   Apesar de ter já tanta intimidade com a Patrícia, conheço-a há muito pouco tempo, em Dezembro faremos dois anos de amizade. Já trabalhámos juntas (e divertimo-nos a valer) graças ao mítico Padre Manuel Antunes, padre, escritor, filósofo, professor e quase amigo de casa, não desse a sua obra tanta dor de cabeça à Patrícia e à Paula. Depois eu estive em Roma, a Patrícia na Madeira, falámos por messenger e quando a Patrícia voltou retomámos a nossa ligação de amigas, quase irmãs em sonhos, em pensamentos, em escritos poéticos, em cartas e postais. Hoje surpreendi-me com a Patrícia – engraçado como a conheço bem, ou acho que sim, e ela me surpreende tanto – quando ela me perguntou «sabes o que é que eu gostaria mesmo de fazer hoje?», e eu pensei logo «de estar com o Luís Filipe!», mas pensei sem maldade nem inveja nenhuma, porque ela está apaixonada e vai viver com ele. E ela saiu-se com esta «de passar a tarde contigo às compras no Colombo!». É resposta que só uma gaja fixe dá a outra gaja fixe! Não duvido que ela adorasse estar com o Luís Filipe, mas, não podendo, a Patrícia apetecia-lhe dar a sua voltinha de gaja gastadora, como a Elisabete gosta de fazer comigo, também. Um gelado, cinema. Epá, coisas muito boas…o que nós levamos da vida, como diria a minha avó.&lt;br /&gt;   Num ano, eu e a Patrícia sofremos modificações nas nossas vidas. Mais eu do que ela porque me casei, saí de casa, tive de me adaptar a um mundo de coisas novas que ainda esperam por ela. No início foi um desespero tremendo, eu achava que não ia mesmo conseguir passar dos primeiros meses de casamento, sentia-me a Britney Spears, mas em versão morena e magra, a casar num repente e a descasar noutro, pedindo desculpa à humanidade por tanta afronta. Todavia, a Patrícia mantinha uma calma inabalável e dizia-me «as coisas vão mudando, mas devagar». Já mudaram muito e talvez eu nem me aperceba, afinal agora grito e esperneio para me defender de afrontas e, apesar do stress e das noites mal dormidas, ainda estou casada, mais do que isso, gosto de estar casada. Zangar-me a sério já fez estragos, mas lembro-me sempre da frase que a minha psicóloga me disse um dia «até Jesus Cristo expulsou os vendilhões do templo ao pontapé!...». Como me diz o Pedro «compreendo que agora és mais tu própria». A responsabilidade é minha por isso, mas a Patrícia ajudou.&lt;br /&gt;   Na brincadeira, costumamos dizer que, com tanta perversidade, o Diabo já gosta de nós e nos guardou lugar no Inferno…juntas.&lt;br /&gt;   Eu e a Elisabete somos mais de cervejas e caracóis. No outro dia resolvemos fumar. Ali estávamos na esplanada a desrespeitar tudo o que as avós nos ensinaram: uma mulher não bebe, uma mulher não fuma, uma mulher não deixa o seu gajo sozinho, uma mulher não está ao fim do dia numa esplanada de perna traçada…essas coisas bacocas. No tempo do Salazar íamos dentro. Fartámo-nos de palrar, falar, pôr a conversa em dia, longe do Serginho, que é lindo, mas barulhento demais para desabafos entre senhoras. Nestas conversas ficamos sempre com a sensação de que o Atlas só podia ser gaja, porque o planeta estava nas costas dele, e a nós calha-nos isso, o mundo às costas, as pessoas mais manipuladoras e mesquinhas atrás de nós, a negatividade a circundar-nos e nós a mantermos a fé nos nossos valores e princípios de vida.&lt;br /&gt;   Gosto muito dos piqueniques. De todos. Quando se fazem aqueles lanches baratuchos compostos por batata-frita, folhados, fritos e sumos com açúcar, como diz a Paula, melhor ainda, arruinamos o esforço de mantermos o peso depois dos trinta anos. No outro dia fui com ela e com a Tembua (as outras mânfias resolveram desmarcar em cima da hora) ao jardim do Inatel, onde gentilmente tivemos de pagar 0,63 euros, uma fortuna que nos permitiu ver a noite a cair, a chuva a cair, alguns raios e fugir a sete pés para a casa da Paula, onde ficámos a beber café fraco, daquele que, como diz a Patrícia, só sabe bem quando é bebido em casa da Paula. Até lá, contei tudo sobre o que me afligia, e claro que as histórias da Tembua, simples, complexas, curtas ou longas, nos fizeram rir. Voltei para casa debaixo de uma tempestade e um céu violeta assustador, mas valeu a pena o piquenique.&lt;br /&gt;   Alguns psicólogos que estudam o optimismo e os mecanismos da felicidade sabem que mais de metade dos nossos problemas e da nossa infelicidade são causados por nós, pela nossa percepção das coisas. Os budistas dizem melhor, por vezes percepcionamos afrontas onde não as houve. A minha opinião, ao longo deste ano, mudou: acho que, se há afronta – imaginária ou não – tem de haver resposta. Naturalmente que «responder» não é perseguir ou ser mal intencionado, mal educado, responder é por vezes nem estar ali, naquele lugar, à hora marcada, com o corpo, ou com a cabeça. Não podemos viver só para os outros, devemos viver com os outros, e essa relação deve ser paritária. Esta foi uma das muitas coisas que aprendi nos piqueniques da vida. Palpita-me que o Dalai Lama não ia gostar de me conhecer, mas por agora os meus amigos dos piqueniques bastam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4367667653967994543?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4367667653967994543/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4367667653967994543' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4367667653967994543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4367667653967994543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/09/os-piqueniques-da-vida-j-escrevi.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-6427598606226805496</id><published>2007-08-28T14:39:00.000-07:00</published><updated>2007-08-28T14:41:19.612-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os nossos pais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu e o Paulo Mongo, meu amigo há décadas, descobrimos mais uma coisa comum entre os dois: somos muito sentimentalóides no que diz respeito aos nossos pais. Para mim é uma novidade, uma descoberta daquelas. O Paulo obviamente já sabia que adorava os pais. Mas eu sempre fui desligada dessas coisas e foi preciso perder um deles para perceber que os adorava, a ambos, de formas diferentes, certamente, mas afinal sou devotada aos pais. E não sabia.&lt;br /&gt;   Esta minha adoração não veio só com a morte da minha mãe e com a morte do pai do Paulo. Veio com a observação concreta do que é que são bons pais e do que são maus pais. O Paulo é mais sensato e sempre soube que os pais deles eram maravilhosos, dentro das hipóteses que tinham, à maneira deles. O Paulo é mais generoso, também. Eu sou mais pateta, cresci mais devagar (por isso ele me manda sempre correr, para ver se eu cresço mais depressa).&lt;br /&gt;   Acho que é bom chegarmos aos trinta anos a sabermos quem são os nossos pais, onde erraram, porque erraram e onde podemos fazer melhor – se é que podemos – enquanto pais e enquanto filhos. No outro dia vi um livro que preconizava o perdão total e absoluto para os pais. Deve ser uma ideia herdada da Bíblia. Dizia o livro que devíamos sempre respeitar os pais, mesmo que eles nos tratassem mal. Acho que é a ideia da minha avó, que sempre viu no pai dela um ser humano bom e genuíno onde eu, pelas histórias que ela conta, só vejo um burgesso mal amanhado. A necessidade de amor distorce as nossas lentes. Passamos a vida a olhar para sombras, para fantasmas, para projectos de pessoas que nunca se realizaram. A minha avó elogia sempre o pai dela, gaba-lhe essa grande qualidade de ter sido pai e mãe (por ela ter perdido a mãe bastante cedo), quando afinal essa era a sua grande obrigação. Nas palavras dela «podia-me ter abandonado». Nunca vi uma expressão de afecto tão desajeitada. Temos de ser agradecidos a carrascos porque são pais. Acho terrível…&lt;br /&gt;   Levei a adolescência envergonhada com os meus pais, como quase todos os adolescentes. Não gostava de como se vestiam, de como comiam, dos hábitos deles, não concordava com nada do que diziam ou faziam, criticava-os de alto a baixo. Achava-me recebida com desdém, o mesmo desdém que tinha por eles. Cheguei a adulta com a percepção de que, mesmo imperfeitos, eram bons no que faziam, porque transmitiram força, lealdade de carácter e de princípios, honestidade e algum auto-conhecimento que muito me satisfaz. Ao confrontá-los, fui rebelde e livre na minha opção de não ser como eles (e não sou). Mas apercebo-me hoje de que afinal essas diferenças, que tanto me entalavam em casa, nos princípios «deles», não eram assim tão más, tão insatisfatórias e ao menos eu podia tê-las, dizê-las, sabia-as de cor. Muitos filhos não passam de uma cópia mal amanhada dos pais, um projecto dos pais, e invocam-nos aos cinquenta anos como se tivessem quinze. Pais que não permitem aos filhos a grande desgraça que é serem eles próprios e esbarrarem em obstáculos nunca podem ser bons pais. Nesse tipo de educação ou um filho é rebelde e se faz à estrada ou não há hipótese. Está arrumado no que diz respeito a percepções diferentes da realidade. Fazer uma vénia aos pais é capaz de nem sempre ser bom.&lt;br /&gt;   Eu e o Paulinho podemos fazer vénias aos nossos. Foram suficientemente porreiros para nos ensinarem o amor ao próximo, mas também o respeito por nós próprios e pelos nossos limites pessoais. Foram espertos para entenderem que nem sempre nos podem proteger e que, a partir de certa altura, estamos mesmo por nossa conta (o Paulinho mais do que eu, que fui muito mais protegida).&lt;br /&gt;   O Paulo diz que eu e ele somos dois seres decepados: ele sem pai, eu sem mãe. Há uma actriz brasileira, a Fernanda Montenegro, que diz que sem o pai estamos sem o tecto da casa, mas sem a mãe estamos sem o alicerce principal. Talvez em dias de chuva o Paulinho saiba que lhe chove em cima, não tem o tecto dele – o pai, talvez em dias de terramotos eu sucumba, porque não tenho a minha mãe e sem os alicerces uma casa entra em colapso. Ao menos sabemos que valeu muito a pena estar com os nossos pais, aprender com eles sem termos de ser como eles. Sentimos que era muito melhor eles estarem cá, connosco, mas que quem ficou continua o seu trabalho deixando a porta aberta sem forçar a entrar, aceitando o destino.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-6427598606226805496?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/6427598606226805496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=6427598606226805496' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6427598606226805496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6427598606226805496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/08/os-nossos-pais-eu-e-o-paulo-mongo-meu.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5167738048456448722</id><published>2007-08-05T08:52:00.000-07:00</published><updated>2007-08-05T08:54:36.364-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A minha mãe e eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O meu amigo Paulinho escreveu um post lindo chamado «Louvor à mãe» (&lt;a href="http://www.andmyman.blogspot.com/"&gt;www.andmyman.blogspot.com&lt;/a&gt;). Suscitou-me uma resposta. Fez-me pensar seriamente em diversas coisas da minha vida, da minha relação com a minha mãe e de como Freud tinha razão: a relação com a mãe é estruturante da vida, da psique, das relações humanas.&lt;br /&gt;   Ultimamente, a minha mãe tem-me feito uma falta danada. Uma falta tão grande, tão profunda, tão inexplicável, que se eu a visse não parava de chorar nunca mais e enchia os vales secos com lágrimas (hipérbole, eu sei, mas merecida). Tão chato perder a mãe cedo – mas a mãe perde-se sempre cedo de mais, foi o que sempre ouvi. Creio que quem a perde mesmo muito cedo, nunca mais sabe bem para onde ir. Conheço casos desses. Sem a mãe, somos seres humanos perdidos, com pouca ou nenhuma biografia. São as mães que tradicionalmente sabem as coisas todas: onde fomos feitos, como fomos feitos e com que objectivo. Pai não se lembra disso e se se lembrar não diz. A minha mãe dizia-me sempre que eu tinha nascido numa fase boa da vida dela, para acalmar o meu irmão, que até aí era filho único. Será que resultou?&lt;br /&gt;   A minha mãe faz-me falta em dias de sol e em dias de chuva. Em dias de luz e em dias de trevas. Faz-me simplesmente falta. Durante uns anos vivi em casa depois da morte dela e a presença dela era forte, muitas vezes, era intensa, outras vezes apagava-se. Agora não vivo em casa, e quando lá vou não gosto. Parece uma casa morta, sem energia a fluir.&lt;br /&gt;   Como descrever a minha mãe? Aparentava uma masmorra. Era alta, grande, forte, robusta como uma árvore. Por dentro era um baralho de cartas desfeito, rasgado e dilacerado pela falta de auto-estima. Não sei que caminho deveria ter seguido a minha mãe. Não sei dizer. Não me posso outorgar sequer o direito de dizer o que ela deveria ou não ter feito. Não me posso culpabilizar de não a ter ajudado mais cedo. Lembro-me de intuir com força que alguma coisa se passava com ela e de lhe dizer «queres ir ao médico?» e de ela me responder «claro que não. Não adianta nada.» Quando estamos mortos por dentro, ir ao médico não adianta nada. É preciso amor à vida para nos tratarmos. É até preciso amor à vida para saber que estamos doentes. Outro dia ela disse-me «tenho dores no peito» e eu disse-lhe «queres ir ao médico?» e ela respondeu «claro que não. Não adianta nada.». Depois disso esqueci-me de que ela podia estar doente até ela me dizer, grave, séria e a chorar, entre roupa passada a ferro e músicas da Sade e do George Michael, ao som da quais eu estudava: «Tenho um problema num peito, um quisto e agora vou-me tratar. Contar isto era o mais difícil, mas agora já está». Depois disso, eu chorei até me doer a alma. Lembro-me de ter caído na banheira de tanto chorar. Só voltei a chorar por ela dias depois de ela morrer. Depois disso, a vida nunca mais foi a mesma, e naquilo que a vida tem de comum com o antes, que são os meus amigos e a minha família, a vida é boa. Naquilo que a vida é diferente, a vida dói como se a minha mãe tivesse morrido ontem. Porque ela me faz falta. Muita falta.&lt;br /&gt;   Numa situação como aquela que vivo, a minha mãe desenvencilhava-se. Já tinha batido nos meus sogros, com toda a certeza, como muitas vezes quase bateu na minha avó, no meu avô, no meu pai, no meu irmão ou quando me deu uma palmada forte no rabo quando eu era menina ou me criticou na faculdade por eu ter saído até às tantas sem avisar ou ter comprado uma camisola cara. Digamos que ela era a força que arrastava tudo, mas era um obstáculo para ela mesma. Com o braço direito dela bateu nos filhos e quase nos sogros, passou a ferro, lavou roupa, fez bolos no Natal, trouxe papelada para casa para centenas de pessoas receberem as suas reformas a tempo e horas, e quando já não tinha forças para fazer isso com o braço direito fez com o esquerdo, retomando tarefa por tarefa tudo o que tinha para fazer enquanto morria devagar.&lt;br /&gt;   A minha mãe tinha força. Uma força desmesurada que a irritava e a consumia, mas que era capaz de aguentar tudo à volta. Era a chapada que os desaforados arrogantes mereciam. Era o estalo na hora «H». Era o braço forte de toda a gente. No final da vida, ela disse-me que gostava muito disso, era esse o papel dela: fazer tudo pelos outros. Não viver para ela. Esquecer-se um bocado dela. Disse-lhe que eu era muito estúpida porque não tinha aprendido a fazer nada a tempo e horas. E ela disse que não era assim, que gostava muito de mim.&lt;br /&gt;   A vida andou. Até hoje ainda não percebi para onde, em que sentido ou aquilo que aprendi verdadeiramente com a minha mãe e com a morte dela. É como se fosse um eterno retorno e eu revivesse as situações vezes sem conta, a mesma angústia, o mesmo ódio, a mesma fenda profunda cá dentro, que as piores pessoas vêem e onde querem meter a pata. A carapaça que eu tanto sonhava ter está-me a custar conseguir. Talvez seja um treino para aquilo que ainda vou ser um dia. Talvez isto não seja nada senão sofrimento e tortura. Talvez eu esteja a recusar os papéis que me dão. Não sei. Sei que a presença dela me dava muito jeito, que o braço dela me faz muita falta e que a sensação de andar de avião, ficar sem apoio debaixo dos pés é muito semelhante à de a ver morrer, é ser obrigada a largar o que não quero, o que eu outrora achei seguro e largar-me aos espinhos do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5167738048456448722?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5167738048456448722/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5167738048456448722' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5167738048456448722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5167738048456448722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/08/minha-me-e-eu-o-meu-amigo-paulinho.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5691451821047249003</id><published>2007-07-21T11:56:00.000-07:00</published><updated>2007-07-21T11:57:12.455-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os papéis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu sei que existe um lugar mágico, tipo Disney, onde sou feliz. Não tenho sempre acesso a esse lugar, mas às vezes acontece, com coisas tão simples como um bebé, um sorriso de um estranho, uma pessoa simpática ou uma boa notícia. Um almoço ou um jantar descontraídos, divertidos são também fonte de alegria. Muitas pessoas conhecem a via rápida que as levam a esses sítios felizes que existem dentro da cabeça. Outras pessoas não conhecem via rápida, vão pela via mais longa. Outras não chegam lá nunca. Outras já lá estiveram, vieram embora e não sabem como voltar.&lt;br /&gt;   A felicidade é um dos maiores mistérios da humanidade. Talvez o maior. Ao contrário do que pensamos, a felicidade é responsável por imensas criações geniais, imensos recordes batidos, imensos quadros pintados, imensas paixões.&lt;br /&gt;   A maior parte das pessoas diz que quando era criança era tudo mais simples, ou na adolescência. Eu acho que sempre fui uma pessoa complicada. Não me lembro de alguma coisa ser simples. Fosse chatices, fosse inveja, fosse ganância, fosse abandono, fosse excesso de super protecção, tenho ideia que sempre tive consciência de que tudo isso na minha casa era um ensaio para o mundo onde haveria de viver um dia. É verdade que o mundo onde vivo hoje é ainda mais complicado, mais cheio de ambiguidades, com muito mais reentrâncias do que eu poderia supor.&lt;br /&gt;   No outro dia li um livro com o qual aprendi o que inevitavelmente sempre soube desde menina (eu devia ser esperta): o mundo que vemos é apenas uma representação da realidade. E todos fazemos diferentes representações, umas bem mais verosímeis do que outras. Nessa representação temos um papel. Às vezes cabe-nos um papel injusto que queremos largar: o de vítimas, ou o de violadores, ou o de tiranos e maus da fita, ou simplesmente o de patetas que os outros gozam. Inverter. Toda a nossa vida é uma história, uma luta de inversão contra papéis que não queremos desempenhar e a favor dos papéis que realmente gostávamos de ter. Eu gostava muito de ter o papel de heroína, nas histórias, mas cabe-me sempre um muito diferente desse. As pessoas precisam de mim, ou melhor, algumas pessoas precisam de mim, a minha família precisa da representação fictícia que criou para mim, um papel que eu terei aceite durante anos contra a minha própria vontade.&lt;br /&gt;   Os pais. Os pais representam até ao fim da vida o papel de pais, mas outras pessoas conhecem aquelas pessoas, os nossos pais, pelos nomes, enquanto colegas, no trabalho, na amizade, no dia-a-dia. Talvez as conheçam muito melhor do que nós. Os filhos. Os filhos conhecem mesmo os pais? E os pais conhecem os filhos até que ponto? Até ao ponto em que eles representam os papéis que devem representar. Quando saem desses papéis, os pais ficam abandonados àquilo que são de facto: pessoas. Com falhas gigantes, com rupturas emocionais absurdas, com erros tremendos. Abandonados àquilo que de facto são, nem sabem quem são. Todos os nosso erros dependem, única e exclusivamente de uma coisa: o medo de nos olharmos ao espelho, de nos vermos deformados pela vida, longe do paraíso que imaginámos que poderia existir fora das nossas cabeças.&lt;br /&gt;   Tenho odiado severamente os papéis que desempenho na vida. Detesto ser tratada como uma garota ignorante que não sabe nada, detesto ser tratada como instigadora de problemas, detesto ser tratada como pessoa passiva, detesto ser tratada como criada que só vive para os outros. Tenho tentado dar a volta a esses papéis todos até àquele ponto em que já não vou querer saber desses papéis para nada, já que são ficções, efabulações, criações da cabeça das outras pessoas. Quando não me importar, sou feliz. Porque a felicidade é também a liberdade de existirmos como queremos, sem os papéis que nos destinaram no guião inicial.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5691451821047249003?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5691451821047249003/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5691451821047249003' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5691451821047249003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5691451821047249003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/os-papis-eu-sei-que-existe-um-lugar.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2312259545880398019</id><published>2007-07-21T11:55:00.000-07:00</published><updated>2007-07-21T11:56:24.844-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Paulo Post&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A expressão latina significa «um pouco depois», mas para mim, neste texto, pode bem significar «o post do Paulo» ou «depois do Paulo» - uma típica tradução que qualquer aluno do secundário (ou mesmo do ensino universitário) faria com gosto e dedicação.&lt;br /&gt;   O Paulo é o meu amigo Mongo. Eu sou a amiga Monga do Paulo. Não sabemos bem porque é que nos tratamos deste modo. Sabemos que não há qualquer desprimor nisso. O Paulo chamava-me assim por um motivo: eu era lenta e nunca percebia nada à primeira. Eu chamo-lhe Mongo porque ele me chama Monga – uma espécie de doce vingança. O Paulo é daquelas pessoas com jeito para quase tudo, aprende rápido e bem as novas tecnologias do mundo moderno, com uma destreza muito grande, que eu nunca tive. Ainda trato o Word com as suas funções mínimas e este blogue de moderno e diversificado nada tem (é o Pedro que coloca algumas imagens).&lt;br /&gt;   Eu e o Paulo podemos bem dizer «o mundo é um lugar estranho!». Porque é! Todas as pessoas em nosso redor sofrem de crises da mais variada espécie, o nosso cosmos vivencial é certamente um exemplo de diversidade. Conhecemos gente com problemas, com muitos problemas e com problemas extremos. Desde doidos a semi-doidos, todos passam nas nossas vidas, alguns são conhecidos comuns, outros existem na minha vida e eu partilho e saúdo a sua existência com o Paulo. O Paulo também me conta coisas das pessoas que conhece e eu não conheço. De famílias disfuncionais. De pessoas que estão para além do meu olhar e às vezes até do meu entendimento do humano. Eu e o Paulo conhecemos uma galeria tão variada de tipos que temos mais experiência do que muitos psicólogos que se dizem experientes. Vivemos nessa diversidade, não sei eu se por escolha se por acaso, ou se porque somos abertos à diferença e a deixamos entrar, mais do que isso, a espreitamos e queremos conhecê-la. Talvez seja isso. Somos curiosos e estudiosos do ser humano. Por vezes damos connosco metidos nos problemas existenciais dos outros, do outro que somos nós, também. Talvez todos nós tenhamos uma costela de anjo que muitas vezes esquecemos, de tão doloroso que é sair dos nossos próprios umbigos. Para mim é doloroso. Sou muito enclausurada na minha concha. Faz-me bem olhar. Faz-me bem ver. Faz-me bem ajudar seja quem for e como for, desde que saiba que estou a ajudar.&lt;br /&gt;   O Paulo é uma espécie de ponto assente na minha vida. É como se estivesse estado sempre ali, à mão de semear. Deve estar a fazer uns dez anos que o conheci, num tempo em que eu era tão imatura que metia medo a mim mesma. E até fugia de mim, tanto como fugia do mundo. Nesse tempo o Paulo já trabalhava para pagar o curso. Nesse tempo eu já gostava muito do Paulo. Não sei se hoje gosto mais porque acho que sempre gostei muito dele, mas acho que hoje sou mais madura – pelo menos um bocadinho – e posso apreciar melhor estar com ele e partilharmos as nossas mágoas mais profundas, as nossas expectativas (ou falta delas), o nosso desencanto com este país e observar a humanidade (ou a falta dela) das outras pessoas. Há uma coisa na vida que deve fazer sentido: as pessoas que escolhemos para estarem ao pé de nós. Como diz o Paulo, se continuam na nossa vida é porque temos uma lição qualquer a aprender com elas.&lt;br /&gt;   A Diana costuma dizer que eu e o Paulo estamos unidos por uma ferida aberta que nunca mais vai fechar: a morte dos nossos pais, do pai do Paulo, em 2000, da minha mãe, em 2001, em circunstâncias tão semelhantes que dói só de pensar. Não falamos muitas vezes disso, sabemos que não há nada a fazer senão recordar os nossos pais com carinho, pensar que estão e estarão sempre connosco.&lt;br /&gt;   Sabemos que os anos que sucederam à morte dos nossos pais foram secos e áridos, foram anos passados em solidão, introspecção, virados para o nosso sofrimento sem dizer grande coisa a ninguém. Às vezes acontece-nos ficarmos suspensos nesse silêncio, quase a dizer um ao outro «bolas, que azarados!», mas depois lembramo-nos dos nossos conhecidos e amigos que não têm sequer silêncio para se encontrarem consigo mesmos, que desconhecem os caminhos que vão dar ao âmago de si, ou dos conhecidos com vidas tão estranhas que nos deixam boquiabertos e tristes.&lt;br /&gt;   José Luís Peixoto tem um livro chamado «Cemitério de Pianos», que eu adorei ler. Quando descreve a morte do pai de uma das personagens, ele diz e bem, que não compreende porque é que o mundo continua, completamente indiferente à perda de pessoas tão importantes para nós. Para mim e para o Paulo é um pouco assim. Andar para a frente tornou-se mecânico e necessário para a nossa sobrevivência. Sabemos que se olharmos para trás ficaremos petrificados, como estátuas de sal. E sabemos que não temos outra hipótese senão a de andarmos para a frente.&lt;br /&gt;   O Paulo fundou há pouco tempo um blogue: &lt;a href="http://www.andmyman.blogspot.com/"&gt;www.andmyman.blogspot.com&lt;/a&gt;, no qual revela o melhor de si mesmo, desde pensamentos, poemas a desenhos, fotografias, escritos e notas várias. Fundou o blogue com o Zé. Neste blogue eu acho que o Paulo revela o melhor de si mesmo, que se traduz na busca constante de quem é, e nos intervalos lúdicos dessa busca, que são afinal parte dela, também.&lt;br /&gt;   Tenho centenas de cartas, desenhos e tenho até alguns trabalhos feitos só para mim pelo Paulo. São privilégios que o Paulo dá aos amigos, mas só aos mais chegados. Estou certa de que eu, Monga, sou uma dessas pessoas chegadas, de partilha de silêncios, de partilha de escutas atentas, de uma partilha variada de emoções, de pessoas, de situações. Muitas pessoas se movem no tabuleiro das nossas relações. Estamos todos vivencialmente em permanente movimento. Mas dê para onde der, o Mongo está perto da Monga e a Monga do Mongo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2312259545880398019?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2312259545880398019/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2312259545880398019' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2312259545880398019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2312259545880398019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/paulo-post-expresso-latina-significa-um.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1843519553892068999</id><published>2007-07-21T11:53:00.000-07:00</published><updated>2007-07-21T11:55:23.496-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Post'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1843519553892068999?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1843519553892068999/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1843519553892068999' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1843519553892068999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1843519553892068999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/blog-post.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-8739293896458182158</id><published>2007-07-08T14:30:00.001-07:00</published><updated>2007-07-08T14:30:51.737-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Feliciano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Na Faculdade existiam exemplos de sobrevivência que mais eram fósseis mal amanhados. Velhos desdentados, velhas poeirentas, gente de meia idade ou mesmo a cair para o lado, desde miúdos, dezoito para dezanove anos, que nos habituámos a ver aqueles espécimes todos. Uma que andava com uma muleta cheia de fitinhas era minha homónima: Fernanda, mas Fernanda-da-Muleta, para que nunca se confundisse comigo. Usava uma trança tão longa (e aparentemente sebenta) que ninguém sabia bem onde terminava. Nunca falei muito com ela, porque a senhora detinha um defeito que sempre detestei nas pessoas, sejam velhas ou novas: era graxista. Terrivelmente graxista, de tal modo que era capaz de chorar quando um professor aparecia no Jornal de Letras. Carregando o jornal na mão, enquanto coxeava, era costume dizer: «o professor está aqui e ficou muito bem na foto». Se isto não for graxa…&lt;br /&gt;   Havia outra a quem o Jorge chamava de «Esquilo», por causa de um corte de cabelo tão pouco moderno e um cabelo castanho tão ralo que parecia um esquilo. O Jorge geralmente entrava nas salas antes de as aulas começarem e trocava pastas e malas das velhas todas com um sorriso de satisfação. Quando as ditas velhas entravam na sala, ali estava o caos: onde se sentavam agora? Quais eram os seus lugares? O Jorge entrava então e lamentava aquela desarrumação, com um choradinho filho-da-puta ombro a ombro com elas todas. Isto até ter sido apanhado pelo «Esquilo», que furioso, melhor furiosa, o admoestou com um célebre «não se goza com as pessoas mais velhas». A partir daí o Jorge passou a gozar somente comigo, por ser míope, e com a Giana, por ser medrosa como só a Giana sabia ser (tal como eu, a Giana tinha medo das lésbicas, que naquela faculdade caíam do céu). Hoje em dia, o Jorge sabe que aprendeu com estas ditas senhoras mais do que aprenderá em toda a sua vida: sabe dar graxa, ser melífluo, parvinho, sabe repetir a última frase dos professores para lhes agradar e, no final do ano, recebe uma nota valente que, como diz a mãe dele «é dada por pena».&lt;br /&gt;   Havia mais espécimes terríveis. Um deles, a «Resistènce Française», chateava a Diana como mais ninguém conseguia e depois ainda vinha pedir desculpa. A Diana era a grande confidente dela, sabe-se lá porquê, de tal forma que a «Resistènce Française» (de nome Sílvia, o cognome fora dado graças à boina que usava, colocada de lado na cabeça) um dia lhe contou que «há muito tempo não tinha homem».&lt;br /&gt;   Todavia, ninguém, em todos estes anos, e provavelmente séculos passados, se comparou a essa figura desdentada e imparável: o Feliciano. A mim o nome lembrava-me o poeta ultra-romântico Feliciano de Castilho. Mas qual quê…O Feliciano sempre foi velho. Se ele algum dia tiver sacado de uma fotografia novo, alguém se deve ter rido, porque ele deve ter nascido velho e velho morrerá. Bem, morrer não é bem a especialidade dele. Todos têm uma história com o Feliciano, porque todos já o viram algures, a deambular pela cidade: no comboio, no metro, no Atrium Saldanha, na BN. Por muito engraçados que sejam os anões, o Feliciano suscita a veia cómica que existe em todos nós, porque nos coloca uma questão existencialmente válida: ele está mesmo vivo? Como? Ele fuma que nem um desgraçado, bebe café, esquece-se onde tem os livros, também não se lava, isso já quase todos demos conta. Segundo a Diana, ele dormia nas aulas e odiava ser acordado. Se fosse acordado, ralhava com o pessoal num francês perfeito. Segundo a Paula, ele enganava-se nas salas de aula e não via nada para o quadro (mas isso eu também não e o Jorge gritava que me dava uma palmada que me saltavam as lentes). Todos nos formámos há sete, oito anos ou mais. E o Feliciano foi colega de todos nós. E todos continuamos a ver o Feliciano. É um exemplo de longevidade ou quiçá de como o cérebro, quando é estimulado, também conserva o corpo. Nem sei bem…que histórias se escondem por detrás deste homem? Tanto que eu gostaria de o entrevistar, visto que é uma preciosidade genuína da Faculdade de Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-8739293896458182158?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/8739293896458182158/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=8739293896458182158' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8739293896458182158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8739293896458182158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/feliciano-na-faculdade-existiam.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-6557603418484192114</id><published>2007-07-08T14:27:00.000-07:00</published><updated>2007-07-08T14:29:50.618-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu gabinete&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Trabalho num gabinete fechado e pequeno, sozinha: é quente, escaldante, arde em brasa no Verão. É gelado no Inverno. No Inverno trago mais um agasalho (tal como o meu colega do lado, que sendo muito menos friorento, também se queixa). No Verão trago uma ventoinha, enquanto destilo com 45º à sombra. Mas adoro. Adoro o meu gabinete desarrumado, estupidamente frio no Inverno e estupidamente quente no Verão, cheio de papéis desarrumados, dossiers espalhados pelo chão. Aqui lancho, falo sozinha, vou comprar revistas que às vezes leio à hora de almoço, telefono a quem gosto e vou de vez em quando ao messenger desabafar.&lt;br /&gt;   Este gabinete é um empréstimo. Para o ano, por esta altura, volta a estar vazio, ou melhor, eu não estou cá, mas outras pessoas estarão, com outras teses, outros trabalhos, outros destinos ou simplesmente a fumar um cigarro.&lt;br /&gt;   Naturalmente que para eu dizer que este gabinete é porreiro é porque já estive em sítios muito piores, que me deram água pela barba. Todos os sítios que, de início, me parecem impecáveis, são, normalmente, uma grande porcaria. Já tive num sítio lado a lado com a minha casa e não passava de uma cave onde se davam aulas barulhentas. Nunca tive tanto sono e tanta vontade de voltar para casa como quando trabalhei aí. Já estava naquela fase pela qual os professores passam, mais tarde ou mais cedo, sobretudo se tiverem alunos crianças: chegamos a odiá-los pelo simples facto de respirarem tanta burrice, tanta palermice. Perguntamos mesmo porque é que eles não são como no «nosso» tempo, no tempo em que quem nos dava explicações eram os pais e à tarde podíamos ir brincar. Agora há os ditos «centros de explicações», que são pau para toda a obra e se destinam, em primeiro lugar, a sacar dinheiro aos pais e a dividi-lo bem mal dividido entre donos de centros de explicações e professores semi-desempregados (ou totalmente desempregados).&lt;br /&gt;   Concorri a tantos centros de explicações, centros de formação, escolas de todo o género, que cheguei à conclusão inequívoca que ou o meu currículo não lhes agradava ou nem o viam sequer. Nos centros de explicações eu conheci o verdadeiro significado da palavra «exploração». Não por trabalhar muitas horas, raramente trabalhei mais de quatro horas seguidas, mas por serem horas péssimas, mal pagas, com más condições, sentada lado a lado com professores de ciências e de matemática; enquanto dava Gil Vicente ouvia equações e fórmulas, enquanto dava figuras de estilo ouvia o aparelho digestivo, enquanto dava Camões e Pessoa ouvia palavrões dos miúdos. E claro que não gostava. Não era só criancice dos miúdos, era criancice dos adultos donos de centros de explicações, que queriam encher o saco à conta desta palerma, que dava 5º ano como dava 8º ou 12º anos. No máximo, eu fazia ali sessenta contos. Raramente ultrapassei essa fasquia, excepto quando havia exames. 300 euros. Para fazer mais do que isso, arranjei alunos fora dali, portanto dali saía para Lisboa ou vinha de Lisboa para ali, ou Linda-a-Velha. Ao final do dia, eu não via nada (e não me refiro à miopia)… Cheguei também a fazer Oeiras-Malveira da Serra noutro centro de explicações para esquecer, onde trabalhei numa vivenda pequena, com três salas mínimas e outra no sótão. Ali cheguei a ser paga de seis em seis meses.&lt;br /&gt;   Um dia meti na minha cabeça uma evidência que não é assim tão óbvia: qualquer coisa era melhor do que «aquilo». Quando estamos chateados, zangados, lixados com a vida pensamos assim mesmo. Quando surgiu a oportunidade desisti, e confesso que, se soubesse o que sei hoje, teria desistido muito antes, porque o target de aguentar tudo de todas as maneiras valeu-me um estado de espírito depressivo e um estado físico dilacerado. Não queria mais ver alunos, pais de alunos, outros professores, como eu, piores do que eu, melhores do que eu ou…advogados e engenheiros que também eram «professores» para ganhar uns trocos.&lt;br /&gt;    A minha transição profissional para este gabinete não foi simples e muito menos rápida do que eu esperava. O simples facto de receber dinheiro sempre no mesmo dia do mês (coisa habitual para a grande maioria das pessoas) outra vez, como no ano em que estagiei, causou-me espanto…&lt;br /&gt;   Sempre achei, perante as pessoas que conheço, que não tinha grande capacidade de sobrevivência. Quer dizer, nunca fui de aceitar qualquer trabalho e talvez isso me tenha estupidificado na célebre arte do «desenrascanço». Mimada, achava que só sabia dar aulas e pronto. Depois conheci as minhas colegas/amigas de mestrado e vi uma realidade muito diferente: desde cedo todas tinham trabalhado para pagar o curso, aceitavam o que calhava e estavam ali a fazer mestrado ao mesmo tempo que trabalhavam noutras coisas completamente diferentes.&lt;br /&gt;   Na realidade, há muitas coisas que nos parecem improváveis que, se tentarmos e formos teimosos, até conseguimos alcançar. Demora mais, exige mais treino, esforço, capacidade de sobrevivência e, acima de tudo, vontade. Vontade de ir até às coisas, mas também paciência para esperar por elas.&lt;br /&gt;   Hoje não penso muito em como seria a minha vida se desse aulas. Prefiro não pensar, dado os exemplos dos meus colegas professores. Seria difícil gostar mais disso do que deste pequeno e sujo gabinete. É o meu. Pelo menos até ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-6557603418484192114?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/6557603418484192114/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=6557603418484192114' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6557603418484192114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/6557603418484192114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/o-meu-gabinete-trabalho-num-gabinete.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-8804285296986370580</id><published>2007-07-01T15:54:00.001-07:00</published><updated>2007-07-01T15:54:44.195-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As ideias que me vêm à cabeça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Hoje veio-me à cabeça uma das maiores diferenças entre vida e escrita. Evidente que vão achar a questão inútil. Vida é uma coisa, escrita é outra. Mas qualquer escritor que goste de escrever chega rapidamente a uma conclusão: não é assim tão diferente, melhor, confundem-se muitas e muitas vezes e nem sempre andam em paralelo. Há casos em que andam em paralelo, mas não me estou a lembrar de nenhum…&lt;br /&gt;   O meu caso é duro, por assim dizer. A poesia não é o conjunto de lugares in-existentes onde eu gostaria um dia de ir. A poesia é onde eu estive ou onde eu estou. Uma espécie de respiração que exige treino, prática, ioga até. Por outro lado, na poesia deixo-me ir, perco muito a postura. Ou gostava de perdê-la.&lt;br /&gt;   Descobri, enquanto lia vários blogues de outras pessoas, o que difere a minha escrita da minha vida. A ética e a moral. Na vida eu tenho-as. Na escrita estou só a fingir. Gostaria muito mais de descrever o olhar de um assassino, o de uma prostituta de rua, o de uma adúltera, o de um pedófilo, ou simplesmente o olhar de uma pessoa completa e feliz. Mas não consigo porque não sou nenhuma destas coisas e não escrevo tão bem que me permita fingir uma coisa que não sou.&lt;br /&gt;   Desde cedo habituei-me a ouvir. Ouvindo pode reflectir-se nas questões e depois acabar um dia por percebê-las. Nesse lapso de tempo, que pode ser a vida toda, pode-se escrever tudo de todas as maneiras. Não há uma conclusão final. A conclusão final é sempre o lugar comum: «corre sempre tudo bem», «há castigo para os maus», «eu até tinha razão», «não merecia isto». Eu também acho estas coisas todas. Mas é quando não escrevo e me disfarço em futura doutoranda à procura de papéis na secretaria tão importantes que me tiram o sono e a visão de futuro e me fazem pensar «mas que mal fiz eu a estas funcionárias públicas?» que eu não sou eu. Quando não me disfarço disto, quando não sou filha, neta, irmã, esposa e nora de alguém, aí, nesse lugar fora deste lugar, eu sou mesmo eu. E não tenho disfarce algum acerca de mim mesma. Portanto, já me perdi de mim, mas voltei-me a achar uma centena de vezes. Perco-me de mim quando tenho dores de dentes, comichão nos olhos, calor ou frio descomunais, quando vou à secretaria e à biblioteca. «Aquilo» não sou eu. Eu sou mais. Muito mais. Uma porrada de coisas a mais. Eu sou eu papéis, dores e cansaços à parte.&lt;br /&gt;   Não gosto de manter éticas na escrita. Nem moralizar. Mas como a escrita me acompanha enquanto ser humano, ela vai reflectindo essas nuances pouco a pouco. Portanto, um ser execrável na vida real pode dar um bom romance. Tudo são comportamentos, codificados em ADN ou pertencentes à vulgar esperteza humana. Tenho-me sentido tão sozinha sempre que julgo pessoas e as divido em «filhas-da-puta» e «não filhas-da-puta». É que já ninguém faz isso…&lt;br /&gt;   Já em criança havia alguém de quem eu não gostava, ou um rapaz parvo ou uma miúda com brincadeiras torpes. Mas todos dariam óptimas personagens de contos, histórias, romances amorais, imorais, e outras merdas que eu nunca consigo ser. Quem me disse que eu nunca fui amoral ou imoral? Eu própria. Um dia fui à psicoterapia e mandaram-me pensar na minha vida em perspectiva sem julgar os acontecimentos como «bons» ou «maus». Não consegui. Moralizei até ao mais ínfimo pormenor. Sou uma pessoa moral. Não sou fechada, nem pateta. Moral pressupõe «boa intenção para com o próximo». Para mim, claro. Quem não tem está excluído do jogo que é a minha vida. Ou há armas limpas ou não vale jogar. Respeito a minha forma de pensar – que remédio! – mas não gosto. Um pouco mais de trapaceria, imoralidade, optimismo parvo e megalómano far-me-ia bem. Dava logo para ignorar metade das pessoas que conheço num ano de vida.&lt;br /&gt;   Sou muito pessimista. Acho sempre que o espermatozóide que chega ao óvulo é aquele que tem mais defeitos, apesar de ser o mais forte, o mais rijo, aquele que chega lá. Acho que poucas pessoas se deitam mesmo na cama que fazem. Acho que é mentira que cá se fazem cá se pagam – nunca vi ninguém pagar, a menos que seja parvo. Acho que temos de lutar imenso para sermos aceites pelas pessoas que, à partida, melhor nos deveriam aceitar e proteger. Acho a vida uma perfeita injustiça sem explicação, que nenhum livro pode realmente explicar…&lt;br /&gt;   Há muito por fazer para a vida voltar a ser divertida. Mas há dois caminhos que sei que vão lá dar sempre: a leitura e os amigos. Ler é das melhoras coisas que existe. Consigo ler no metro, no comboio, nos bancos do metro, perspectivar as coisas, distrair-me, rir-me, deleitar-me, ir a correr contar a alguém o que li. Ouvir e observar também é bom, já aqui o disse. Mas os amigos ainda são o melhor que a vida traz. Existe qualquer coisa neles que os faz estarem presentes, «ali», onde deviam estar. Muitas vezes, por questões de educação e até de proximidade, os pais, os irmãos, os avós, não conseguem isso. Por vezes nem temos boas relações com essas pessoas a quem estamos, irremediavelmente, ligados para toda a vida. No fundo, se pudéssemos escolher, escolheríamos mesmo «aquelas» pessoas para nosso pai, mãe, irmão? Por vezes, parecem pessoas estranhas, que nada nos dizem. Por vezes, são pessoas que me enraivecem por isso mesmo. Ficam inertes quando se devem mexer, mexem-se e falam quando não devem. Porque é que as avós estão sempre tão preocupadas se os netos estão ou não mais gordos, mas nunca lhes perguntam se são felizes na vida que levam?&lt;br /&gt;   A família é uma questão que me angustia sempre muito, tipo maldição, tipo filme de terror, pela capacidade que tem sobre nós, que é eterna. Na família nascem traumas, tabus, preconceitos, estereótipos, protótipos, problemas de auto-estima, etc. Mas temos de ter família. E se não tivermos, vamos à procura de uma. Está codificado. Organizamo-nos assim, regra geral, e muito poucos falham a este requisito social.&lt;br /&gt;   É muito mais fácil ter amigos do que família. Os amigos, se falharem como nossos amigos, podemos sempre arranjar outros. A obrigação que temos para com eles é muito menor (a dívida é sempre mais pequena: não nos amamentaram nem pagaram casa toda a juventude). Podemos estar disponíveis ou não, mas em princípio não seremos tratados como depósitos de frustrações e de furos existenciais. Mas com a família…será que podemos negar as expectativas elevadas que recaem sobre nós? Com a família, o conceito de liberdade é outra fruta.&lt;br /&gt;   Eu acho que o segredo da felicidade é este: descobrir em que lugar somos felizes. Se esse lugar for dentro e não fora de nós é porque já somos felizes. Como diria José Saramago «Eu sou feliz, o mundo é que não».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-8804285296986370580?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/8804285296986370580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=8804285296986370580' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8804285296986370580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8804285296986370580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/as-ideias-que-me-vm-cabea-hoje-veio-me.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3371308472402813758</id><published>2007-07-01T15:53:00.000-07:00</published><updated>2007-07-01T15:54:06.494-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Duas faces da mesma moeda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A revista «Sábado» publicou há bem pouco tempo um artigo intrigante acerca da princesa Diana, que faria em breve 46 anos. A princesa Diana é a 4ª figura britânica votada como personalidade importante, ou seja, no concurso «o maior britânico de todos os tempos». À frente dela ficou, pelo menos que eu saiba, Churchill. Portanto, faz parte da nata que cai no goto dos ingleses: simpática, bonita, boa pessoa, humana, sensível e…muito frágil. Uma mulher com um casamento desfeito, uma vida (e uma morte) a mil à hora, mas um coração despedaçado pelas traições do marido.&lt;br /&gt;   Desde há muito que se fala que Diana sabia mais do que parecia, era mais do que parecia, manipulava, abusava da exposição dos media e deitou-se na cama larga que tratou de fazer ao longo da vida. Quando os repórteres começaram a maçá-la, quando decidiu que queria ser feliz (e com quem o queria fazer) foi tarde de mais: morreu perseguida por um bando de papparazzi, que em vez de a socorrerem procuraram «a fotografia do ano»: Diana feia e despedaçada num carro onde viajava com o acompanhante Dodi Al-Fayed. Vieram a lume teses de atentado, de perseguições feita à princesa, que na altura estava de férias em Paris.&lt;br /&gt;   Duvido sinceramente que ela tivesse planeado um fim assim, acima de tudo por uma razão: tinha filhos. Que filhos podem alguma vez gostar de perder a mãe? Que filhos podem gostar de uma mãe exposta ao ridículo de uma panóplia de amantes e um pai que nunca largou a amante? Nunca entendi como aqueles miúdos ficaram vivos e de pé, mas custou-me imenso ver o cortejo fúnebre com eles os dois certinhos a caminharem atrás do caixão da mãe, sem esbracejar, gritar, arrancar cabelos. Dois miúdos homenzinhos para quem os pais nunca foram grandes exemplos. Talvez por isso, pai e mãe, quisessem assentar cada um para o seu lado.&lt;br /&gt;   A «Sábado» publica o outro lado da moeda. Quem era, afinal, Diana? Uma coitada ou uma manipuladora? Ou uma coitada de uma manipuladora que caiu nas malhas do seu próprio jogo? Mais isso. Chorava que os repórteres a perseguiam, mas oferecia-lhes almoço e combinava fotografias escandalosas com eles. Vingava-se na cunhada, Sarah Fergunson, que odiava, autoproclamando-se mais bonita, pedindo que a fotografassem mais vezes. Chorava que Carlos a traía, mas em diversos momentos importantes tirou-lhe visibilidade e…traiu-o também com diversos amantes a quem intensamente telefonava e oferecia favores. Ficou rotulada de «predadora sexual», rótulo distante da imagem tradicional de mulher boazinha, traída por um marido desinteressado e desinteressante.&lt;br /&gt;   A mim Diana parece-me uma mulher perdida e frágil. Hábil na sua experiência mediática de figura pública, inábil a lidar com as suas emoções e auto-estima destruída. Classificou a família real, em diversos telefonemas que fez a amantes como «uma família de merda». Por diversas vezes foi afastada de actos oficiais e praticamente forçada ao divórcio pela rainha. Instável, desequilibrada, sedutora, mas ao mesmo tempo uma figura doce, sensível, humana. Afinal, uma mulher como outra qualquer, que não soube jogar com as regras ferozes da sociedade, dos media, da exposição pública, do olhar dos outros que pesa sobre nós. Mas engraçado…nunca ninguém a classificou como má mãe, aparecia sempre de braços abertos para os filhos, corria para eles, participava despudoradamente em jogos escolares banais, acompanhava-os e mostrava-lhes um amor desmedido. Duvido muito que tenha fingido isso, se não os filhos não se teriam remetido tantos anos ao silêncio e organizado um concerto em homenagem à mãe, com as seguintes palavras «as pessoas nunca saberão o quão boa pessoa e boa mãe ela era». Uma moeda com duas faces. Como todas.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-3371308472402813758?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/3371308472402813758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=3371308472402813758' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3371308472402813758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3371308472402813758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/duas-faces-da-mesma-moeda-revista-sbado.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-7795219252007457252</id><published>2007-07-01T15:51:00.000-07:00</published><updated>2007-07-01T15:53:21.553-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cama onde nos deitamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Muitas vezes dou comigo a pensar que deve ser bom ser monge budista. Quer dizer, não me interpretem mal, eu acho que dá um trabalhão ser budista, quanto mais monge.&lt;br /&gt;   A vida é um lugar estranho. Por vezes incita-nos a pensar «o que ando a fazer por cá?». Inevitavelmente, se não somos felizes, achamos que merecemos ser, mesmo que isso signifique chacinar alguém. Arno Gruen estuda bem os processos de auto-desprezo reflectidos na sociedade: quem atira papéis ao chão também não parece muito preocupado consigo mesmo. A atitude que temos com o mundo é a atitude que temos connosco, disso eu não tenho dúvida, e a regra é o desprezo pelos sentimentos dos outros, que o mesmo é dizer, o desprezo pelos nossos sentimentos. No fundo, quem não indaga vezes sem conta quem é e porque é, só chega a um lugar: a solidão. Muitas vezes há alguém disposto a dar uma mãozinha, mas enfurecemo-nos porque, na realidade, não está ninguém ali. Está um autómato criado para servir, não um pai, um filho, um amigo.&lt;br /&gt;   Pessoas que se odeiam a elas mesmas, vão gostar de quem? Não falo de crises de auto-estima ou tentativas de descoberta de identidade tardias. Falo a sério: pessoas que se desconhecem, que desconhecem os seus erros e o quanto magoam os outros, só têm um lugar onde viver: a dor. Não quero ser má e pensar «é bem feita». Quero sim pensar seriamente numa coisa: todos nos deitamos na cama que fazemos. Por isso eu tenho tanto cuidado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-7795219252007457252?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/7795219252007457252/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=7795219252007457252' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7795219252007457252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7795219252007457252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/07/cama-onde-nos-deitamos-muitas-vezes-dou.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4698226514415446695</id><published>2007-06-15T14:53:00.000-07:00</published><updated>2007-06-15T14:55:46.392-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Já há uns dia para cá que reflicto sobre a vida mais do que é costume. Nunca sei se isso acontece porque estou mais em baixo, porque preciso, porque sou coerente, porque me assumo ou simplesmente porque pressinto coisas com muita velocidade e muita rapidez. Muitas vezes não durmo a pensar no momento. «E se…?». E há milhares de respostas que se abrem à minha frente.&lt;br /&gt;   Em 2004 fui assaltada. Uma coisa parva mesmo. Às vezes não temos a culpa, vamos distraídos na rua a alguém aparece com uma faca, saca-nos o dinheiro. Ficamos a pensar: “ Porquê? “. Não sabemos. Muitas pessoas são assaltadas e têm pior sorte. Acabamos com um certo regozijo por não ter acontecido nada de grave. Gosto pouco de falar da vez em que fui assaltada, mas foi o carro roubado. Com tanto banditismo e eu tinha de me pôr, irresponsavelmente, à beira da estrada no carro com o meu namorado. Muitas vezes penso «Porque é que fui tão estúpida?», muito mais do que «Porque é que fui assaltada?», já que dei como óbvio que ali, àquela hora, só não seria assaltada por uma grande sorte. É curioso que nos momentos seguintes é que fiquei em pânico, porque, no próprio momento, eu ouvi uma voz dentro de mim que me descreveu rapidamente a vida: “ Não te vai acontecer nada hoje, mas aprende, tudo tem consequências. Agora descansa. “ Na verdade, aprendi a ser muito mais prudente do que fora até esse momento, a temer um pouco mais andar de noite, mas acima de tudo, aprendi a ouvir a minha voz interior que distingue o certo do errado.&lt;br /&gt;   Por vezes um momento é decisivo na vida e não volta mais. Às vezes o momento é a casa que decidimos ter, a vida que decidimos levar ou, como diz o BossAC, em cinco minutos faz-se um filho. Não precisamos de mais de cinco minutos para ver a vida desgraçada: há acidentes que duram segundos e mudam a vida para sempre, seja deixar uma torneira aberta, não usar contraceptivo, parar o carro à beira da estrada ou brincar com fogo. No mais recente caso da Madeleine, quantas vezes acham que os pais já devem ter pensado «Porque raio deixámos os miúdos sozinhos em casa naquele dia?». Se a minha mãe tivesse decidido fazer uma mamografia há muitos anos atrás talvez não tivesse morrido, assim como muitas outras pessoas que fogem do médico a sete pés. Somos desafiados muitas vezes num momento só: uma arma apontada à cabeça, uma pessoa que nos provoca, uma decisão qualquer que temos de tomar em cima da hora. Chama-se impermanência a esta característica da vida, que é mutante, volátil, que se perde e se ganha em minutos, segundos, fracções de segundo. E só acompanhando esse ritmo podemos aprender a viver. Nada fica para sempre no mesmo sítio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4698226514415446695?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4698226514415446695/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4698226514415446695' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4698226514415446695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4698226514415446695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/06/o-momento-j-h-uns-dia-para-c-que.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2558799078624064489</id><published>2007-06-12T15:52:00.001-07:00</published><updated>2007-06-12T15:52:45.755-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A data&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Detesto muitas datas instituídas e quase toda a gente que me conhece sabe isso de cor. O Natal e a Páscoa, a passagem do ano e por aí fora. Das poucas datas que aprecio são as dos meus anos e as dos meus amigos. Todavia, das piores datas que recordo são sem dúvida as das mortes das pessoas próximas: a minha mãe e o meu avô. Tristemente sei que não há nada a fazer, não há a hipótese de ignorá-las. Com os anos dilui-se a vontade de «encomendar» missas ou ir pôr flores às campas. Mas com os anos aprende-se a moderar o sofrimento, a fazer o luto da existência que tivemos, a saber gerir quem somos, aceitando-nos, sem arrependimentos pelo meio. Isso significa uma visão libertadora da vida. A culpa, o arrependimento, a frustração de não recuperar momentos perdidos de nada servem se não para aprendermos a continuar.&lt;br /&gt;   Dia 11 de Junho de 2001, às 16h20 ou muito próximo disso, estava eu na Clínica de Santo António a observar a minha mãe em agonia. Encontrei-me comigo mesma, completamente sozinha, frente a frente com a morte, e curiosamente, não fugi. Colada ao chão, nem pensava «porquê?», ouvia uma voz dentro de mim que soprava isto «Aprende, amanhã podes ser tu». É estranho, mas a grande maioria das pessoas não dá importância a esta voz. Ouve tudo menos aquilo que deve. E limita-se a continuar, que é afinal o que toda a gente faz. Tornamo-nos autómatos. Foi a época em que mais precisei de ajuda e não consegui ajudar. E tenho pena, alguns mereceriam mais a minha ajuda, mas eu não estava bem ali, andava a pairar, e muitas das coisas desses primeiros tempos eu já esqueci. Outras não e são muito curiosas: por exemplo, estranhar que se gastasse tanto dinheiro com a comida, que a casa andasse sempre suja mesmo quando eu a limpava, ou mesmo chegar à cozinha para contar alguma coisa à minha mãe, como fazia todos os dias, e ela não estar lá. Também pensava como se sentiria o meu pai, igualmente abandonado em mil afazeres. E pensava «e agora? Se o meu pai morre?». É estúpido porque eu não era nenhuma menina quando isto aconteceu. Tinha 24 anos. Mesmo assim saiu-me o tapete debaixo dos pés. Que burrice não saber sobreviver aos 24 anos!...&lt;br /&gt;   Cheguei aos 30 anos com uma expectativa muito menos elevada das pessoas e muito mais realista (acho) do mundo. Ainda confio nas pessoas e tenho fé na vida, ainda sou positiva e optimista em muitas aspectos (pelo menos quando me comparo com alguns pessimistas de estirpe), mas sei sempre que a principal mensagem me acompanha todos os dias: acima de tudo defender-me, defender aquilo em que acredito, ter consciência. A consciência é a base da iluminação. Leiam «O Livro Tibetano da Vida e da Morte», de Sogyal Rinpoche, é dos melhores livros que já vi, porque explica a morte e a vida e mesmo para mim, que não acredito na reencarnação, muitas das coisas que ali estão parecem fazer sentido. A acreditar nos meus estados de semi-consciência (os célebres bardos) eu beneficiaria em fazer meditação, conseguiria uma iluminação superior. Por enquanto, só observo e escrevo, só penso e sinto, como todos os outros seres humanos, e os sítios onde chego já não me parecem nenúfares que flutuam, mas estacas seguras.&lt;br /&gt;   A iluminação de espírito não vem com o tempo nem com a experiência de vida: vem com a consciência. Muitas pessoas atingem estados de iluminação bem cedo, o que segundo os budistas quererá dizer que reencarnaram muitas veze e estão muito mais preparadas para encarar a vida do que a grande maioria das pessoas.&lt;br /&gt;   No livro de Sogyal Rinpoche, ele descreve a história curiosa de um dos seus mestres, que chora copiosamente cada vez que há uma passagem de ano. Interrogado do porquê de tal facto ele responde: “ Lembro-me que as pessoas envelhecem e cada vez estão menos preparadas para a morte “. Esta frase indicia um facto curioso: quanto mais nos aproximamos da morte mais a tememos, por isso odiamos tanto envelhecer. Depois há o discurso célebre de que a idade traz não só memórias mas muita maturidade, e não é bem assim. Há muita gente que fica simplesmente onde está a vida toda, tornando-se obtusa e à medida que envelhece o esclarecimento parece fugir das mãos. Portanto, se não é a idade, a passagem do tempo que traz iluminação, o que nos traz iluminação senão a vontade de percorrer o caminho de forma justa e honesta?&lt;br /&gt;   Sou daquelas pessoas que acha que nunca é tarde para aprender. Muitas vezes, tarde e a más horas, quando nos apetecia descansar da vida, somos confrontados com um problema que nunca demos conta, uma falha nossa, por vezes grave e temerosa. Se não podemos corrigi-la, podemos alcançá-la, percebê-la, transformá-la. Basta querer. Se me disserem que às vezes é tarde, eu vou concordar. Se me disserem que às vezes as falhas são muitas e já não vamos a tempo de consertar todas, eu vou concordar também. Todavia, nada disso é desculpa para não tentarmos.&lt;br /&gt;   Porque escrevo, ou porque observo, ou mesmo pela influência que sempre a literatura teve na minha vida, sempre achei que tudo é uma lição, uma metáfora, uma alegoria. A minha mãe é uma alegoria magnífica: a morte dela ensinou-me que temos de saber fracassar, aceitar o sofrimento como parte integrante da vida, mas também me ensinou a nunca desistir. Lembro-me que depois de a minha mãe ser operada, impedida de mexer o braço direito, começou a aprender todas as tarefas com o braços esquerdo. Portanto, muitas pessoas deveriam aprender, como fez a minha mãe, a mexer o braço esquerdo, ou aquele a que damos menos uso, menos valor, o que está mais quieto, mas que está ali, é importante, precisa de ginástica e o qual esquecemos ao longo da vida que é parte integrante do corpo. Assim são muitas coisas na vida: esquecemo-nos delas mas temos a oportunidade de utilizá-las anos mais tarde, quando já estamos ferrugentos.&lt;br /&gt;   Tal como as nossas casas, tornamo-nos muitas vezes empilhadores de lixo: o lixo emocional, o nosso e o dos outros. Acumulamos palavras, actos, ansiedades do que vai acontecer, do que nos disseram ontem, o que nos vão dizer amanhã. Eu vivo assim e reconheço que não ajuda, não é certo e que tenho muito a mudar dentro de mim até chegar ao ponto em que entenderei que eu sou eu e ninguém destrona isso. Não é uma visão egocêntrica, porque eu posso ser eu e continuar a perceber que no universo sou um ponto muito pequeno, que faço parte de um puzzle universal muito grande. A humildade é a base de qualquer caminhada. O resto é como sempre ouvi: o caminho faz-se caminhando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2558799078624064489?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2558799078624064489/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2558799078624064489' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2558799078624064489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2558799078624064489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/06/data-detesto-muitas-datas-institudas-e.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4016611791744636635</id><published>2007-06-03T12:55:00.001-07:00</published><updated>2007-06-03T12:55:37.790-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Palavra de homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Às vezes os homens têm razão. Por exemplo o meu pai. O meu pai é dono de quase toda a razão do mundo e tem um sentido de humor fantástico. Dizem que os pais são para as meninas o seu modelo de homem para o futuro. O meu não é bem. Gosto de sentido de humor e de razão, mas também gosto que um homem esteja do meu lado, me defenda e apoie e que saiba fazer qualquer coisa em casa. Será pedir muito? Não, acho que hoje em dia os homens já têm de vir com esse pacote, ou então molda-se.&lt;br /&gt;   Os homens são muito filhos de mãe. Não filhos da mãe. Um filho de mãe é um bebé grande e mimado, que joga playstation e vê pornografia no computador em vez de ir pôr a mesa, mesmo depois de seis berros da mulher (lembra-vos alguma coisa?), aos trinta, quarenta anos. O bicho homem é muito engraçado, mas ficar sozinho tá quieto, precisa sempre da sua Eva ao pé para lhe dizer «é desta árvore que deves comer maçãs». Um homem precisa muito de uma mulher. Uma mulher também precisa de um homem, naturalmente, até porque não se reproduz sozinha e os bancos de esperma não têm piada nenhuma. Mas uma mulher, mesmo quando é dependente, sabe ser independente. É o que eu acho. A minha avó toda a vida dependeu financeiramente do meu avô e nunca fez nada do que ele lhe disse. Digamos que uma mulher saber manipular um homem com uma habilidade inigualável.&lt;br /&gt;   Então vamos começar pelo meu pai. Não posso dizer que a minha mãe não se queixasse das suas ausências. O meu pai nunca soube fazer grande coisa na cozinha e na casa. Hoje em dia, quando o visito, as panelas têm teias de aranha. Quando a minha mãe lhe dizia para aspirar a casa, ele fazia isso, mas pelo meio via televisão e contava anedotas. Eu devo ter saído a ele, porque a lida da casa, hoje em dia, diverte-me. A minha mãe não achava piada nenhuma à lentidão do meu pai e aspirava a casa novamente, melhor e mais rápido. Mas isso era a minha mãe. E isso eram outros tempos. A minha mãe trabalhava aos Sábados de graça para a Segurança Social da Amadora funcionar decentemente, vinha para casa fazer o almoço, a lida da casa e muitas outras coisas. Quando um dia a vi em casa aos Sábados soube que era mau sinal. Estava doente.&lt;br /&gt;   Quando a minha mãe morreu, o meu pai reuniu a família, mãe, filhos e ele próprio (só quatro) e disse uma frase que me marcaria para sempre: “ Ninguém comete o erro de ir atrás da mãe. Cada um tem a sua função no mundo. Ninguém comete disparates “ Quer dizer, a minha mãe ia morrer e nós estávamos proibidos de segui-la. Palavra de pai, sempre disponível, porque quando eu era miúda e chamava pela mãe vinha ele e dizia “ Pode ser o pai? É que estou disponível “. Claro que o vi chorar. Imagino (ou não imagino) o que é perder a companheira de uma vida inteira. Mas nunca o vi vacilar muito, manteve-se firme, quer-me parecer que sempre acreditou no amor, na paixão, no enamoramento (do mais ingénuo que há), e acima de tudo na vida que ainda tinha para levar. O meu pai é daquelas pessoas a quem ocorre a piada mais estúpida no momento mais solene. Passados dias da morte da minha mãe passou por nós uma carreta funerária. Em vez de ficar triste, ele virou-se para mim e comentou com um sorriso: “ São confortáveis lá dentro, não são? “. E desatámos a rir.&lt;br /&gt;   Tenho poucos amigos homens. Gostava de vos dar uma razão para isso. Mas não tenho. Só se for qualquer coisa subconsciente: uma educação repressiva por parte da minha avó, por exemplo. Mas todo o meu percurso foi com mulheres, amigas, professoras, avó, mãe, que tiveram muito mais influência sobre mim do que pai, avô, amigos, irmão. Mas eles têm um segundo plano simpático, na minha vida, talvez pela relação ingénua que tenho com eles. Parece que com as mulheres sou uma pessoa mais séria, mais confidente, mais exigente, até. Sim, é isso. É porque sou uma mulher. Exijo delas o que exijo de mim: fidelidade, sinceridade, armas limpas. Talvez não fique tão surpreendida com a traição masculina, mas fique horrorizada com a traição feminina (na amizade). Talvez eu ainda seja um subproduto da minha educação machista. Que mau ter descoberto isto…&lt;br /&gt;   Para além do meu pai (e do meu avô) há o meu irmão. Mas é uma relação séria com superfície de brinquedo, porque geralmente encontramo-nos para dizer e fazer asneiras, contar piadas com séculos sobre pessoas já mortas, lançar à cara ofensas antigas. O que há por baixo disso ninguém sabe e nós também não exploramos muito, porque a vida é tão séria que mais vale brincar…&lt;br /&gt;   Mas amigos, tenho poucos. Anda pelos três, quatro homens, que posso considerar amigos e confidentes, com marido incluído. Ao contrário do que possamos pensar, sobretudo por estereótipo e imposição social, um homem pode ser um confidente sábio, sensato e muito importante para uma mulher. A sua palavra pode representar ouro, não só pela preocupação que manifesta, mas também pela perspectiva do «outro». Sim, porque a maior parte das mulheres tem problemas nas suas relações com homens e gosta de tagarelar sobre isso vezes sem conta. Gostamos de perceber se somos ou não somos a regra, se as outras pessoas têm problemas semelhantes e se há uma fórmula resolvente para cada assunto, que evidentemente nunca há, porque vemos casamentos desmoronar a toda a hora em relações fortes mas casamentos durarem em relações assentes em estacas de papel. Viver com o inimigo também é comum, o que há mais são pessoas doentes, controladoras, possessivas, que vêem nos outros um meio para chegarem a algum lado. Mulheres que se tornam objectos nas mãos de homens ou vice-versa é chapa quatro, como costumamos dizer. Tem a ver sempre com o mesmo problema universal: o problema da identidade. Se não soubermos quem somos e assentarmos a identidade no «outro», o mais provável é tornarmo-nos no outro, esquecendo que tínhamos uma identidade para procurar, melhor, enterrando a verdadeira identidade, que nunca mais fica ao alcance a menos que levemos de frente com «aquela liçãozinha de vida». Por isso é que eu acho que nem sempre uma ruptura é negativa. Dói, mas serve para um reencontro interior, e só se conseguirmos isso é que passamos à fase de um «novo» amor, porque se assim não for, o mais provável é cairmos nos mesmos erros vezes sem conta.&lt;br /&gt;   Gosto muito de falar com mulheres: dizem o que pensam, mas são sensíveis, ajudam, disponibilizam-se para estarem ali se alguma coisa correr mal. Mas com um homem é diferente. Talvez ele não atenda o telefone às três da manhã ou não esteja sempre disponível no messenger ou não responda durante semanas a telefonemas, mas quando fala, está certo no que diz, é exacto, objectivo, pragmático, a vida é quase matemática nas mãos dos homens, sem perderem a sensibilidade. A mulher é boa organizadora, tem sentido prático, mas tem sempre coração mole. Por vezes mostra um coração tão mole que é incapaz de dizer a uma amiga «ai que disparate! Esse tipo dá cabo de ti!». Mas um homem, mesmo que lhe custe, diz isso, até porque é homem, saberá decerto o que um parceiro do mesmo sexo anda a fazer a uma amiga.&lt;br /&gt;   Não acho nenhum dos homens que conheço parecido com o meu pai: nem o meu irmão, nem o meu companheiro. O meu pai é de uma outra geração, em que um homem cuidar de bebés era «uma vergonha», em que o usual era não saber cozinhar – nada supera o pai da minha amiga Estela, que torrou uma posta de bacalhau na torradeira -  e claro, estar do lado da «mãezinha» que mói a nora até ao tutano. Hoje, um homem tem um mínimo de obrigações, viver com uma mulher pode não implicar tomar o seu partido, mas pelo menos perceber em que parte fica ela sem a magoar. Casar ou viver junto implica estar preparado para saber o que é uma casa, como limpá-la e organizá-la, porque muitas das vezes a mulher é que trabalha até tarde. Implica, no caso de quererem filhos, a percepção da maternidade por parte do homem, física e psicologicamente. Implica partilhar a educação da criança, não permitir que a mãe seja sempre a castigadora, a má da fita. Portanto, há papéis que se exigem de um homem, há papéis que um homem só pode exigir de uma mulher se ele também os souber desempenhar. Há uma relação o mais paritária possível. Ou assim deveria ser.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4016611791744636635?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4016611791744636635/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4016611791744636635' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4016611791744636635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4016611791744636635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/06/palavra-de-homem-s-vezes-os-homens-tm.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-1869479258620373749</id><published>2007-06-03T12:52:00.000-07:00</published><updated>2007-06-03T12:54:59.831-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dar ou não dar opinião&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Há muitas coisas na vida sobre as quais não temos opinião porque simplesmente não sabemos do que tratam. Muitas pessoas abstêm-se de comentar seja o que for quando não sabem. Todavia, há muitas pessoas que não sabem e comentam. É do pior possível ouvirmos «devias fazer assim», e contra-argumentarmos «mas eu faço assado» e não adianta. Há coisas, nas outras pessoas, que nos deixam estupefactos e quase doentes. «Porra, mas não entendes?». De nada vale.&lt;br /&gt;   Acontece muitas vezes olharmos e não gostarmos do que vemos. A questão é: mas temos de gostar? Racionalmente não. Só que vemos centenas de vezes amigos nossos fazerem asneiras que já fizemos e queremos dizer-lhes «não vás por aí». Às vezes, pouco tempo depois de tomarmos uma decisão, achamos que devíamos ter ponderado muito mais sobre ela porque acarretou inúmeros aspectos negativos e pesados para nós. Mas a vida é mesmo assim…&lt;br /&gt;   A partir de certa idade, e se fizermos parte do grupo de pessoas azaradas (como eu) que só muito tarde arranjam sustento próprio, escoceamos para arranjar o «nosso» canto, a «nossa» casa. Porque não queremos pais atrás de nós a vida inteira a perguntar «onde vais? A que horas voltas? Vais com quem?». E mesmo depois de respondermos a tudo isso, eles ficam com dúvidas. Até aos vinte ainda vá. Mas depois disso, ó meus amigos, não dá… Todavia, como dizia a minha amiga Diana, não há outro sítio como a nossa casa, e muitas vezes descobrimos isso da pior forma possível, porque fugimos de um problema e vamos dar com outro muito semelhante. Ou é karma ou é simplesmente um problema mal resolvido dentro de nós. Estou convencida que é o meu caso. Tenho um problema dentro de mim de excesso de independência, mas ao mesmo tempo uma vontade enorme de que alguém tome conta de mim. E isso nunca acontece. Sinto-me sempre por minha conta e risco, pelo menos nas situações que implicam resposta. Pior do que isso, tento educar as pessoas à minha volta para não dependerem de mim, e elas dependem imenso, o que é estranho. Em suma, vou sempre no sentido contrário àquilo que pretendo.&lt;br /&gt;   Muitas pessoas vivem assim mesmo a vida delas: sem saberem quem são. Os problemas de identidade são os maiores causadores de tristeza, cansaço, abatimento e até catástrofes. Vazios por dentro, vamos à procura do que nos preencha. Uma vezes é um carro, uma casa, uma pessoa, ou então há um acumular de experiências negativas que vão ter a um sítio péssimo: a raiva. Ter raiva é como andar atrás do próprio rabo, sem um espelho não o conseguimos ver na totalidade. Andamos pateticamente atrás do que não podemos ter, basicamente porque não o encontramos dentro de nós próprios. Pode ser amor, realização, decisões certas, que são as pensadas, sentidas e experienciadas. Temos de saber para agir. Mas muitas vezes nada sabemos e temos de agir na mesma, certo? Quando somos pais, o que sabemos sobre ser pais? O que os outros dizem. E nunca chega. Há muito da vida que somos nós que temos de encontrar sozinhos. Não há, muitas das vezes, hipótese de dizermos a um amigo «olha melhor para essa decisão, vais cometer um erro», porque um erro é subjectivo, tem muitas faces, muitas interpretações e nem sempre os outros vêem um erro como nós.&lt;br /&gt;   Este tem sido um ano de desmoronamento e reconstrução. Tive de abandonar para viver, viver para experienciar, partilhar para compreender e finalmente acho que subi um degrau, se bem que muito pequenino, no entendimento do ser humano. Já não é só o cepticismo que me domina, o que é capaz de ser positivo. Agora também me domina a ambição de ser optimista e não permitir que a derrota dos outros e as suas opções me derrubem. Mas também aprendi outra coisa muito importante: nem sempre a nossa experiência pessoal é «comunicável», no sentido em que nem todos vão entender, nem perceber e alguns nunca chegarão a dizer-nos «afinal tinhas razão». O caminho individual de cada um é isso mesmo: individual. Sinto que acompanho os meus amigos até à beira da porta, mas não passo a porta com eles.&lt;br /&gt;   Quando a minha mãe morreu, eu visualizei isso: os meus amigos suspensos, à porta, à espera que eu aprendesse a lição na minha nova viagem, na minha descida ao interior profundo, ao que eu sou. Ainda estou em busca e em reconstrução, mas volto muitas vezes à beira da porta para lhes pedir ajuda. Do mesmo modo, sinto que acompanho os meus amigos até esse ponto: o ponto em que não devo mais dar opinião e fico só à espera das consequências. Elas existem, nisso eu acredito. Só que nem todos as vêem como tal. Muitos acham que são só obstáculos que aparecem para serem contornados (os mais obstinados), outros percebem que deveriam ter feito de um outro modo, mais responsável e adulto e crescem.&lt;br /&gt;   Não experienciamos a subida no degrau de forma palpável. Não dizemos «ah, exacto, foi agora!». Nos anos subsequentes à morte da minha mãe, acordar era infernal e impossível, porque tinha stress, ansiedade, ou porque me lembrava dela. Ficava doente, tinha taquicardias, chegava quase a desmaiar. Ia sempre trabalhar esgotada, cansada, desiludida, à espera que algo mudasse a minha vida, à espera de conseguir sair de casa sem me perguntarem onde ia e se podiam ir comigo, e me acompanharem à porta só para verem onde eu ia. Parecia que me movia com sombras fora e dentro de mim. Nesses anos raros foram os momentos que não acarretassem alguma espécie de dor, psicológica ou física. Quando consegui o trabalho que queria isso mudou um pouco, e mais tarde, quando saí de casa, mudou ainda mais. Progressivamente fui tendo vontade de acordar, levantar-me e até voltar a dormir no comboio, apesar das dores nas costas. Para mim foi uma subida no degrau ninguém me perguntar nada, poder dar uma volta sozinha, ir tomar um café comigo, sem ouvir «olha, ali está ela!» (eu nunca poderia ser uma estrela de novelas ou cinema!). Odeio vigilâncias apertadas, odeio o «estou de olho em ti!», lutei fervorosamente para mudar isso. Se mudei? Não, há sempre alguém à espreita, vai melhorando com o tempo, vamos arranjando armas para lutar contra isso, mas nunca muda tudo, muito fica suspenso, é assunto por resolver dentro de nós.&lt;br /&gt;   Na maior parte das vezes, pensamos que os problemas são extrínsecos, que convivemos muitas vezes com atrasados mentais prontos a rebentar connosco em cinco segundos e ficarem direitinhos, no seu lugar, sem uma nesga só que seja de arrependimento. Pior. Somos «obrigados» a viver a vida inteira com pessoas assim, quer dizer até termos independência, que hoje em dia quer dizer, vinte e cinco, trinta anos. Podemos ter sorte e só descobrir a lama humana fora de casa, ou podemos ter a infelicidade de sermos, também nós, tratados como lama, e por isso obrigados a «virar o jogo» muito cedo. Eu sou daquelas pessoas «entaladas», quer dizer, não vale a pena fugir para lado nenhum. Ou assumo e luto com força ou não consigo, porque mesmo que eu fugisse daqui para fora, iria encontrar pessoas iguais às que encontro, igualmente palermas, igualmente derrotistas e prontinhas a dizer-me que não sou capaz. Portanto, o problema sou eu.&lt;br /&gt;   Também nem sempre gosto de ouvir a opinião das outras pessoas (sobretudo se não pedir). Ao contrário daquilo que achava, a opinião dos outros tem peso e às vezes nem tem medida, dentro de mim. Outras vezes peço opinião e gosto de ouvi-la, mesmo quando sou confrontada com as minhas fraquezas. No fundo, preciso disso. Preciso de frieza e racionalidade para resolver disputas com o mundo exterior. Preciso que me digam «desiste», para que eu não persiga cegamente objectivos impossíveis, como por exemplo querer mudar um milímetro a cabeça das pessoas sem me chamarem nomes feios. Preciso que me digam que me esteja a cagar para situações que me parecem insolúveis, mas que me atingem como balas. Preciso sempre dos meus amigos. Da opinião deles, de lhes dar a minha opinião ou simplesmente ficar calada quando é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-1869479258620373749?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/1869479258620373749/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=1869479258620373749' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1869479258620373749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/1869479258620373749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/06/dar-ou-no-dar-opinio-h-muitas-coisas-na.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-7687703991279579812</id><published>2007-05-24T14:18:00.000-07:00</published><updated>2007-05-24T14:21:32.550-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;br /&gt;As Regras da Vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu gosto muito de alguns livros de auto-ajuda. Chama-se assim à literatura cujo objectivo principal é, como o próprio nome indica, alguém se ajudar a si próprio por via de estratégias pessoais de várias categorias: combate ao stress, alimentação, relações interpessoais, etc. Os livros aconselham, às vezes com alguma graça, a voltar a tomar as rédeas da própria vida. A questão que se coloca é: de que adiantam estas leituras? Pelo menos algumas divertem. Das que tenho feito nestes últimos anos, e confesso que sou uma consumidora do género, gosto daquelas menos light, mais pesadas, que estudam a interacção da mente com o corpo, obras escritas por médicos, psiquiatras, psicólogos. As leituras ligadas à secção da espiritualidade são mais complicadas de seleccionar porque se encontra de tudo: o mau, o banal, o trivial até ao budismo mais elaborado, reiki, chacras, vidas passadas, ressurreição.&lt;br /&gt;   Enquanto ser humano, não posso dizer que tudo isso não me interessa, acho imensa piada a tudo aquilo que nem consigo imaginar mas que gostaria que acontecesse, como a vida para além da morte, adoro a interpretação de sonhos, embora não lhes encontre sentido nenhum e por aí fora. No fundo, sou uma céptica que gostaria de ser crente.&lt;br /&gt;   Encontrei ontem aqui na Universidade um livro que me interessou, muito simples, francamente simples, mas sem ser banal. Para além disso, divertido ao máximo. Chama-se «As Regras da Vida», tendo como mensagem principal, claro está «Para ser uma pessoa mais feliz, mais tranquila e mais realizada». Foi escrito por um profissional em auto-ajuda, isto é, alguém que fala só a partir da experiência própria, portanto é um livro light, não tem fundamentações críticas e científicas de maior, nem faz pretensão de as ter. A Patrícia já está a amaldiçoar-me com a frase «Mais valia teres-me dado o dinheiro a mim!». Mas o livro vale pelas bejardas doces que atira para o ar, que ficam entre o conselho e a boca foleira, do género «Deves pensar que és esperto e que não te acontece nada, não?».&lt;br /&gt;   Em primeiro lugar, o que têm de comum todos estes livros? Um, ajudarem só quem os percebe (e quer ser ajudado). Dois, dizerem sempre que tudo faz sentido neste puzzle estranho e desaustinado que é a vida. Amigos, acreditem. Eu quero mesmo que tudo faça sentido. Sou dessas pessoas impulsivas que é capaz de partir as peças do puzzle só para as peças caberem noutro sítio qualquer…não aconselho a ninguém. Então, enquanto eu lia o livro no comboio pensei uma coisa, quem sabe também faça sentido: pensei escrever o que aprendi. Pronto, em trinta anos uma pessoa aprende imenso, mas…será que sim? Se há coisa de que me convenço é que não aprendi nada sozinha. Sozinha estava predisposta a aprender. Por isso, e se tudo fizer sentido, houve lições de vida que consegui aprender e outras que me passaram ao lado com toda a rapidez do mundo.&lt;br /&gt;   Eis algumas de que Richard Templar fala que me parecem muito importantes. Cito apenas as minhas favoritas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ A sabedoria não consiste em não cometer erros, mas em aprender a escapar depois de os cometermos com a nossa dignidade e sanidade intactas “.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Fracassar é aceitável. Visar um objectivo de segunda não é. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Não é possível saber de que parte dos nossos esforços resulta a melhor recompensa “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ A dignidade tem a ver com o auto-respeito e uma auto-estima discreta “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Manter a fé é algo que se faz. Ser bonzinho é tentar converter os outros. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ A base é onde estávamos antes de nos perdermos “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ O estabelecimento de fronteiras pessoais significa que deixará de ter de recear as outras pessoas “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Atirar dinheiro para cima do problema não o resolve, apenas o adia. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Sentirmo-nos culpados é um bom sinal “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Acho-as todas frases magníficas, porque mesmo quando parecem do mais simples do mundo, exigem o melhor de nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-7687703991279579812?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/7687703991279579812/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=7687703991279579812' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7687703991279579812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/7687703991279579812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/as-regras-da-vida-eu-gosto-muito-de.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4800974051445635914</id><published>2007-05-16T14:19:00.002-07:00</published><updated>2007-05-16T14:20:14.231-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desaparecimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Hoje deu-me para fazer investigação policial. Aliás, era carreira que muito gostava de ter seguido na vida, vá-se lá saber porquê, mas quando se é míope, muito míope, encontramos caminhos vedados logo à partida. Há uma amiga minha míope que andou na aviação e me disse que os miopes encontram estratégias magníficas para tudo. Do último lugar na lista na prova de tiro passou para o topo depois de encontrar uma estratégia que lhe permitisse nunca falhar o alvo. A maior parte das pessoas determinadas é assim, encontra uma estratégia de salvação para fazer o que realmente quer. Todavia, encontrei nos livros aquilo que procurava e não fiz carreira na investigação policial, faço só na investigação científica.&lt;br /&gt;   Sempre achei que teria de haver pelo menos duas qualidades nas pessoas que fazem investigação policial: força de vontade e um carácter incorruptível.&lt;br /&gt;   Ontem via o programa da Fátima Campos Ferreira, que detesto – o formato do programa e a própria apresentadora, que fala como se o mundo desabasse sobre a cabeça de todos nós a cada segundo – programa que falava em crianças desaparecidas. O enfoque dado ao caso da menina desaparecida no Algarve extrapolou para outros casos portugueses não resolvidos. Os desaparecimentos são, tanto quanto sei, raros em Portugal e as nossas redes de pedofilia estão montadas em consonância com as estrangeiras, caso contrário seriam facilmente desmontadas, visto que os pedófilos por aqui parecem formar uma espécie de associação de tarados que se conhecem todos uns aos outros.&lt;br /&gt;   Então apareceu o caso que sempre me chamou mais a atenção, não só pelos estranhos contornos mas, e acima de tudo, pelo sofrimento da mãe do rapaz, a Filomena Teixeira, que tentou tudo e mais alguma coisa para recuperar o filho. Hoje fui ler tudo o que havia nos jornais sobre a notícia e fiquei chocada com a quantidade de pistas, aparentemente negligenciadas pela PJ, que surgiram logo no início do caso. E a questão é mesmo essa: as primeiras horas são cruciais na resolução destes casos. E não só passaram essas horas, como passaram meses até aparecer uma foto do rapaz na Caras e um vídeo pornográfico em que era espancado. Em ambas, a mãe reconheceu o filho, hoje não com onze anos, mas vinte, apesar de a foto que circula ser a de uma criança e não a de um adulto.&lt;br /&gt;   Filomena Teixeira é daquelas pessoas que apetece ajudar, não só por solidariedade, mas pela compaixão mais profunda do que é ser mãe. Quer dizer, eu não sou mãe. Mas suponho que, se um filho me fosse, ainda criança, roubado daquela maneira, seria como ela própria se auto-descreveu «uma pessoa revoltada». Há nove anos não se falava tanto em desaparecimentos e talvez a PJ nem tivesse meios suficientes para seguir pistas como tem hoje. A família investiu tudo o que tinha na descoberta de Rui Pedro, sobretudo o avô, que o Correio da Manhã descreve como «pessoa de posses». Eu pergunto se é mesmo preciso ser-se «pessoa de posses» para alguém fazer alguma coisa por nós e nos prestar a ajuda mínima, em caso de doença, acidente, crime. Quando vou para o hospital só sou atendida se tiver posses? A história das posses irrita-me. Todavia, nem mesmo assim Filomena Teixeira e o pai conseguiram as pistas certas que os levassem ao rapaz e ainda hoje permanece o mistério: onde está ele? Com tanta mediatização e reconhecimento poderá ter acontecido o inevitável, alguém o ter morto. Mas será que uma mãe não prefere saber, seja lá o que for que tenha acontecido ao filho?&lt;br /&gt;   Outros casos de desaparecimento existem por este país fora sem resolução, e outros com tristes resoluções. Lembro-me bem do gang do Multibanco, assim se chamava ao conjunto de cinco (acho) elementos, também com uma mulher pelo meio, que raptava mulheres sozinhas que estas iam às compras. Metiam-nas na bagageira, extorquiam o código Multibanco, por vezes amarravam-nas e violavam-nas. Uma coisa do outro mundo aqui mesmo ao lado, na Costa da Caparica. Aconteceu há uns anos atrás. Uma jovem de vinte e poucos anos desapareceu num jipe durante quatro anos. Chamava-se Ana Cristina e não lhe esqueci mais o rosto e o sorriso. Depois de os pais e a polícia seguirem dezenas de falsas pistas, sobretudo em Espanha, apareceu o corpo da jovem, enterrado ali perto. Nunca tinha saído dali da Costa. A história foi que um dos assaltantes era seu conhecido da escola e isso definiu o seu triste e fatal destino. O pai, completamente abalado, disse que embora tivesse perdido a filha, tinha ganho uma certeza: a da sua morte. Do gang do Multibanco, um elemento suicidou-se e dois foram linchados na prisão.&lt;br /&gt;   No outro dia lia um daqueles jornais grátis, o Destak ou o Metro e deparei-me com um colunista que dizia, e muito bem: na escala de sofrimento, onde fica o desaparecimento de um filho? Provavelmente acima de um terramoto…&lt;br /&gt;   Filomena Teixeira é o rosto da determinação, mas também do abatimento e da tristeza, com uma juventude e beleza roubadas pelas circunstâncias atrozes da vida. Pergunto-me muitas, mas muitas vezes: Deus escreve mesmo direito por linhas tortas?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4800974051445635914?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4800974051445635914/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4800974051445635914' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4800974051445635914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4800974051445635914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/desaparecimentos-hoje-deu-me-para-fazer.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4342329590569481421</id><published>2007-05-16T14:19:00.001-07:00</published><updated>2007-05-16T14:19:37.838-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Bela e o Mestre – o fim e a vitória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu disse que anunciaria aqui no blogue as belas e os mestres que ganhassem e aqui vai: em terceiro lugar o Gil e a Sandra, em segundo Jaime e Vera e em primeiro a Marina e o Lipari. Com o tempo, aprendi-lhes o nome de cor, graças ao facto de ficar acordada até mais tarde aos Domingos. Ontem ali fiquei, a ver quem seria o vencedor. Tendo em conta os objectivos do programa, é capaz de ter sido uma vitória justa. A tal Marina, que ninguém sabe mas é miss Portugal, levou a água ao seu moinho, mostrou ser esperta e saber jogar e rematou com um apontamento emotivo delicioso, quando lhe perguntaram o que faria com o dinheiro, prontificou-se a dá-lo ao pai, uma vez que este «precisava mais do que ela». Muito bem! O público gosta e fica sempre bem dizer que não vai viajar para as Caraíbas mas sim ajudar o pai, a avó, o filho deficiente ou o irmão moribundo. São histórias destas que levam o público ao rubro. Os outros concorrentes seguiram-na, mas sem sucesso. À excepção dos rapazes, que me pareceram honestos, as mulheres soaram a falso, excepto Sandra, que disse «o dinheiro é para começar a minha vida». Egoísta, mas sincera.&lt;br /&gt;   De resto, nada de novo, excepto aquela prova em que a bela tem de reconhecer o seu mestre de uma forma peculiar: pisoteando os rapazes todos vendada. Em primeiro lugar, achei muito perigoso para eles, porque há partes do corpo mais expostas, e passo a citar: pénis e testículos, que foram quase pisoteados sem necessidade nenhuma. Uma delas identificou o seu par porque este «tinha borbulhas no peito», o que o apresentador considerou nojento e ofensivo mas que, tendo em conta o jogo que era, até me pareceu boa estratégia ir lá pelas borbulhas.&lt;br /&gt;   As provas de música e dança também não foram o forte do pessoal. Quando Jaime e Vera cantaram o apresentador saiu-se com esta «Duas palavras para vos definir: que medo!». E realmente todos eles metiam medo ao susto. As perguntas não saíram do tom do costume, oscilaram entre cultura geral e verniz de unhas.&lt;br /&gt;   Finalmente, a apresentadora, toda de vermelho, pediu ao júri uma apreciação final do programa, da sua participação e dos seus favoritos. Desta vez a Bobone pareceu-me a mais sábia, porque não fugiu à questão, como a Marisa Cruz, e respondeu achar que Marina e Lipari deveriam vencer, mas que o público não os escolheria, reiterando que tinha direito à sua opinião. Mas pelos vistos acertou em cheio. Depois da célebre frase «os sem-abrigo deviam assumir a sua condição» ou «os pobres assaltam e os ricos são assaltados», a Bobone não deixa saudades… De resto, o argentino e o Zink não deram uma para a caixa, sendo que o tal Carlos continua a falar um dialecto imperceptível ao comum dos mortais portugueses. O Zink também deveria perceber que a crise dos 40 é, supostamente, passageira, quer dizer, deixa sequelas, como a menopausa, mas não há necessidade de gritar aos quatro cantos que se está naquele estado. E ele continua a gritar e a fazer piroetas. Mais uma diferença entre homens e mulheres: olha se nos lembrássemos de berrar «fiquei sem menstruação, mas continuo uma mulher!».&lt;br /&gt;   Gostei quando ele disse que o programa mais não era do que «terapia ocupacional», termo normalmente utilizado para pessoas a recuperar de doenças mentais ou para velhos internados em lares da 3ª idade.&lt;br /&gt;   Por outro lado, achei que a apresentadora, a tal Iva Domingues que era Iva Pamela, foi discreta, saiu-se bem, se bem que ao longo das galas explicasse as coisas quinhentas vezes, despediu-se com a descrição com que entrou. Só o Zé Pedro estava mesmo desejoso da final, até lhe escapou um célebre «Bom caminho para as vossas casas!». E a Marina e o Lipari lá foram ajudar os pais e salvar as baleias com cem mil euros…Parabéns?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4342329590569481421?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4342329590569481421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4342329590569481421' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4342329590569481421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4342329590569481421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/bela-e-o-mestre-o-fim-e-vitria-eu-disse.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-8355168880066730821</id><published>2007-05-16T14:18:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T14:19:06.779-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os puzzles da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   No outro dia, na minha milionésima conversa marital acerca do sentido da vida, entrei novamente em confronto com a teoria pessimista que o meu marido tem do universo. Não que eu alguma vez tenha sido uma optimista, porque sei que nunca fui, mas não sou de ficar parada a olhar, isso nunca. Tudo se muda com atitudes e palavras e essa sempre foi a minha filosofia. Como diria a minha amiga Diana, quando alguma coisa não está bem para mim, ao menos esperneio. Não sou de desistir, embora, quando estou desmotivada, desista em definitivo das coisas, dos projectos, das pessoas. Preciso de motivação para chegar às pessoas, estar com as pessoas, começar um trabalho. Sei que há sempre uma altura de desmotivação, mas sou obrigada a encará-la como passageira. Feliz ou infelizmente, acho que há coisas que deixei para trás há muito tempo, e outras acho mesmo que deveria deixar, mas não consigo. É sempre assim, suponho eu.&lt;br /&gt;   Condeno-me muito pelas minhas fraquezas. Não me condeno excessivamente por estar triste ou descontente com a vida. Condeno-me por deixar que sejam os outros a definirem esse meu estado de espírito. Há pessoas que são como as enchentes, arrastam-nos para uma maré de pessimismo. O seu espírito, a sua energia perturbam-me porque são suicidários. É como se as pessoas se estivessem a suicidar lentamente, mas estivessem tristes porque não arrastam os outros com elas. Claro que do lado de lá a coisa não é bem vista assim. Do lado de lá é sempre «só há esta maneira de viver, vive-a para estares connosco». E não é nada verdade. Não há só maneiras tristes de se viver. E também não temos de ser arrastados para o negativismo, embora às vezes custe.&lt;br /&gt;   Enquanto o Pedro acha que não há justiça divina, eu procuro uma solução de compromisso. Para mim tem de haver, senão eu construo-a com as próprias mãos. Não se trata de vingança, trata-se de remeter as pessoas ao lugar que merecem, doa o que doer. Trata-se de dizer o que se pensa. E depois agir em conformidade com isso. Não é tão simples como descrevo, mas eu vejo a minha vida como um puzzle: as peças estão misturadas, são imensas, mas tem de haver uma arquitectura. Se realmente não houver, como diz o Pedro, faço-a eu.&lt;br /&gt;   Uma das maneiras que eu tenho de viver a vida é pensá-la como um tabuleiro de xadrez com três tipos de peças: brancas, negras e cinzentas. As brancas são as peças que me permitem avançar, e a estratégia de jogo é rodear-me delas para ganhar, fortalecendo-me e fortalecendo os outros jogadores: são os amigos, naturalmente. As peças pretas são as pessoas que não me permitem avançar. Delas fazem parte uma panóplia de gente que brinca com a minha honestidade e tenta atrapalhá-la. Não têm de ser pessoas más, podem ser só pessoas depressivas a beber veneno que querem que eu vá beber do mesmo cálice. Podem ser familiares desesperados por atenção que não me deixam respirar. Podem ser alunos mal educados. Podem ser patrões desonestos. Podem ser pessoas injustas que simplesmente me distinguem por motivos subjectivos, como ser mulher. Depois há as peças cinzentas. São as pessoas de transição. As que eu não sei bem se me ajudam ou desajudam, mas que muitas vezes representam um perigo potencial, ou, ao contrário, as que já deixaram de ser perigosas porque fugi delas, já não me atingem nem magoam, nem perturbam mais o caminho. O jogo é sempre ludibriar as pretas, rodear-me de brancas, ter cuidado com as cinzentas. Um jogo fez-se para ser ganho, não para perder.&lt;br /&gt;   Ontem fiz uma coisa que queria fazer há muitos anos: comprei um puzzle gigantesco de mil peças. Escolhi a companhia de centenas de bonecos da Disney, entre eles o Mickey, a Minnie, a Pequena Sereia, o Winnie, The Pooth, a Cinderela, a Branca de Neve e os Sete Anões, a Dama e o Vagabundo, etc. Adoro-os. O Walt Disney dizia que amava mais o Mickey do que poderia amar qualquer pessoa. É um bocado doentio, mas se pensarmos no Schultz e o Charlie Brown percebemos isso. Schultz deixou de desenhar os bonecos quando se despediu da vida. Aquilo era a vida dele. Amava-os profundamente.&lt;br /&gt;   Levei a minha infância a ler o Pateta e o Mickey, a odiar o Bafo de Onça, a sonhar uma história como a da Cinderela (que me fez odiar madrastas, mesmo sem saber que um dia ia tê-las), a achar todos estes bonecos lindos por preconizarem o a preto-e-branco que já não temos na vida comum, de todos os dias. Estes bonecos pareciam saber distinguir o bem do mal melhor do que qualquer ser humano.&lt;br /&gt;   De ontem para hoje percebi que o stress se desvanecia mais facilmente construindo um puzzle do que indo ao Pilates. Não desculpa as minhas faltas ao Pilates, bem pelo contrário, estou sempre dobrada sobre a mesa e sobre mil peças, o que não me faz nada bem. Só que adoro. Adoro escolher peças, tentar encaixá-las, fazer os bonecos. Tão bom como pintar anões com acrílico. Mói um bocado e torna-se uma obsessão fazer aquilo, mas ali estão a figuras da Disney, partidas em mil pedaços, quase a falarem comigo, quase a pedirem para serem reconstruídas. Lentamente, elas vão aparecendo. A família dos Dálmatas foi a primeira a aparecer. Quem dera que a vida fosse assim, que lentamente percebêssemos onde colocar cada peça para poder tudo fazer sentido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-8355168880066730821?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/8355168880066730821/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=8355168880066730821' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8355168880066730821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8355168880066730821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/os-puzzles-da-vida-no-outro-dia-na.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4616346719422344713</id><published>2007-05-16T14:17:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T14:18:22.427-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cepticismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O que separa a minha antiga percepção do mundo da de agora é uma coisa bastante simples: o cepticismo. Eu dantes acreditava que era céptica, mas não era, e hoje sou mesmo, em todo o seu esplendor. Simplesmente não acredito. Não acredito em Deus, em milagres, na Virgem Maria, na Bíblia, nos políticos, nas pessoas em geral. Estamos todos tão conformados na desgraça, na tristeza, na conquista de dinheiro que nos permita tirar férias e comprar uma casa nova, que não percebemos isso mesmo: que nos tornámos estúpidos. E cépticos. Acho que uma criança liberta muito, no sentido em que nos ensina como era o mundo antes de sermos estúpidos. Para além disso, uma criança desafia, o que eu acho fantástico, significa que nascemos com esse espírito aventureiro e destemido, mas que depois, com a estupidez, perdê-mo-lo pura e simplesmente, sem dó nem piedade.&lt;br /&gt;   Não gosto muito de me vitimizar, mas acho que, em alguns aspectos da minha vida, sou muito azarada, mais do que o comum das pessoas. E acho que é porque sou muito céptica, ou então o contrário, porque sou azarada tornei-me céptica – no meu caso, claro, porque há azarados muito optimistas. Não sou nada optimista. E não me refiro à poluição, à guerra mundial, ao desemprego, à política, ao consumismo desenfreado ou à obesidade. Refiro-me mesmo ao ser humano, ao interior, ao que somos, como pessoas, e como nos mostramos. Há muitos anos que para mim sentir alegria é raro. É raro e quando sinto alegria fico com a sensação de que me estou a trair desenfreadamente, porque nunca estou alegre e, se procurar bem, não há muitos motivos, e os que há são destronados pelas peças cruéis do jogo em volta.&lt;br /&gt;   Não posso dizer que tenha recuperado da morte da minha mãe. Poderei vir a recuperar. Mas hoje não recuperei, essencialmente porque poderia ter aprendido muito mais e melhor, nomeadamente a desacreditar as pessoas de princípio, a não acreditar nelas. Só que a esperança faz parte da humanidade e do ser humano, e cá dentro sempre houve essa semente plantada. Podem dizer-me que estou a ser cruel em não acreditar em quase nada, mas um dia uma amiga minha disse-me «Acreditas em ti própria e já não é nada mau». Muitas vezes também não acredito. Acho que as pessoas têm muita tendência para abusar de mim e sei-me culpada, porque realmente os outros só vão até onde deixamos. Por muito que eu esperneie e responda mal (se é que faço isso a tempo e horas) eles continuam com um sorriso a olhar para mim, como se eu fosse louca e devesse levar um tiro na cabeça pela minha loucura. Ser bem educado saiu de moda há muito tempo e eu nem dei conta…&lt;br /&gt;   Um dia entrei numa casa pior do que aquela em que sempre vivi e vi isso: ali, ser mal educado é que é bom, é que conta. Pode não ser correcto, mas é o que funciona para não haver problemas: a agressividade. Por isso, para mim, que sempre acreditei que um ambiente harmonioso exige discussão mas não agressividade, «aquilo» é o meu oposto, e com opostos não se brinca, bane-se mesmo da vida. Lentamente, vou aprender a banir o que não me interessa e a ficar calada porque nada tenho para dizer. Também acabo por dar graças pelo facto de as pessoas na minha família não serem assim tão azedas e cruéis e, uma vez que são minha família, ter a liberdade total para as mandar calar, desligar o telefone na cara, dizer coisas à bruta, dar-lhes safanões, afastar-me, não me ligarem nenhuma e vice-versa, bater com as portas, ralhar com as insistências supérfluas em coisas ridículas, desfazer idealismos com uma só palavra, não ouvir queixinhas e berrar logo, em suma, ser fria. Este género aparente de «violência» é preciso, é necessário quando as pessoas nos dominam e estrafegam. Mas se as pessoas que o fizerem não forem da nossa família, a porra está toda aí: não podemos fazer o mesmo, ou melhor podemos, mas somos obrigados a pesar os prós e os contras. E é uma pena. Porque é o que apetece. Ignorar não chega. Apetece espezinhar como nos espezinham a nós, com a mesmo falta de elegância e de doçura, com a mesma crueza e até burrice, porque como eu digo sempre, um arrogante é alguém fraco que não se sabe defender, mas, do meu ponto de vista, é uma pessoa sem desculpa, visto que todos sofremos – e às vezes mais do que aparentamos – e não somos todos assim.&lt;br /&gt;   Quantas pessoas que andam todos os dias nos transportes não perderam os pais, os filhos, os irmãos, a casa, o dinheiro, se calhar mais do que uma vez? E não andam por aí a ver se estrangulam as pessoas…a diferença entre um bom e um mau ser humano está aí: na transformação a que estamos dispostos – ou não – a fazer dentro de nós. Estão a ver o meu cepticismo? Não ando por aí a ver pessoas disposta a evoluir muito. A evolução das pessoas passa muito pelo dinheiro, pelo domínio do outro, pela manipulação, pelo facilitismo. Desculpem a sinceridade, mas isso não tem desculpa. Não tem. Palavra.&lt;br /&gt;   A história do perdão e da condescendência é importante, mas tem limites, como todas as histórias. Não somos sacos do lixo dos outros, nem sacos de pancada. Se as pessoas querem gastar energia, então arranjem um desporto ou uma actividade desgastante qualquer. Mas não chateiem com coisas mesquinhas, com obsessões e possessões estranhas, com o intuito de assumir o comando da vida dos outros. Eu não faço isso, e quem me dera que algumas pessoas abrissem um olhinho só para ver o que eu vejo. Todavia, não ando por aí a gritar aos sete cantos que «eu é que sei o que é bom para os outros», porque sou esperta e sei que não vale a pena. Se um gajo gosta de uma namorada pérfida com cara de boa pessoa (para ele!), paciência, é deixá-la levá-lo nesse percurso sinuoso chamado «dependência». Uns dependem do álcool, outras da droga, e outros…de pessoas. Juro que vai dar ao mesmo, são os psicólogos que dizem. Uma pessoa que diz que outra faz dela uma pessoa de verdade que nunca foi é um doente. É como uma pessoa que se encharca em vinho dizer que não é bêbeda e sabe-se controlar muito bem quando bebe. Ó amigos, vão mentir para outro lado…&lt;br /&gt;   Pior do que tudo isto: porque é que a merda do dinheiro tem sempre tanta importância para estas pessoas, mas nunca fazem nada de jeito com ele sem ser tentar comprar os outros sem dó nem piedade?&lt;br /&gt;   O que faz as boas relações entre os seres humanos é uma coisa chamada reconhecimento. Reconhecermo-nos no outro é sabermos que, numa situação em que sejamos postos à prova nos nossos valores profundos, a resposta será a mesma: a honestidade e a verdade ou a desonestidade e a mentira. Há linhas cinzentas, caminhos menos directos, mas o geral vai dar ao mesmo. O que tenho visto é que comigo identificam-se as pessoas que dão as mesmas respostas que eu às questões mais complexas e também às mais simples. O que significa que há pessoas que preferia mil vezes não encontrar no meu caminho, mas que, por ordem cósmica (ou kármica) elas estão ali, muitas vezes para desajudar, outras vezes para nos ajudar a chegar à nossa lição de aprendizagem. Em relação às lições de aprendizagem, não sou tão céptica assim. Acho que um dia vou aprendê-las. Mas em relação às pessoas, predomina o meu cepticismo, puro e duro. Que lição pode aprender quem nunca quis aprender?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4616346719422344713?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4616346719422344713/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4616346719422344713' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4616346719422344713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4616346719422344713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/o-cepticismo-o-que-separa-minha-antiga.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2274519183380556896</id><published>2007-05-06T13:50:00.000-07:00</published><updated>2007-05-06T13:51:00.918-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dia da Mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   É um daqueles dias…gratos e ingratos. É um dia excelente para as mães. Um dia bom para os filhos. Um dia péssimo para quem não tem mãe…nem filhos. Tenho de ser franca, acima de tudo é um dia comercial, como o dia do pai, dos namorados, etc. Até o Natal, para mim, é demasiado comercial.&lt;br /&gt;   Depois da minha conversa acerca de famílias e de mães, assumo o meu cepticismo na totalidade. Há mães de se trazer por casa. Mesmo aquelas que aparecem nas revistas me parecem mães um bocado abimbalhadas. Quem lhes disse a elas que os filhos um dia vão gostar de aparecer em revistas do género? Não se pode ser diferente? Outras mães, como a Britney Spears são um autêntico desperdício… a mulher mente ao mundo a dizer que é virgem, pede desculpa pela mentira, depois tem filhos, anda com eles no banco na frente sem cinto, enche-se de comida de plástico, rapa o cabelo, bebe que nem uma esponja…ó amigos! A mulher nem devia ter vagina, quanto mais ser mãe. Ao menos a Paris Hilton não lhe deu para isso (ainda!). Até a Cicciolina (que este ano nos faz nova visitinha na feira porno) tem um filho. Coitado…Aquele horror de mulher, que depois de tantos anos não arranjou ainda um consultor de imagem que lhe diga que maquilhar-se como uma palhaça não é necessário para uma «actriz» porno, visto que a atenção das pessoas se centra noutros locais do corpo dela. Dantes circulava uma anedota muito engraçada sobre ela. O que é que o joelho esquerdo da Cicciolina diz ao direito quando ela morre e a metem no caixão? «Olá, afinal estavas aí…». Fechar as pernas seria, aliás, uma bênção para muitas mulheres e até para a humanidade.&lt;br /&gt;   Vá, venham com a conversinha parva de que todos somos iguais, temos os mesmos direitos, estamos no mundo com um propósito qualquer, etc. Eu não vou concordar. Raios que há mulheres que não deviam mesmo ser mães, e que…há outras que deviam mesmo ser, por uma questão simples: merecimento de carácter. Sabem o que é? É quando uma mulher «nasceu» para isso mas a natureza não lhe deu oportunidade, tempo, dinheiro, homem de jeito…e é uma pena. Depois vemos por aí mães arrependidas de serem mães e ainda uma outra versão dos acontecimentos: mães vocacionadas para falharem, que são aquelas que projectam nos filhos os seus desejos sem terem em conta o essencial: filhos são pessoas, não objectos, não sacos para transportar sonhos, frustrações e lixo emocional dos pais. Devemos sonhar duas coisas para os filhos: saúde e busca pessoal de felicidade. Mais que isso é exagero e transtorno. Preferem um filho médico que seja uma pessoa ruim, ou um filho talhante com bom coração?&lt;br /&gt;   Este é o tipo de mãe sem auto-estima. Depois há o contrário: a mãe narcisista. A mãe que tem filhos para lhe afagarem o ego e que os mima com o único intuito de os mostrar ao mundo «perfeitos», tipo focas amestradas. São as mães da aparência. Compram e vestem as coisas mais caras aos miúdos, que nunca se podem sujar nem dizer ou fazer asneiras. Estes filhos apresentam elevadas taxas de suicídio. Ou isso, ou se tornam mesmo focas amestradas, produtos fabricados por pais fúteis e sem valores de fundo.&lt;br /&gt;   Por toda esta negatividade que vos apresento, eu sei uma coisa: é difícil ser mãe. Mas mesmo mesmo difícil é ser boa mãe. É, como diz a Júlia Pinheiro, ensinar um filho a não precisar da mãe, todavia é amá-lo incondicionalmente, defendê-lo, mas saber também qual é o espaço dele. No fundo, a mãe é a figura que melhor tem de harmonizar dois opostos: um, ensinar que o mundo é um lugar perigoso no qual a mãe estará presente, muitas vezes, só nos bastidores, dois, que é obrigatório viver nesse mundo com valores, mesmo quando à nossa volta ninguém os tem. Talvez a minha mãe tenha sido mesmo mesmo boa mãe. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2274519183380556896?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2274519183380556896/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2274519183380556896' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2274519183380556896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2274519183380556896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/dia-da-me-um-daqueles-diasgratos-e.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5684526371489585</id><published>2007-05-06T13:48:00.000-07:00</published><updated>2007-05-06T13:50:15.784-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antagonismos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Na Bíblia ensina-se que os outros podem ser cruéis mas que, se esses cruéis forem os pais, os irmãos, os primos, os tios, os sogros e cunhados (que vêm agarrados à família, sem nada podermos fazer, tipo pega-monstros), então a crueldade suporta-se bem, porque a família tem de viver em harmonia. Digam isso à Oprah, que em pequena foi violada pelo padrasto, digam isso a todos os que foram abusados física e psicologicamente por pais ou pessoas próximas dos pais. Não existe maior forma de violência do que a sexual, sobretudo numa altura da vida em que «sexualidade» é só uma palavra distante, que distante deve ficar. Aos dez anos, que sabemos acerca de nós mesmos? Muito pouco. Quanto mais recuarmos nas gerações, mais pessoas ignorantes encontramos. A minha avó teve um filho aos vinte anos, o meu pai, e nem sabia de onde vinham os bebés, pensava que era a cegonha que os trazia.&lt;br /&gt;   Todavia, a família parece ser a fonte da maior parte dos nossos problemas existenciais, das nossas maiores frustrações, dos nossos sonhos gorados. Queimamos anos da nossa vida a aturar mães manipuladoras, pais cruéis, irmãos viperinos e, anos mais tarde casamos e recomeça tudo de novo, vêm os anexos (sogros e cunhados) ou, como diz a Patrícia e muito bem, os «danos colaterais». Pois. Deviam ser. Mas nem sempre são. Porque os estilhaços de guerra nos atingem e magoam muito quem está do nosso lado e depois a nós. Só magoam se houver estima e amor. Sem isso não tocam sequer. Os filtros que supostamente deveríamos ter arranjado na nossa família são agora requisitados novamente, quando afinal deveríamos, mais do que nunca, guardar as armas e deixar o campo de batalha vazio.&lt;br /&gt;   Tenho de ser franca, odeio a vida familiar em muitos aspectos. Mostra o pior que o mundo tem, mas está ali, no nosso cosmos, que deveria ser preservado incólume. É mais triste ainda quando deparamos com casos de pessoas que deixaram simplesmente de se importar com a diferença entre o bem e o mal, neutralizando os efeitos de ambos. Vivem no cinzento, na amargura, na depressão. A família provoca isso muitas vezes: o descrédito no outro.&lt;br /&gt;   Se formos pensar bem, deveria ser ao contrário. Tudo o que é revista cor-de-rosa mostra as famílias sorridentes, com casas maravilhosas, profissões bem pagas e pessoas com cara de quem nunca teve problema nenhum em conviver com um filho-da-puta de um pai tirano, de uma mãe postiça, de um irmão sacana, de uma avó maldosa, sei lá…Eu sei que nem tudo é como se vê. Visto à lupa, são pessoas como nós. Ou então disfarçam. E é nos disfarces que as coisas começam e se prolongam toda a vida. Quando temos de enfrentar os piores disfarces, os mais cruéis, somos adultos e pais de família. Fará sentido?&lt;br /&gt;   Evidentemente que acredito na teoria que diz que as pessoas com uma família equilibrada são equilibradas. Tudo me leva a crer que sim. Vejo amigas minhas com famílias estupendas e isso reflecte-se no rosto, na vida e nas decisões delas. Estruturam as suas famílias sob esse exemplo, sob essa tutela. Pais fixes, avós fixes, filhos porreiros. Mas e quando não é assim? Há sempre variantes na equação: há pessoas com bons pais que se revelam uma boa merda, assim como há pessoas com pais palermas que são inteligentes. É a velha regra: não julgues ninguém pelos pais que tem.&lt;br /&gt;   A casa onde vivemos, as pessoas que nos acolhem sob a premissa que a minha amiga Rita, filha de pais separados, sempre me dizia «não pedi para nascer», deveriam ser um cosmos do qual nos orgulharíamos toda a vida. Um cosmos harmonioso, onde há lugar para brincar, discutir, teorizar, contrariar, reflectir, e acima de tudo, amar. Evidentemente, todos temos expectativas acerca dos outros, expectativas essas que se acentuam com aqueles que nos estão mais próximos. É normal esperarmos muitos dos filhos. Mas nunca nos podemos esquecer, quando somos pais, que quanto mais esperamos dos filhos, mais eles esperam de nós. Estaremos, por isso, a enredar-nos num emaranhado muito complexo de vivências emocionais. Como esperar um filho «perfeito» se nós não o somos? Em pequenos não tínhamos defeitos? Em adolescentes não contrariámos os pais? Em adultos não discordámos deles? Se não o fizemos, então estamos mal. Porque os pais esperarão de nós o impossível, aquilo que muitas vezes não lhes podemos dar, que é sermos deles, melhor, sermos como eles, ou parte deles.&lt;br /&gt;   É curioso como a educação e a forma como sempre fomos tratados tem tanta influência na nossa personalidade, mas também é curioso como duas pessoas, na mesma situação, se desembaraçam de uma forma completamente diferente.&lt;br /&gt;   Costumo dizer que o meu cosmos dito «organizado» (que já não era muito) ruiu com a morte da minha mãe. Mas no fundo, quem ruiu se não eu própria, a minha personalidade, a minha expectativa elevada sobre o outro? Como todos os seres humanos, eu queria a minha mãe eterna e invencível. Eu queria a minha mãe como ela se mostrava ao mundo e a mim. Como eu a via. Vi muitas vezes a minha mãe «perdida» no caos tremendo que era a sua vida, e que hoje compreendo melhor do que nunca, por viver situações similares. Possivelmente a minha mãe foi a porta aberta dessas mesmas situações: eu tinha e tenho de passar por elas para crescer. Essa é a maior descoberta do «eu»: eu não sou ela, nem parte dela, nem como ela. Se perdermos a mãe pequenos, temos um choque: perdemos a super-mulher (ou o super-homem, o pai), mas melhor ou pior adaptamo-nos, vamos procurar incessantemente compensações para o nosso desequilíbrio afectivo. Mas se perdermos o pai ou a mãe muito mais tarde – e eu perdi aos 24 anos – então o choque é avassalador, porque descobrimos uma miríade de coisas que dantes não víamos. Melhor, eu fiz esse exercício, ou porque sou assim e é a minha personalidade ou porque tive condicionantes de vida que me obrigaram a isso. Acredito que muitas pessoas, na minha situação, não se pusessem sequer em «posição» de aprender com o erro de nos identificarmos com as pessoas de quem gostamos. Eu sou eu. Não sou «nós», não sou «vós», não sou «ele», não sou «ela». Se fosse, o pronome pessoal na primeira pessoa não existia. A língua faz parte da compreensão humana e muitas vezes explica-a.&lt;br /&gt;   Se anularmos a falta de antagonismo com o mundo, anulamo-nos a nós próprios, porque amputamos o principal: aquilo que nos distingue das outras pessoas. Durante anos batalhei para descobrir o que é que eu tinha diferente das outras pessoas, porque eu queria ser eu. Era a escrita? Era a percepção do mundo? Eram os meus pais, os meus amigos? Era a minha vida? Mas é tudo isso e não é tudo isso. Porque se eu tivesse outra família, outros amigos, outras experiências mais neutras, mais fáceis, sem me achar por exemplo uma pessoa tão distinta dos meus pais e avós, ou sem ter de passar por um luto tão doloroso, talvez eu fosse como sou, podia ser que até mantivesse um espírito pessimista como aquele que tenho hoje.&lt;br /&gt;   Sou uma céptica em relação às pessoas. Acho que a maior parte das pessoas gere a vida do mesmo modo que um cão: salivando por um bocado de comida. Para umas pessoas é a companhia, para outras é o dinheiro, para outras a possibilidade de subirem na carreira, para outras é ficarem bem vistas, para outras é simplesmente chamar a atenção sobre si mesmas. Há muito pouco de «sincero» nas pessoas. Sinceridade é um bebé na rua nos sorrir sem propósito nenhum, só porque gostou da nossa cara. Com algumas pessoas conseguimos essa espécie de empatia instantânea, a vulgar mas sempre honesta «simpatia».&lt;br /&gt;   A família pode ser a prova dos nove, a prova de que a vida é muito difícil. Pode ser maravilhosa ou amputadora da nossa auto-estima. Pode ser harmoniosa ou o primeiro de muitos campos de guerra onde temos de combater. Pode mesmo ser a prova dos nove: será que nós conseguimos ser nós mesmos quando «eles» não querem? Será que nós podemos ser felizes à nossa maneira, mesmo quando eles pré-definiram e nos pré-programaram para sermos «felizes» à maneira deles? Uma coisa eu sei. Estamos bem connosco quando já não é um desafio provarmos aos outros, sobretudo família, quem somos como pessoas e o que valemos. Isso é ouro.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5684526371489585?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5684526371489585/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5684526371489585' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5684526371489585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5684526371489585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/antagonismos-na-bblia-ensina-se-que-os.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3297412569455975421</id><published>2007-05-02T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-05-02T14:22:37.391-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;A Bela e o Mestre – Parte 2&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Está quase a acabar, podemos bem suspirar de alívio, graças a Deus ou à TVI este programa já só tem quatro casais na casa (depois de um ter sido expulso no decorrer da semana, eu sei porque estive de férias e vi tudo no Goucha). Não sei se já repararam, mas tudo o que é mau prolonga-se. É igual às doenças coronárias, à diabetes, aos joanetes, à caspa que não sai com Linic, às dores menstruais que não passam de modo nenhum. É mau, pronto. Fica ali a moer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Antes de mais, só apanhei um episódio domingueiro, isto é, uma gala, depois de a Clara Pinto Correia sair da sua função de júri. Não vejo uma pessoa como ela ali, mas parece que primava pela arrogância. Substituíram-na por alguém pedante, uma espécie de madame da casa da luz vermelha, Paula Bobone de seu nome. Qual é a profissão dela? Nenhuma. Escreve livros sobre etiqueta. Uns livros medonhos em que ela aparece na capa com umas luvas brancas e uma roupa ditas «finas», mas que a mim só me lembra uma coisa: prostituição. Deve ser, porque o nome Bobone ela herdou do marido, provavelmente o tal dinheiro que lhe concede «status» também. Mas mesmo que já fosse para o casamento rica, nada deixa a desejar como pessoa. A mim parece-me sempre que ela finge aquela arrogância de forma torpe, para enganar o comum dos mortais. Aparentemente, nem se mostra incomodada com o cheiro a suor do Zink, as suas maneiras bruscas, as suas interrupções pueris e nulas, nem pelo argentino chamado Carlos, que fala castelhano deturpado e que custa ver porque, sendo uma pessoa bem disposta, não está ali a fazer nada. Com quem dormiu ele para ser júri? E a Marisa. A Marisa Cruz Pinto, que me parece nada dever à inteligência, mas que também não é pretensiosa, e está bem ali, foi misse e é casada com o João Pinto, duas opções que lhe concedem o estatuto ideal para ser «bela», ou «estúpida», porque ali corresponde exactamente ao mesmo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A questão é: como é que pessoas tão estúpidas avaliam pessoas ainda mais estúpidas? Pronto. O programa é para a palhaçada, claro que é. Só pode ser. O Zink tem mais responsabilidades: é professor universitário e vai para ali babar-se cada vez que uma mulher aparece de saltos e mamas proeminentes esmagadas num decote profundo. Aquilo parece um desfile de fruta, daquela fruta boa de se ver e uma merda para se comer, daquela fruta que sabe a sabonete, mas é gira, tem um invólucro fantástico e delicioso, palavras da Bobone, que se farta de avaliar os sapatos das meninas. Eu vou ser franca: o bom do programa é as meninas serem bonitas e as vestirem bem, realmente, porque de resto…é tudo mau, é tudo, como diria a profª drª Vitalina Leal de Matos nos seus exames de Estudos Camoneanos, sofrível. Aquilo parece retirado de um sonho erótico do Zink, que deve ser o homem com mais erecções por minuto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Passa uma menina e vem o assobio, o piropo, a boca foleira. E o que é que a menina vai fazer? Vai ser avaliada. Portanto, há muito de envolvência porno erótica naquilo tudo. A menina é chamada ao quadro. Faz contas de minissaia e saltos altos. Demora a raciocinar porque é burrinha e no fim dá saltinhos para as mamas baloiçarem e os homens vibrarem e a Paula Bobone dizer «gostei dos sapatos». É o sonho de qualquer professor de meia idade como o Zink, que nada tem para dar e à mostra só está uma barriga proeminente. Mostra-se chanfradinho, tolo, senta-se ao lado delas a ver se suspiram, mas ninguém suspira…nem a Bobone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;O que é que aprendemos com o programa? A não sermos parvos ao ponto de ver «aquilo» e mudarmos de canal logo no genérico. Só isso, porque cultura geral não há, inteligência não há. Ali avalia-se se as pessoas sabem a que artéria foi operado o Eusébio na última semana, e onde foi a actriz Margarida Villanova passar férias. Cultura geral. Ai ficamos a saber que tivemos uma ministra da educação chamada «Ana Paula Leite» (bem melhor do que Manuela Ferreira Leite) e um grande actor chamado «Soldado», pai da «Joana Soldado» (nem o parentesco a bela acertou, porque quem ouve Jesus é a filha Alexandra, não a neta Joana). Quando o apresentador, outro cromo triste, tentou ajudar dizendo à bela «troca o d pelo n» a rapariga ficou confusa. E a Bobone a rir e o Zink «é um actor que não chega a general», como se isso ajudasse…Outra muito boa foi a rapariga que tinha de adivinhar quem era o Koffie Anan, e o apresentador «como se diz café em inglês?» e ela nada. Melhor foi ainda o Anthony Hopkins, vai o apresentador, todo bondoso, a ajudar, «como se diz pele em inglês? Você sabe que estuda para esteticista», e a bela «mas eu estudo francês, e nunca soube como se diz pele em inglês». Era «skin». Já agora…ajudava alguma coisa ela saber? Eu ajudo: Hopkins= Hope+Skin. Raciocínio do apresentador, não meu. Uma única fotografia foi bem identificada: Marilyn Monroe. Porque será? Graaaande actriz, de maravilhosas pernas e decotes, como não saber? À Edite Estrela coitada, chamaram-lhe tudo: Elisabete Estrela, Ana Estrela…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A outra parte, a das contas, a da matemática, também me impressionou. Não são «elas», as belas, coitadas, que estão mal, é a sociedade que está a dar relevo a uma coisa triste: as pessoas não sabem somar, subtrair, dividir, multiplicar…nem que seja por dez. Lembram-se da conversinha dos nossos pais e professores: uma vírgula para trás, outra para a frente? Esqueçam, elas nem isso sabem…Como diria a Bobone «ai que espectáculo triste e divertido ao mesmo tempo!». O merceeiro onde eu ia com a minha avó não devia achar…E os problemas de matemática? Poder-se-ão chamar assim? Acho que não. «As belas foram comprar uma camisa de 450 euros ao Rui Zink. Quanto pagou cada uma?». E não é que a rapariga se engana…por uma vírgula? E O Zink na hora da votação diz-lhe «olha, querida, toma 2 valores, não, 20, é a diferença de uma vírgula. Dou-te 20 valores porque nunca recebi uma camisa de 450 euros, tá?». Portanto, o programa é pedagógico. Se não sabe, leva castiguinho, mas como teve graça, sai do castiguinho. Melhor ainda foi aquela conta que deu 9,6 rebuçados a cada bela. O que é 9,6 rebuçados? Cada uma recebeu um rebuçado e metade de outro comido pelo Zink? Não sei…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Também gostei muito de uma prova física de capoeira executada pelos rapazes. Não vi, mas gostei na mesma por causa dos comentários que a prova suscitou. A Bobone, cultíssima, não sabia a origem da capoeira, e o Zink, o professor, explicou «Era uma arte marcial praticada pelos escravos, mas como era proibida disfarçava-se em dança». Acho que ele inventou um bocado e depois extrapolou para a cultura geral, sim, porque o programa assim o exige. «O maior exportador de escravos era, era Port…Port…» e a Bobone completou orgulhosa «BRASIL!». Parecia o velho programa da amiga Olga (UAU!). Ficámos a saber que Portugal exportava escravos (cá para mim era intermediário, a África é que exportava, mas tudo bem) e que Brasil se escreve com «P». Depois, dizia o Zink para completar a questão, o importante é saber que o Brasil é melhor que Portugal em tudo: no tempo, na alegria de viver, nas mulheres…ah pois! É isso mesmo! Gajas! Gajas! E vem o apresentador Zé Pedro, ex da Rueff, «Mas aqui não precisamos de guarda-costas e temos mulheres muito bonitas!». E a Bobone, cultíssima: «Mas Zé Pedro, você é pobre. Os pobres no Brasil não são assaltados, são assaltantes». Pois é. Quando eu achava que os comentários não podiam descer mais, aí está um comentário que me irrita: a assimetria social. Ela vive bem e nós não. Ela tem os dentes arranjados e nós, os pobres, temos os dentes podres. Ela pode andar na moda, mas nós, gajas depauperadas que nem a Floribella, andamos a carregar sacos das compras (frase da Bobone há uns anos atrás). Ela vive em Cascais e dá um beijinho ao de leve (segundo a própria disse ao apresentador, «sem cuspo, que enoja»), nós moramos em Barcarena e Queluz de Baixo e damos dois beijinhos molhados. Ai que horror! Ai que nojo! Como é que ela fez os filhos dela? De luvas e com beijinhos secos? É que só pode…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Este apresentador-emplastro, o Zé Pedro, está mal ali: interrompe convidados, júris (não é por nada, eles não dizem nada de importante, mas é falta de educação), dá a sua opinião, ajuda umas belas e não outras. Ele não é bom actor. Não gosta de fazer aquilo e nota-se. Há uns anos atrás o Vergílio Castela apresentou o «Isto só Vídeo». Questionado numa entrevista se gostou desse trabalho, ele respondeu com sinceridade «Não, mas sou bom actor e fingi o melhor possível. Era a minha função». Está claro que um actor, um bom actor, não faz nada na apresentação de programas parvos. O Vergílio tinha mesmo de entrevistar as pessoas que ganhavam o concurso, e uma das vezes ganhou um senhor que tinha deixado cair a placa no bolo de anos enquanto cantava os parabéns a você. Eu acho que até o Vergílio Castela ficou enojado, mas lá foi ele perguntando a medo se o senhor já tinha a placa fixa (não fosse a dita cuja cair ali). Para o José Pedro deveria ser assim também: não gosta mas tem de comer. É o contrato. Só que ali anda ele às avessas, com ar de quem odeia aquilo, perdido no meio de tanta mama, tanto comentário triste, tanto barulho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A Iva Domingues (dantes Iva Pamela, ó nome mai lindo!) vai melhor, vai na onda: para já usa decote, e lá se ouve às vezes no público um burgesso «gaja boa! Ai se fosses minha!», e todos riem, o Zink baba-se e o Zé Pedro com aquele ar de «despachem-se! Quero ir para casa!». A Bobone compõe a écharpe com modos «educados», mas faz parte daquele circo triste e desonroso até para ela, que já é avó. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Estou ansiosa pelo final do programa. Não sei se é bom se é mau, porque a seguir deve vir um pior. Agradeço a quem inventou a TVCabo, são ciganos, mas salvam-nos desta torpeza de carácter. Ganhará a Sandra e o Gil, que o Zink apelida de «a bela e o totó»? A Marina e o Lipari, que parece retirado da série «Fame»? Os novatos Paulo e Maria? Ou os veteranos Jaime e Vera que, segundo a Bobone «evidenciam uma clara desarmonia física, ela alta e ele baixo». Eu não sabia. Não sabia que as pessoas para «evidenciarem harmonia» tinham de medir o mesmo. Anda aí muito casal enganado…Fico à espera do vencedor e depois conto tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-3297412569455975421?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/3297412569455975421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=3297412569455975421' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3297412569455975421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3297412569455975421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/bela-e-o-mestre-parte-2-est-quase.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2659657131238464555</id><published>2007-05-02T14:13:00.000-07:00</published><updated>2007-05-02T14:14:25.315-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Perguntas de uma gaja&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;1)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que o homem é um bicho que não chegou ainda ao paleolítico?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;2)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que os bichos mais parecidos com os sogros são os pega-monstros, uma vez colados à nossa vida não saem mais?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;3)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que o conceito de «pergunta estúpida» muda completamente com o casamento? Muitas vezes ouvimos «É mesmo preciso limpar isto? Mas nem estava sujo…» (esterco a cair do tecto) ou «Tenho nódoas?» (blusa com as cores disfarçadas pelas nódoas) ou «Porque não ter as cuecas rotas? Não se vêem sequer…» (inimaginável).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;4)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que os direitos são desiguais entre homens e mulheres casados: eles podem ser carecas e gordos e nós não?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;5)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que um homem acha sempre que sabe tudo mas nunca resolve nada?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;6)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Porque é que as pessoas malcriadas acham que têm sempre razão/justificação?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;7)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que a graxa não se usa só nos sapatos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;8)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Porque é que há pessoas que não ligam aos espelhos que têm em casa e andam na praia com as bordas do cu de fora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2659657131238464555?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2659657131238464555/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2659657131238464555' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2659657131238464555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2659657131238464555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/perguntas-de-uma-gaja-1-porque-que-o.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-4577539104111060511</id><published>2007-05-02T14:12:00.000-07:00</published><updated>2007-05-02T14:13:30.411-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;A banha da cobra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Muitas vezes não passa disso. Digam o que disserem, as técnicas de persuasão para vender um produto ao cliente não passam de banha da cobra. E as que são sérias, nós declinamos, porque temos o receio de sempre: ser enganado. Isso torna-nos desconfiados com tudo o que é dado – haverá retorno, o que me vão pedir em troca? Deve ser por isso que amizade e amor são genuínos (supostamente): a retribuição tem de estar dentro de um cosmos harmonioso. Vejo casais tenebrosamente incompatíveis. Onde raio se desencantou a ideia de que um dos elementos pode tudo e o outro não pode nada? É uma coisa estranha. Há pessoas que são banha da cobra, compra-se gato por lebre (com todo o respeito pelos gatos). Quando isso acontece, como diz uma amiga minha, quanto mais tempo passa menos se vê, porque no fundo adaptamo-nos a tudo o que é mau, e até achamos que, comparados com outros casais, com a vida de outras pessoas, estamos muito bem. À medida que o tempo passa, nem sempre são os laços afectivos e os projectos comuns que sustentam a relação, mas sim a dependência. Como sair dali? Muitas pessoas não vêem saída, outras não querem ver. Mas os maiores cegos são aqueles que nem se apercebem que estão mal, mesmo mal e vivem dentro de um remoinho de coisas totalmente erradas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Já desde há uns dias para cá que me consigo distanciar o suficiente para perceber uma coisa: a história da banha da cobra estava certa. Uma vez ou outra todos somos enganados, todos nos enganamos na porta a que batemos, quer seja no trabalho, quer seja no amor, quer seja na vida do dia-a-dia. E apesar de pensarmos que quietos até estamos bem, estar quieto é uma atitude como outra qualquer, o silêncio revela muito mais do que poderíamos pensar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;No outro dia fui abordada no Saldanha por uma rapariga, ainda muito jovem, com alguma simpatia, que me pediu os dados para um sorteio de louças de porcelana, vendidos numa loja nova que estava a divulgar os seus produtos. Por «acaso» até fui das premiadas, imaginem porquê, porque era casada. Pediram-me que fosse com o meu «esposo» receber o prémio, ao que eu respondi que com os horários do meu esposo era impossível irmos os dois levantar as bem ditas porcelanas (ou o prémio que fosse, provavelmente uma caneta sem tinta…). Pensei o quão parva (ingénua) fora em aceitar tacitamente dar os meus dados pessoais a uma estranha e estar a ser telefonicamente contactada em horas de trabalho, insistentemente, para ir lá buscar a prenda. Até que, três telefonemas depois e muitas outras vezes sem atender nem responder ao contacto deles, acabei por dizer que eu e o meu marido (que nunca soube disto) não queríamos lá ir buscar nada. A senhora, suficientemente educada e sensível, disse logo «mas qual é o seu receio? Que eu venda alguma coisa?» e eu respondi, de forma sincera «Sim, claro», ao que ela retorquiu «Pois, hoje em dia ninguém dá nada a ninguém, mas o objectivo era vir à loja conhecer os nossos produtos e, caso gostasse, divulgá-los a outras pessoas». Até podia ser verdade, parece verosímil dito assim, na voz calma da senhora, mas eu disse novamente «A decisão foi não ir aí», e ela aceitou (que remédio!) e desligou. Pois é. Costuma-se dizer que pelo justo paga o pecador, ou seja, mesmo que fosse verdade, eu já estaria altamente desconfiada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Digamos que quando nos vendem banha da cobra muitas vezes, inequivocamente ficamos desconfiados, de sobrolho carregado. Com as pessoas também acontece isso. Se muitas vezes aparecem para nos dar cabo do juízo, é natural que na próxima vez desconfiemos delas. As relações humanas muitas vezes também se baseiam na falsidade, na venda de um produto inquinado. As pessoas levam o cartão de visita, muitas vezes um cartão irresponsavelmente redigido, porque é falso e desconectado da realidade. Além do cartão, muitas apresentam-se da mesma forma que um vendedor da banha da cobra. Para mim vai sendo fácil descortinar quem são estas pessoas, mas muitos se deixam convencer com facilidade. Desde quando uma pessoa chegar ao pé de nós e dizer «Sou boa pessoa, muito humana e sensível» pode ser vulgar, comum, natural? Era suposto que actos e palavras demonstrassem isso, todavia as pessoas dão de si a melhor cara, vendem o que lhes interessa, e nem sempre sabem que se calhar eram incapazes de ajudar um amigo com a sua palavra, a sua presença. No fundo, sermos capaz e darmos o primeiro passo para ajudar alguém é um dom e não precisamos assim de tanta disponibilidade e dinheiro como pensamos. Há sempre tempo para uma palavra, pelo menos, de ânimo, de doçura, de coerência com essa faceta de «ser boa pessoa».&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Porque é que toda a gente teima em ser «boa pessoa», mesmo quando não é? Porque é um bom cartão de visita. Dizemos e fazemos o que achamos que os outros vão gostar de ouvir ou ver, mas que na realidade não somos. Mas será que, segundo a lei da causalidade do universo, não haverá alguém que tope essa incoerência? Eu acho sempre que sim. Que alguém mais esperto, inteligente, sensível ou simplesmente «experiente» vai perceber a incoerência. Então andamos a lutar para salvar baleias mas não temos tempo para ajudar ninguém porque somos «pessoas ocupadas a salvar baleias». É um bocado nisto que as pessoas se baseiam. Ser boa pessoa é hoje como vender banha da cobra, gato por lebre. «Toma lá este embrulhinho bonito», por dentro vem um bomba estraga-tudo, uma pessoa miserável e manipuladora a quem basta ser boa vendedora para vencer na vida. Evidente que não falo do disfarce da segurança: nem sempre se pode mostrar fraqueza e verdade em todas as situações (embora, tal como os animais, a insegurança e o medo se pressintam). Muitas vezes ficamos entalados em situações em que não podemos verdadeiramente ser nós próprios. A minha pergunta é: como é que se vive fora de nós próprios sempre, ou melhor, mentindo a nós próprios e aos outros quem somos? Deve ser um jogo de exigência elevada, de muita mestria, e as pessoas ficam normalmente a ganhar com isso, pelo menos na aparência. A grande questão é: onde arranjam essas pessoas tempo e espaço para a verdade? Nenhures. Onde arranjam espaço para amigos verdadeiros? Não arranjam. Onde conseguem sinceridade? Sacando elogios de engraxadores iguais a elas. Onde procuram a felicidade? No fundo do bolso dos outros, no fundo da sua fraqueza e boa vontade. Qual o mérito deste jogo? Do ponto de vista moral, nenhum. Socialmente, é um jogo correcto e bem aceite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Quando tiverem experiência de vida e sensatez identifiquem uma destas pessoas e…ponham-se a milhas. Ou então façam como o Chuck Norris: sejam a consequência dessas pessoas, a pedra no sapato, a espinha atravessada na garganta, o mau da fita. Essas pessoas não gostam e escoceiam, sentem-se acossadas no seu próprio jogo. Todavia o melhor jogo que existe é o de não jogar o mesmo jogo. É como com um idiota: nunca se consegue descer ao nível dele, nem vale a pena tentar, mais vale passar ao lado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-4577539104111060511?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/4577539104111060511/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=4577539104111060511' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4577539104111060511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/4577539104111060511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/05/banha-da-cobra-muitas-vezes-no-passa.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5092311028811761999</id><published>2007-04-16T14:16:00.000-07:00</published><updated>2007-04-16T14:17:09.602-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;As aulas de Pilates&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Por vezes sinto que realmente não sou muito igual às outras pessoas. A Patrícia Torres diz que eu e Tembua, se não existíssemos éramos inventadas. Eu também acho que a Patrícia teria de ser inventada, nem que fosse para regrar os hábitos de cozinha desenfreados em gordura e açúcares que temos. Mesmo no bolo de noiva, a Patrícia divide o que é bom e o que é mau cuidadosamente, de modo a comer o miolo e deixar aquela capa de açúcar medonha com que enfeitam os ditos «alimentos» (lol). Eu e a Tembua somos as duas únicas mânfias com coragem para ir a um casamento de vermelho (ela com sapatinho vermelho e tudo), quais pérolas de uma ostra sem mais nada para fazer do que cuspir estas duas belezas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Das duas uma: ou a mim e à Tembua acontece tudo ou somos nós que somos muito observadoras. É que até a minha aula de Pilates tem que se lhe diga, quase tanto como as turmas de formação da Tembua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A turma de Pilates era muito pequena no início, basicamente pessoas que já se conheciam e que conheciam a professora, tudo gente na casa dos cinquenta e dos sessenta. Por razões que desconheço, as pessoas mais velhas gostam imenso de discriminar os mais novos. É uma coisa que não se percebe bem, porque durante anos a queixa era que os mais novos não queriam saber dos mais velhos, que os deixavam a um canto, que não os queriam ouvir. A minha perspectiva é sempre distinta: quero aprender o máximo possível com eles, até o que não presta, para não repetir os mesmos erros. Acho que está bem. Agora a questão é: quem, dos mais velhos, está disposto a ensinar alguma coisa a esta «jovem»? Socialmente falando, não sou jovem coisa nenhum: sou velha para tudo, nesta sociedade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;O que fariam estas cotas do Pilates há trinta atrás? Certamente já teriam parido um ou dois filhos, iam no primeiro casamento, antes do segundo (e algumas do terceiro, pelo que sei), tinham um emprego para o resto da vida, ou viviam à conta dos maridos. Não sei. Pelo que oiço, já foram à Tailândia, Macau, Nova Zelândia, Brasil, Barcelona, etc. Em suma, viajaram. E com aquelas idades podem ir ao Pilates, à natação, ao shiatsu, às massagens. Já têm filhos criados, casados, netos. Podem viajar, ler livros, apanhar sol. Está bem, não têm o meu corpo, não sou eu que digo à laia de ser convencida, são elas que dizem. E depois contrapõem «Há muitas meninas mais novas pior do que nós, e que andam por aí cabisbaixas». Ó amigas, é assim: hoje em dia um jovem não tem por onde se safar. Emprego é mentira, o pessoal trabalha a recibos verdes anos e anos a fio, a ganhar misérias, a descontar balúrdios. Os que ganham bem, não têm vida pessoal. Filhos é mentira, ninguém quer crianças, as escolas levam metade dos ordenados e não há disponibilidade para os criar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Não perco tempo a dizer-lhes isto. Cheguei aos trinta anos com uma convicção que me parece sensata: não vou perder tempo com pessoas que não sabem ouvir. É que ouvir – como hei-de explicar? – é mesmo essencial. Ninguém cresce sem ouvir os outros: mais novos, mais velhos, assim-assim, homossexuais, travestis, crianças, pessoas da nossa idade, o homem do talho, da mercearia, a cabeleireira. Todos têm alguma coisa para ensinar, nem que seja pela negativa. Até os malucos dos autocarros. Se não soubermos ouvir, vamos achar que estamos certos e sabemos tudo. A questão é que nem sempre estamos certos. E ninguém sabe tudo. Nem os mais velhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Os velhos mais felizes que conheço fazem duas coisas: exercício físico e querer aprender mais. Se assim não for, estagnam, ficam a boiar à tona, a pensar «no meu tempo é que era bom», mesmo que tenham vivido miseravelmente. Ou então vão dizer «queria era ter trinta anos outra vez». Até compreendo, as articulações nem doíam tanto, tinha-se melhor vista, fazia-se tudo com mais flexibilidade. Mas essa perspectiva também está inquinada. Nada volta para trás. Temos de ser felizes para a frente e se possível sem comparação com «os mais novos». Também é prudente pensar que nem todas as pessoas novas são felizes, estão bem consigo mesmas e alcançam da vida o que desejam. Muitas pessoas não são elas próprias até serem velhas. Outras nunca são elas próprias e o resultado são velhos amargos e infelizes, cujo fulcro dos pensamentos se centra na doença. Os budistas dizem que a doença é um sinal para prosperarmos: do-in. Dentro de mim próprio. Proteger o interior exige um treino muito maior do que ir ao Pilates. Pode começar aí. Pode começar noutra coisa qualquer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Para a Patrícia Torres proteger-se é não comer carne, ser vegetariana e parece-me uma decisão inteligente. Para a Patrícia França é ir às massagens, à depilação, namorar. Para a Paula é pintar bonecos. Para o meu marido é tocar guitarra portuguesa. Para mim é escrever. Todos temos estratégias e dispomos de outras, muito ricas e brilhantes que nos fazem evitar a do-ença, o desfazamento interior, a capitulação à raiva, ao desespero, à tristeza. Fico muitas vezes surpreendida como num dia consigo mudar de estado de espírito por coisas de nada. Por exemplo, ontem vi o meu sobrinho e fiquei muito contente, mesmo com ele a tentar boicotar a minha festa de anos, podre de sono. Mesmo que me partisse a casa toda, a companhia do bebé, da mãe, do pai eram suficientes para a minha animação interior. Outras pessoas têm a capacidade de me arruinar o dia, a disposição, até a alegria de viver, sobretudo pelo que representam, pelo que pensam de mim, pela coisificação do outro, que apenas lhes «serve» como uma roupa. E os outros são tratados como roupa fixe, de todos os dias, roupa reles, que vai para panos do chão ou roupa de gala, que lhes assenta como uma luva nos dias de festa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;As aulas de Pilates e qualquer ginástica que eu faça (nem que seja andar a pé) têm a capacidade de me animar, acho mesmo que é científico, quer dizer, estimulam a sorotonina, libertam endorfinas. Portanto, depois de um passeio vigoroso, a raiva esvanece-se. O meu período mais raivoso e triste sempre foi de manhã. Deve haver uma explicação científica, porque os psiquiatras dizem que, regra geral, quem adoece de depressão tem dificuldade em acordar, em levantar-se, em enfrentar um dia novo. Para mim as manhãs sempre foram um pequeno tormento, mas às vezes conseguem ser ricas em acontecimentos cómicos. Hoje por exemplo estava um homem sentado no meio na estrada, em Oeiras. Porque sim, porque lhe apeteceu. Ora toma. E os carros tinham de se desviar…Este tipo de narcisista eu ainda não tinha visto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Os velhos não sabem tudo, mas padecem de um mal muito comum, achar que sabem tudo. Acham que têm as doenças todas, as dores todas do mundo dentro da alma. São uma espécie de relicário de porcaria. Parecem ter recalcado coisas inacreditáveis, parecem ter feito um registo de todas as vezes que foram espezinhados para poderem espezinhar os outros com requintes de malvadez. Deste tipo de velhos ou simplesmente da meia-idade o discurso típico é «Vais ver quando cá chegares», «Não sabes nada», «Quem te dera a ti saberes o que eu sei», «Se eu tivesse o teu corpo…». As minhas colegas do Pilates dizem que na idade delas vou ser gorda, vou «ranger» as articulações (expressão que me fez rir, lembrei-me das portas com dobradiças sem óleo), que os jovens não sabem nada (mesmo não sabendo o que eu sei). Quando olho os corpos delas, percebo o que é a «acumulação» de coisas negativas, o que é comer mal, beber pouca água, ou fazer o que os outros querem em vez do que nós queremos. Todavia, elas têm sorte: têm saúde, podem viajar, têm dinheiro, filhos que estão bem…e o terrível problema de não serem jovens. Portanto, de um lado da barricada estou eu, jovem e estúpida, do outro lado estão elas, velhas e sábias. Vou dar a ideia à TVI para mais um programa culturalmente rico…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5092311028811761999?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5092311028811761999/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5092311028811761999' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5092311028811761999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5092311028811761999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/as-aulas-de-pilates-por-vezes-sinto-que.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-8957013559242738690</id><published>2007-04-16T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-04-16T14:16:09.609-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;A concha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Há aqueles dias de sol em que não apetece nada. Deixem-me ficar. Estar assim. Não me chateiem. É um bocado esta norma que é difícil seguirmos e os outros seguirem também. Parece que só estamos felizes se nos intrometermos na vida dos outros, se fizermos um – nem que seja um – comentário destrutivo. «Estás mal vestido», «Estás gorda», «Pioraste muito de feitio», «Assim não vais a nenhum lado». As pessoas somam coisas negativas umas contra as outras para ver de deprimem, se achincalham, quando podiam perfeitamente ser assertivas, dizer simplesmente «Não concordo contigo porque…» com voz calma, dizem antes «Não tens razão! Não acho!», numa interrupção abrupta, com má fé, com a intencionalidade de dar o gritinho narcisista do costume, «Eu estou aqui, olhem para mim». &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;As pessoas não têm medo de se afirmar pelo pior de si mesmas. Quantas colegas de faculdade eram assim? Imensas…Tinha uma colega cuja principal actividade era dizer o que os outros deviam fazer, mesmo em actividades que ela não sabia fazer. Dizia raivosamente «Porque é que começaste a fumar? Acho uma estupidez…», mas fumava imenso, justificando-se com «Ah, mas eu fumo, tu não fumavas…». Que estranho alguém cuja maior estupidez é fumar um maço de cigarros por dia dizer aos outros que são estúpidos porque fumam um cigarro de vez em quando. Outro comentário frequente dela – e de muitas pessoas que conheci ao longo da vida – era o célebre «porque é que não conduzes?». Mas desde quando – desde quando? – existe alguma lei que obrigue as pessoas com carta a conduzirem, a terem carro? As pessoas não podem preferir ir de transportes? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A maior parte de nós vive no meio de dogmas que tenta impor aos outros, mesmo que sejam dogmas sem fundo de verdade ou qualquer moralidade como cenário. Conduzir ou não conduzir não tem nada de moral ou imoral ou amoral (a menos que não se tenha carta ou não se veja bem), no entanto achamos que sim, que faz falta aos outros porque nos faz falta a nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Até questões como os sentimentos provocam mal entendidos. Para mim o amor é essencial. Acho impossível estabelecer ligações íntimas com as outras pessoas sem que a base seja a afectividade. É verdade que não temos afectividade por todas as pessoas com quem nos relacionamos, mas ter inteligência emocional compreende saber gerir isso. Todavia, cheguei a esta idade a perceber uma coisa: é um dogma meu. Há pessoas para quem amor e afectividade são relativos e dependem das circunstâncias que lhes são favoráveis. Não sei muito bem como se gere uma vida interior desse calibre, mas deve ser apenas pela superfície. Que fundo de verdade pode existir nessas pessoas? O que podemos esperar delas? Nada, basicamente. Não devemos sequer ir à procura do que não existe. É pura perda de tempo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;O que se passa na cabeça das pessoas é realmente um mistério, mas há coisas que hoje em dia são comuns e que acho profundamente erradas. O enraizamento da ideia-chave de que a franqueza e a sinceridade correspondem a «dizer tudo de todas as maneiras» na cara das pessoas, e de igual modo «mostrar bem que não se gosta, frisando o carácter» é gerar o caos na ordem pré-estabelecida de que respeito mútuo é importante, conter ideias, palavras e sentimentos pode até ser útil. Não vejo nada disso como hipocrisia, mas se lhe quiserem chamar assim, então está bem, chamem. Eu devo ser uma perfeita hipócrita por achar que tratar bem algumas pessoas pode ser altamente compensador para mim, pessoal e profissionalmente, ou mesmo simplesmente não arranjar problemas no alheio. Mas não. Hoje em dia institucionalizou-se a norma de que pela frente diz-se tudo para libertar maus fígados. Vejam estes exemplos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Uma amiga minha entra numa loja de fatos de banho e a empregada diz-lhe: “ Para si, só se for feito à medida! “, olhando-a de alto a baixo. Portanto, para esta empregada, que deve achar-se o cúmulo da franqueza (nada hipócrita, portanto) dizer na cara das pessoas o que pensa é uma expressão de sagacidade. Será que é inteligente ter perdido uma cliente? De ontem para hoje aconteceu-me três vezes este tipo de sucedido. O primeiro foi ontem, a seguir ao almoço eu e a Patrícia comprámos dois gelados, e a empregada, passado meia hora e depois de ter tirado dois cafés (porque pensava que queríamos dois cafés) lá me disse, na sua máxima sinceridade: “ Esse gelado é enjoativo, tem muito chocolate “. Ai que espontânea! E como diria a Patrícia, alguém lhe perguntou alguma coisa? A seguir entrámos num café. Noutro, para não «enjoar» mais a empregada anterior…Um café daqueles tipo de esquina, soturno, numa cave, cheio de gente mal encarada. Peço um café, sentamo-nos as duas, eu e a Patrícia, e um empregado olha-nos de alto a baixo: “ As mesas são para almoço “, resmunga ele, na sua sinceridade máxima, que, quanto a mim, bem podia ser refreada. Olhamos em volta, e as mesas quase todas vazias. Eu lá digo, muito simpática (que hipócrita sou eu!): “ Se for necessário, saímos “. Mas estávamos a consumir, a pagar, e as mesas quase todas vazias…sair porquê? Ele lá resmunga: “ Podem ficar “, mas muito seco, muito incomodado. Como disse a Patrícia, ficámos a saber de uma vez só porque é que as mesas estavam vazias…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Vamos passar para hoje. À hora de almoço novamente – deve ser a freak time, decerto que sim. Vou a uma loja fantástica que há ali nas Laranjeiras, cheia de enfeites para festas e aniversários, compro as minhas velas de aniversário: 30 anos. E diz logo a empregada: “ Ai a partir daqui é uma desgraça, plim, plim, plim, os anos todos a passarem e nós a cairmos…”. E eu sorrio ao de leve (agora sim, sorriso amarelo ou hipócrita) e apetece-me simplesmente esganá-la. Não só não lhe perguntei nada, como sou uma cliente que ela não deve ver muito por ali, porque a regra é as pessoas não gostarem de fazer anos, muito menos comemorarem com velas e guardanapos os seus 30 anos. Claro que ela percebeu que meteu o pé na poça, porque eu sim, sou sincera, não me rio do que não gosto, e apesar de adorar a lojinha, dificilmente lá voltarei. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Porquê? Porque é que temos sempre uma palavrinha triste e desgostosa a dar aos outros? Porque é que somos tão frios? Porque é que a rapariga, ainda tão nova, se acha tão velha por ter mais de 30 anos, e acha que depois disso, é «tudo a cair»? Se estivesse aqui a Patrícia, diria já «Sim, a gaja é a prova disso». Digam lá se não apetece mesmo responder algo desse género: “ A senhora prova que assim é, que depois dos 30, muito muito depois (deste modo chamava-lhe velha, coisa que as pessoas odeiam), as pessoas ficam amargas e tristes, abrem lojas de enfeites para esconder a desgraça e o vazio interior daquilo que são. Já agora, usa botox e colagénio? É que devia…devia mesmo “. Porque é que as pessoas são sinceras quando não deviam, mas quando devem sê-lo, acabrunham-se tanto? Afinal, a senhora deveria ter dito: “ Já fiz 30 e não gostei nada. Ainda bem que a senhora tem motivos para comemorar…”. Reparem na inteligência emocional e social desta resposta: 1) assume a sua opinião/posição pessoal sem generalizar; 2) não magoa o outro, neste caso o cliente, que não fica lesado na resposta; 3) elogia o cliente, conquistando-o para uma próxima compra. Mais inteligente seria ainda o célebre e antigo «Obrigada e volte sempre». Dantes era só assim que se despedia do cliente. Agora não. Agora vem à boca o fel e a amargura dos dias que não conquistámos para nós e só demos aos outros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;É por isto que gosto tanto de fazer anos. Sou mais eu. Digo a mim mesma: “ Viva! Mais um ano! E está sol e não vai ser Domingo de Páscoa, por isso posso até convidar o pessoal para junto de mim…”. Não vou pensar que estou mais velha, ai as rugas e que porcaria. Afinal saí de casa desde o ano passado, como sempre quis, casei-me, tenho emprego, tenho amigos…vou pensar que a partir daqui é a minha ruína? Que pensamento horrível! Claro que a idade traz alguma nostalgia e socialmente é como uma sombra terrível, há sempre alguém que nos lembra que somos velhos para alguma coisa. Mas seremos?...Fiquem a saber que eu tenho guardanapos da Hallo Kitty, a minha boneca favorita desde menina e não me sinto nada velha nem nada parva por ter ido à procura de guardanapos especiais para a minha mini festa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Gosto tanto de empregados simpáticos, de pessoas simpáticas. Fazem tão bem ao ego. Não é mentir bem nem nada disso, é serem disponíveis, dizerem que estão ali para ajudar. Há uma certa inteligência emocional nisso. No outro dia fui à procura de um par de sapatos lindos, mas que infelizmente me doíam muito nos pés (e eram caros, embora a dor nos pés fosse pior do que o preço!). A rapariga ajudou-me, fartou-se de elogiar os sapatos e disse que me ficavam bem. Eu não os levei, mas achei-a muito simpática. Acontece um fenómeno estranho, sobretudo com as mulheres, acho eu, que é a empatia com os outros. Saber vender baseia-se muito nessa filosofia. Ser macio, dócil, atribuir qualidades a quem compra «aquilo», como a beleza, o conforto, a aparência. Eu entrei naquela loja como sou: quispo esbranquiçado, mochila gigante, botas, collantes com meias por cima, mesmo com este calor, suor a escorrer-me do rosto. E ela sempre sorridente, sem olhares parvos de soslaios, que nós topamos muito bem quando existem. Só que o produto não se adequava, paciência. Na Baixa entrei noutra loja e a experiência foi antitética: empregada antipática, má cara, olhares de soslaio, do tipo «quem é esta gaja mal pronta?», mas estava lá o par de sapatos que eu queria. É assim a vida… Ainda tentei utilizar o método da minha avó, de ser simpático com quem é antipático, dizendo «Boa Páscoa!», mas a rapariga resmungou algo, não levantou os olhos e foi à vida dela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Ser sincero não pressupõe necessariamente ser arrogante (é verdade que às vezes é preciso uma certa agressividade como resposta, para delimitar espaço e dizer ao outro «aqui não entras»). A sinceridade é uma espécie de calma interior, não uma imposição ao outro. Não me parece que dizer «não há fato-de-banho que se lhe sirva» ou como me disseram numa loja «O seu marido não vai gostar de nada disso, eles nunca gostam» seja sinceridade, é, isso sim, arrogância pura. Uma pessoa arrogante não é necessariamente uma pessoa sincera, nem vice-versa, uma pessoa sincera não tem de ser arrogante. Estranho como as pessoas confundem…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Arno Gruen descreve, na sua obra «A Loucura da Normalidade» um estranho aspecto: por vezes os loucos são as pessoas que melhor expressam a sinceridade do Eu, visto desconhecerem, por completo, as barreiras sociais e os códigos que nos orientam (eles e muitas as outras pessoas não loucas, por isso é tão grave a situação). Hoje vi um «louco» no autocarro que fazia coisas estranhas. Os loucos assustam-me desde miúda. Muitos não são perigosos, só estranhos, mas depois de ler o livro de Arno Gruen fiquei com menos pena, porque visto que ninguém os leva a sério, podem basicamente dizer o que lhes apetece. Ele lá estava sentado, fazia sons alto, grunhia, agarrava no braço da pessoa ao lado chamando a atenção para coisas perfeitamente triviais, tipo «Olha um prédio ali!» (no Saldanha, que estranho haver um prédio), mandava as senhoras sentarem-se nos lugares vagos e estendia a mão aos senhores. Depois saiu no Campo Pequeno (isto depois de eu ter fugido para os lugares mais recônditos do autocarro, porque como disse morro de medo dos loucos), e mandou o autocarro avançar, como se comandasse o mundo com as suas mãos. Fiquei a pensar em como nós, seres aparentemente fiáveis, somos tão pouco fiáveis e tão mais instáveis do que este homem. Temos medo de expressar quem somos, mas não temos medo de omitir uma opinião que magoe profundamente alguém ou de dizer o que nos vai na alma por forma a deprimir a outra pessoa, a dizer-lhe de uma vez «Que ideia tão estúpida! És mesmo burrinho!» ou «Eu é que tenho razão, esquece a tua ideia!». É terrível como conseguimos ser estúpidos porque estamos magoados com a vida, connosco, como os outros ou…porque somos estúpidos. Conheço pessoas que não me parecem nada «magoadas» e que são muito antipáticas e agressivas. Por isso, acho os loucos muito mais sensatos, interessantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Na verdade, até o meu sogro, conhecido por dizer tudo o que pensa, acha insensato dizer tudo o que se pensa. Ele tem razão, ele é médico e com toda a certeza milhares de vezes na vida teve de dosear cuidadosamente a informação que ia dar às pessoas, de forma inteligente e sensível. Não podemos dizer tudo o que sabemos, nem tudo o que pensamos, nem tudo o que somos. Até porque muitas vezes não vale a pena. Cabe-nos estudar-nos a nós, ao mundo, aos outros, tentar perceber quando, onde e com quem devemos (e podemos) falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-8957013559242738690?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/8957013559242738690/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=8957013559242738690' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8957013559242738690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/8957013559242738690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/concha-h-aqueles-dias-de-sol-em-que-no.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3623723537184361416</id><published>2007-04-15T10:04:00.000-07:00</published><updated>2007-04-15T10:07:59.453-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;O dia em que fiz 30 anos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Queridos amigos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Há 30 anos, no dia 15 de Abril de 1977, eu nasci. Estou certa de que isso não alterou a maior parte da política internacional e que se calhar já havia, nesse tempo, problemas na faixa de Gaza (desde que me lembro de ser gente que existem…). Alterou, decerto, a vida da minha mãe, do meu pai, do meu irmão, dos meus avós. Portanto, amigos, a faixa de Gaza não mudou, mas a vida de todos estes intervenientes e de muitos outros modificou-se. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Estou a fazer 30 anos e creio que a vida deles se tornou melhor. Por exemplo, a minha mãe diz que fiz dela uma pessoa mais calma, o meu pai divertia-se a levar-me pacientemente ao parque infantil, a minha avó gostava de me fazer totós, e eu estendia os braços ao meu avô. O meu irmão não gostou da novidade, mas hoje em dia creio que fui uma boa surpresa na vida dele. Herdei a sua maravilhosa capacidade de ter mau feitio, de não aturar pessoas malcriadas e de fazer amigos. Digamos que há um misto de ensinamento e vocação própria, porque inegavelmente eu nasci com algumas qualidades porreiras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;O meu irmão atrasou o meu crescimento em larga escala, porque me empurrou muitas vezes contra a parede quando eu era muito pequena (diz a minha avó), fez dos meus triciclos bicicletas com turbo ligado e colocou todas as minhas bonecas e ursos em posições de fazer corar qualquer estrela porno. O bom disto tudo é que eu aprendi a grande lição da minha vida: aprendi que nada ia ser fácil, mesmo que a avó fizesse tudo para eu não descobrir os podres ao mundo, haveria sempre alguém a puxar o meu triciclo, a deitar-me ao chão, a enraivecer-me. Por tudo isto, o meu irmão foi precioso, mesmo sem se dar conta. Estou a ser positiva e a excluir, propositadamente, a quantidade de estratégias ultra-diversificadas (daquelas que só mesmo uma criança pode imaginar!) para me diminuir a auto-estima. Mas quando penso nisso, penso na quantidade de pessoas que ao longo da minha vida tentaram – e infelizmente algumas com sucesso – diminuir em larga escala quem eu sou. Comparado a essas pessoas, o meu irmão foi um anjo da guarda, com ofensas que ainda hoje disfere e cujo sentido só eu consigo descortinar (os comentários ao meu cabelo eram desnecessários…).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Há 30 anos atrás estou certa de que a minha mãe me saudou com um lindo sorriso, até porque eu era muito rechonchuda. 24 anos depois tive de aprender a perdê-la numa morte que todos podemos considerar como «prematura», mas que, dizem as estatísticas, é extremamente vulgar: cancro da mama. A minha mãe marcava assim a parte mais dura da minha biografia, até agora, a perda e a depressão. O convívio permanente com uma realidade assustadora, avassaladora, desastrosa, que afinal está mesmo ao lado e eu nem me tinha apercebido bem foi penoso. Nem todos nós temos coragem para falar do sofrimento e da morte e eu não tenho jeito para Floribella, por isso não acredito que falar com uma árvore me vá ajudar. Também não tenho jeito para coitadinha, foi estratégia que perdi na infância, quando queria que os meus pais castigassem o meu irmão só para me vingar das maldades dele. Saúdo nesta pequena frase quem ainda consegue fazer-se de «coitadinho», incluindo filhos da mãe que se encostam aos outros na vida familiar, pessoal, familiar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Isto é uma coisa que veio com os 30 anos: o mau feitio, ou, numa versão altamente melhorada «agora ninguém manda em mim». A mim ninguém se encosta, e isso já vem de miúda. Ai de quem me copiasse, eu também não aceitava ajuda de ninguém. Posso dizer que flexibilizei um pouco esse comportamento, mas sem exageros. Portanto, a enigmática frase da minha mãe «coitadinho é corno» aplica-se bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Desse tempo de doença, de morte e de depressão a lição foi tirada: acima de tudo, pragmatismo. Os outros irão achar que é frieza, distância, que disferimos golpes misericordiosos ou que simplesmente vamos embora quando a conversa não nos interessa. A questão é esta: um adulto é isso mesmo. É soluçar apenas com quem temos confiança e sabermos, à partida, que esse grupo de pessoas que nos ouve e ama se estreita, é diminuto e que não há lamentações ou contemplações nostálgicas que valham a sanidade de espírito. Portanto, a onda do «gosto de toda a gente» ou «toda a gente gosta de mim» devia acabar de vez quando começa a idade adulta. Há sempre alguém que não gosta de nós, paciência… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Agora vamos à grande dificuldade da minha vida, porque isto não é só força e vocês são testemunhas disso. A moral. Não ando por aí a fazer de objectora de consciências e a moralizar comportamentos, mas acho que, com o tempo e com os vários aniversários que virão, eu tenho de aprender uma coisa: a não me chatear tanto a procurar a verdade dos factos, cada pessoa é um mundo estranho e muitas pessoas representam mundos adversos, incompatíveis com o nosso. Se podemos enriquecer com alguém, devemo-nos aproximar, mas do que sabemos não querer, do que sabemos estar «moralmente» errado (para nós) devemo-nos afastar. Mais uma vez a inclemência pura e dura: não fazermos parte da vida dessas pessoas e colocar uma barreira que lhes indique claramente que não farão parte da nossa. Se tivermos essa capacidade, um dia aprendemos a outra: borrifarmo-nos por completo em quem não interessa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Os meus 30 anos são muito bons por causa disto: aprendi qualquer coisa. Não me digam que isso é comum antes de olharem à volta. As pessoas aprendem mesmo qualquer coisa? Raras. Muito raras são as pessoas que sabem o que é uma causa e uma consequência, e aprendem a trilhar um percurso «seu», em vez de trilharem o percurso que os outros gostariam. Muitas pessoas também escolhem o caminho mais oportuno, mais fácil. Mas a lucidez e a clareza, que existem para toda a gente, não são caminhos fáceis. Antes de mais, temos de estar preparados para sofrer. Depois, temos de saber sofrer. Depois, temos de aceitar que estamos a sofrer. Depois sofremos. E a seguir concluímos o que tivermos a concluir do que sofremos, do por que sofremos, do como sofremos, e para que ou quem sofremos. Vejam quantas pessoas forem excluídas neste frase. Quase todas. Já não me acho nada presunçosa a dizer isto. É o que concluo nas minhas observações diárias. A iluminação vem com tempo, paciência, mas sobretudo dedicação. Se vivermos à margem ou na superfície, chegamos ao fim iguais. Não está mal para quem não quer crescer, mas para quem desejou ser uma mulher, como eu, não dá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;É altura de falarmos dos amigos. Um por um mudaram o meu trilho, o meu percurso, cada qual com uma qualidade ou um defeito ou um ensinamento, ou mesmo com a abertura de novas possibilidades. Quem era eu quando os conheci? Alguém muito diferente, se calhar melhor, se calhar pior. Diz-me a memória que todos tiveram comigo a sua história e com cada um desenvolvi uma capacidade diferente. Com uns fiquei mais tagarela, com outros mais cuidadosa, com outros mais esperta, e com muitos desenvolvi capacidades de auto-estima, de trabalho, de dedicação, de partilha e também de grande alegria e cumplicidade. Com outros aprendi a sabedoria maior da vida: sabe-se sempre muito sobre qualquer coisa e quase nada sobre outras coisas. Todos me ajudaram a não estreitar as vistas, a não olhar sempre do mesmo modo nem para o mesmo lado nem para as mesmas coisas, a ser mais ou menos flexível ou dura. Todos me ajudam ainda, sem vacilar. De nenhum dos meus amigos recebi um «não», a não ser por motivos de força maior, ou qualquer espécie de cobrança pela sua dedicação à minha pessoa. Mas acredito que o meu percurso é ainda incipiente, está muito no início, por isso venham daí…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Beijinhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-3623723537184361416?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/3623723537184361416/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=3623723537184361416' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3623723537184361416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/3623723537184361416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/o-dia-em-que-fiz-30-anos-queridos.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5083538238652803813</id><published>2007-04-12T13:42:00.000-07:00</published><updated>2007-04-12T13:43:12.554-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;A gaffe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Toda a gente conhece gaffes, umas maiores do que outras. Algumas dão mesmo origem a mails compridos que recebemos nas nossas caixas de e-mail, outras diluem-se no tempo e no espaço. Em português, gaffe corresponde a fífia ou, como diria a minha mãe, meter o pé na argola, dar uma argolada, meter os pés pelas mãos também pode corresponder. Lembro-me sempre de um caso clássico da faculdade. A história começa com uma colega a quem chamávamos «Carlona» porque era gorda e um bocado arrogante, mas que era chamada assim secretamente (ou nós achávamos, porque nunca ninguém primou muito pela descrição e contenção desse juízo de valor). Um dia, outra amiga nossa, distraída, ouve o nome «Carlona» e, não associando à pessoa, pergunta bem alto «Quem é a Carlona?», e a Carlona, que andava por perto diz-lhe «Acho que sou eu». Rimos todos com esta história, que ainda é contada de forma mítica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A minha gaffe de ontem também não foi má. Por vezes quando me perguntam direcções também esqueço que o universo existe, chego a nem saber responder a questões relacionadas com locais que povoam o meu dia-a-dia. Mas ontem foi uma gaffe inocente, um tanto ou quanto melhor do que estas mais usuais. Há uns dias encontrei uma amiga, muito preocupada, que me disse que a Tembua estava desempregada novamente. A Tembua é uma amiga comum que trabalhava num sítio cujo nome vou omitir, fazendo algo que nada tem que ver com os nossos cursos, como a grande maioria das pessoas com cursos de letras, história, geografia, psicologia e outros tantos pré-destinados a trabalhos mal pagos e não especializados. Relendo a frase, parece que a Tembua foi trabalhar para a Passerelle, mas não é nada disso…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Concentrados na velha máxima, «ter um emprego fixo é que é bom», os nossos pais e avós nunca entenderam que o canudo não é para brincar aos espadachins, é mesmo para ser utilizado a nível científico, de conhecimentos, mas a sociedade não está devidamente estruturada ou preparada para empregar tanta gente com estes cursos que não são técnicos e nem são considerados científicos. Tantas e tantas vezes ouvi na vida «para que é que serve esse curso?». Sempre me apeteceu responder vivamente «para meter no cu». Porque quê dizer «não serve para nada»? Mesmo pessoas com estes cursos dizem isso. Se não serve, então é pôr a servir. Como diz o meu amigo Eduardo, se querem fazer disto um produto de vendas, então vamos por aí. Não desvirtua nada a literatura e a história, ao contrário do que possamos pensar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A minha avó nunca percebeu que curso tenho. Diz «és professora», mas não sabe mais nada. Um dia perguntou-me se as crianças iam bem, portanto cheguei à conclusão que ela acha que sou professora primária e «sei muito de matemática e francês». Onde é que a minha avó foi buscar isto, eu não sei…mas dá para contar às amigas velhotas dela que eu tenho um curso e é isso que é importante para ela. Não dou aulas, mas ela também nunca vai entender esse lado da questão. Acho que ela também nunca entendeu que uma mulher pode ganhar o mesmo ordenado – ou um muito melhor – do que um homem. Infelizmente, nunca cheguei a essa fasquia, a fim de lhe provar isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Se eu atendesse telefones, provavelmente a minha avó não via isso como uma injustiça, até porque podia continuar a dizer que eu tinha um curso (uma boa verdade) e era professora (uma grande mentira). Acho que depois de sabermos que o Sócrates teve o diploma de curso em 1996 e é Primeiro Ministro, posso confiar na minha licenciatura, que por acaso tirei em 1999, apenas três anos depois dele. Se ele chegou onde chegou e formado pela Independente, porque não eu? Muitas coisas na vida dependem, essencialmente, do carisma. Nem é da inteligência. E muito menos do carácter. Não gozem…há muitos colegas com cursos de letras que não têm razões de queixa. Muitos foram direitinhos para professores universitários, apesar de as universidades andarem sempre perto da falência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Tudo para chegar à Tembua. A Tembua é daquelas pessoas a quem faço a vénia da compreensão e do entendimento. Arranjou trabalho fixo para pagar a casa. Como muitas e muitas pessoas. Mas para quem anda de metro e de comboio, a cara das pessoas é como aquele anúncio do algodão: não engana. As pessoas andam infelizes. De acordo com alguns estudos de psiquiatria e sociologia, dantes as pessoas passavam pelo triplo das dificuldades com metade das depressões que têm hoje. Hoje, há uma certa tendência a ter tudo facilitado, mas ao mesmo tempo, tudo é muito complicado: as distâncias, a vivência comum, o dinheiro, que se gasta em tudo e mais alguma coisa, tudo parece diminuir o prazer que temos em estarmos vivos. Depois o cruzamento entre o nosso mundo e o mundo das outras pessoas, que para uns parece taxativamente fácil e para outros, como eu, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;é sempre complicado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Eu e a Tembua somos um bocado parecidas, levamos a vida como espectadoras, dos outros e de nós mesmas, e vamos paralelamente escrevendo piadas acerca de tudo. Observar a burrice medonha de algumas pessoas dá imensa vontade de rir, todavia a burrice de outras mexe até com o fígado mais inócuo do universo. Conheço pessoas burras que são tão burras como espertas, isto é, na verdade são burrinhas, não saem dali, daquele ponto, mas obrigam que outros se verguem a elas, trabalhem por elas. São uma espécie de bivalves, de medusas que se fingem de mortas na areia das praias: a pessoa tem de se desviar ou apanha uma alergia do caixão à cova, todavia ocupam espaço, respiram, chateiam, estão ali. As medusas são o contrário de mim e da Tembua: não têm sentido de humor, acham que basta a sua existência sem mais nada, os outros que se mexam que há-de vir a onda certa que as leve dali. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A Tembua saiu do local onde trabalhava para ir para uma coisa que gostava, mas menos segura, pois claro, mal paga, pois claro, a recibos verdes, pois claro. E diz-me a Tricia um dia destes em pânico: “ Ai que ela não arranjou turmas para dar formação! “. E eu fiquei naquele desespero que só um bom amigo pode ter (desculpem ser convencida, mas se não fosse boa amiga não me tinha chateado muito), a pensar, coitada da Tembua, agora que vai fazer ela? Óbvio que não a via a dobrar cartas ou colar selos em casa, como pedem aqueles anúncios do «Aumente os seus rendimentos» ou a ler tarot como a Florbela Queirós para ganhar uns trocos. Mas via a rapariga desesperada e achei que essa coisa de não lhe darem turmas era uma grande treta, para não dizer uma grande merda. Pensava eu na injustiça deste facto que é notório na nossa sociedade, o tal sapatinho sujo de que fala o Mia Couto, mas no qual acredito piamente, o de pensarmos que só os trolhas, os arrogantes e as más pessoas é que ganham nesta vida, quais putas disfarçadas de donzelas inocentes a precisarem de protecção. Ora como a Tembua não é nada assim, precisa apenas de ser protegida da sogra quando joga o Sporting, fiquei a matutar que talvez pudesse fazer uma daquelas acções tipo Paula, de ir à procura de empregos fixes para os amigos. A Paula é uma espécie de âncora dos amigos, podia perfeitamente trabalhar a arranjar emprego para o pessoal à comissão. Quando pode ajuda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Como a Tembua já tinha falado com a Paula, segundo a Tricia (mulher é assim: comunica tudo, nem que seja por sinais de fumo!), eu pensei que o desespero era mais do que grande, era gigantesco, era catastrófico, era avassalador, tipo tsunami na vida da Tembua. Imaginava-a a apanhar (verbalmente, claro) do marido, da sogra, do pai, do irmão, de alguns amigos, e até dos avós: “ Ai que trocaste uma coisinha certa, que sabias que pagava a sopa, por uma porcaria que agora não te dá meia dúzia de trocos! “ . A esta altura a Tembua está a rir, porque ouviu mesmo isto de certeza. Eu por acaso é coisa que nunca ouvi, porque nunca tive emprego nenhum, só trabalho, portanto, ao longo dos anos, tenho-me sentido entre o sem-abrigo e o pedinte, com tempo livre mas sem direitos nenhuns. A minha avó passou uma fase belíssima (ironia) lá em casa em que me presenteava com comentários muito entusiasmantes, explicando que para uma mulher eu tinha tudo o que queria: um pai que me sustentava. Realmente, não sei porque é que almejei mais do que isso…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Resolvi que, mesmo estando o casamento da Lina à porta, podia enviar-lhe uns sites de empregos e dar-lhe o meu apoio, confessando, obviamente, que tinha apanhado a informação pela Tricia por mero acaso (para não dar uma de coscuvilheira). E dizer-lhe que, mesmo quando trocamos o «certinho» pelo «caos» às vezes estamos no caminho certo, e quem são os outros para dizer que não é assim…No outro dia de manhã era a gaffe. A Tembua telefona, enquanto eu deambulava por Lisboa, a rir-se e a dizer que estava tudo bem, ganhava mal mas não era grave, tinha as turmas, sim senhor. Portanto, eu tinha apanhado mensagem deturpada e dramatizado ao mais alto nível. Ainda bem! Porque sinceramente não me agradava nada que a minha teoria do caos falhasse agora, logo com a Tembua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5083538238652803813?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5083538238652803813/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5083538238652803813' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5083538238652803813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5083538238652803813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/gaffe-toda-gente-conhece-gaffes-umas.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-5740678459586492273</id><published>2007-04-02T14:02:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T14:07:49.045-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Os bebés&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;O meu sobrinho é ainda muito pequeno, tem pouco mais de um ano. Portanto, não sabe bem quem é a tia, ainda não tem discernimento para saber qual é o carácter da tia. Por isso é tão bom lidar com ele, porque ele trata as pessoas consoante o que vê, sem qualquer implicação de maior ou maldade. É natural que os pais estejam na sua lista de eleição em primeiro lugar, visto que precisa mais deles, brinca mais com eles, são eles que o ajudam a vestir, calçar, tomar banho, ser gente pequenina. A tia não. A tia, esta tia, é mais para as brincadeiras, assiste ao seu crescimento apenas, participa devagarinho, embora quando o bebé fica longe uns tempinhos, pareça um adulto no encontro seguinte. Há sempre uma novidade, seja na quantidade de baba produzida (que geralmente representa mais um dente a nascer), seja naquilo que come (e consequentemente, a mudança da cor daquilo que caga), seja no tamanho dos sapatos, uma palavra, um novo andar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Não escondo que nunca fui muito de crianças. Não vou com a cara delas, desculpem a sinceridade. São porcas, malcriadas, brincam com o que não devem, mexem em tudo o que é perigoso e abusam muito dos adultos. Na verdade, depende muito da educação que lhes é dada. A minha avó tem o lema que a criança pode e deve fazer tudo porque é criança, mas qualquer pai ou mãe (ou professor) que se preze sabe que não pode ser assim. Têm de existir regras definidas à partida como «certas», e têm de se afastar daquilo que é errado. Esta tarefa nunca acaba. Mãe é sempre mãe, mesmo que venda um filho, dê para adopção. No caso de o pôr no lixo, largado à sua sorte, já tenho dúvidas que seja mãe, porque não é bem um ser humano. Um ser humano não faz isso a outro completamente indefeso, isso representa não dar nem uma chance ao recém-nascido. Por sorte, imensos são apanhados a tempo e criados por quem os ama. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Num programa da Oprah, ela mostrou o caso de uma mulher cujo passado era desconhecido. Tinha sido adoptada após uma enfermeira a ter descoberto num carro abandonado. Era incrível, a história. Numa noite de Inverno gélida, cheia de neve, ali estava a bebé num carro todo partido. Evidentemente quem faz isto pouco valor dá à vida. Não vale dizer que «estava drogada», há muitos drogados que largam a droga exactamente por terem descoberto uma razão para existirem: os filhos. Fala-vos uma mulher totalmente despreparada para ser mãe, ou quiçá preparada, mas sem saber. Dantes os filhos vinham tão cedo, e as mães sabiam cuidar deles com primor na mesma. Não posso mesmo acreditar que mulheres e homens sejam iguais nesta tarefa. Pode ser que haja homens que sejam honrosas excepções, mas não acredito que eles de repente comecem a ser pais como nós começamos a ser mães. No fundo, estamos sempre preparadas, mesmo quando não sabemos, o que é a menstruação senão isto mesmo, a lembrança de que, naquele mês «é que podia ter sido e não foi».&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Um bebé é um ser incrível. Baba-se, é muito porco, não tem maneiras à mesa, estragando e partindo tudo com um à vontade que mete nojo. Um bebé não quer saber da etiqueta, chora onde lhe apetece, caga quando lhe apetece, quer mimo quando estamos distraídos ou ocupados. Mas por isso mesmo um bebé é tão precioso: somos nós sem a ganga social que deprime, oprime e chateia tanto em alguns dias. Poucos de nós farão birra quando têm sono ou fome, mas ficamos irritados, com vontade de dar um murro em alguém. Não rebolamos no chão, não fazemos fitas, mas isso é porque não podemos. Até faríamos, em certos dias, mas «parecia mal». Para um bebé nada parece mal…para nossa completa vergonha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Quando os bebés fazem certas coisas que os adultos também fazem têm muito mais graça: um sorriso de um bebé vale mil palavras de um adulto (sobretudo se for parvo). Nos filmes «Look who’s talking!», «Olha quem fala», ouvíamos os pensamentos do bebé na voz do Bruce Willis, e eram os de um adulto que faz stand-up comedy. Não tem nada a ver com um bebé…um bebé é simpático porque lhe interessa ganhar alguma coisa, porque provoca uma reacção positiva no adulto (como outro sorriso) ou porque lhe pegam ao colo. Há uma teoria que diz que os bebés detectam as pessoas bonitas, graças à simetria do rosto, mas tenho as minhas dúvidas, se não poucas avós teriam direito a algum sorriso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Quando o meu sobrinho começou a sorrir para mim, e nessa altura já sorria aos pais, foi uma emoção sem par. O meu coração iluminou-se, lamento a lamechice, e eu pensei cá para mim, muito convencida «Agora eu sou uma pessoa importante! Alguém que mal me conhece sorriu-me ternamente e estendeu-me uma mão pequena e sapuda!». No outro blogue que eu tinha, fartei-me de dizer isto, um bebé é um conquistador nato. Nasceu para vencer, está-lhe na massa do sangue. Ninguém se meta com ele. Agora que o Sérgio está mais esperto, está também mais chato. Quer os fios, as tomadas, as jarras de vidro, as maçãs, os dvd’s, os sacos de plástico, as teclas do computador, os comandos todos, em suma, tudo o que não pode ter, porque um bebé corre sempre riscos: o de se afogar, de se aleijar, de partir, de sufocar, de cair. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Apesar de não saber o que é wrestling, o meu irmão atira-o às almofadas, simulando uma luta feroz. Ele acha graça, não porque queira lutar, mas porque cair nas almofadas lhe dá alegria e prazer. Ainda se desdobra todo e chega aos pés, fazendo coisas que só a Madonna faz depois de anos de prática de yoga. Atira coisas ao chão com violência e ganas de as ver partirem-se em estilhaços. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;No dia em que o Sérgio foi a minha casa, ela tomou novas feições, uma decoração ultra-fashion, de maçãs espalhadas pelo chão e bocados de pão de todos os tamanhos agarrados, literalmente, ao tapete e depois às solas dos nossos sapatos. Depois de termos estado uma tarde na limpeza da casa, mais uma vez para «parecer bem» aos nossos convidados, percebemos o seguinte: o Sérgio não quer saber, onde ele está é onde brinca, e consequentemente suja com as suas mãozinhas sempre cheias de qualquer coisa gordurosa e peganhenta. Também se ri de maldades puras, como puxar o cabelo à mãe, agarrar-se às pernas do pai, atirar os óculos da tia ao chão ou puxar a barba ao tio. Tudo tem graça, mesmo que a nossa expressão seja de dor e de sacrifício. Um bebé é um explorador nato. Se está ali alguma coisa, então é para mexer, conhecer, arrancar, partir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Debaixo de qualquer mesa o Serginho é um coitadinho atormentado, perde todo o seu poder e auto-controlo. Fica preso, chora, bate com a cabeça mais de quinhentas vezes nos tampos da mesa, e quando consegue sair ou quando o puxam, volta a fazer o mesmo vezes sem conta. Depois faz o mesmo debaixo das cadeiras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Outra brincadeira é o esconde-esconde. Porque raio os bebés gostam tanto de apanhar sustos, mesmo que fingidos? Esconder atrás do sofá, da mesa, do candeeiro, da porta, tudo é de uma diversão sem par para ele. Parece ver as nossas caras com prazer, sorrindo calorosamente. Um bebé pode ser chato porque exige uma hiper-vigilância 24 horas por dia, sem podermos respirar fora da existência dele durante muito tempo, só que quando estamos com ele revela novos mundos ao mundo, ou se calhar mundos dos quais já estaríamos esquecidos há muito. O mundo dos sentidos, da vida, da espontaneidade, da falta de lógica racional, da tentativa de descoberta à maneira de cada um e não «à maneira dos outros». Um bebé não é um ser autónomo, sozinho morria, mas é o fulcro, o âmago, o centro de todos nós, o começo do que somos hoje. Um bebé recorda-nos a nossa trajectória e história de vida, se calhar por isso gostamos tanto deles. Somos nós, menos a nossa mania de ter defeitos e virtudes e de sermos socialmente aceites. Já viram algum bebé a tentar ser socialmente correcto e aceite pelos outros bebés? Só no anúncio das fraldas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Tenho saudades dessa espontaneidade nas pessoas, do genuíno, do puro, do sorrir só porque sim, porque apetece, sem medo de se ser julgado e atraiçoado logo de seguida com comentários infelizes. Não podemos dar cabo da auto-estima de um bebé, pelo menos até certa idade, porque ele só faz o que lhe apetece. É evidente que é condicionado, pode ter razões e saber bem por onde está a puxar. Mas se dissermos a um bebé «és estúpido!» ele tanto pode arrotar como rir. As pessoas adultas têm sempre implicações no que fazem e no que dizem, têm consequências, têm – supostamente – consciência. E isso dói. Um bebé também nos recorda como ficar sozinho e não ser abraçado pode trazer infelicidade. Recorda-nos o desamparo pelo qual tivemos de passar, pelos vistos recalcado e fruto de todos os nossos problemas. Sem dúvida que, vistas as coisas deste modo, um bebé tem imenso poder sobre nós. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-5740678459586492273?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/5740678459586492273/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=5740678459586492273' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5740678459586492273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/5740678459586492273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/os-bebs-o-meu-sobrinho-ainda-muito.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-2837233971123176197</id><published>2007-04-02T14:01:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T14:02:03.164-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;A responsabilidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Às mulheres são atribuídos os papéis mais difíceis e custosos deste mundo. Para já, porque uma mulher pode ter filhos, logo, tem de ter dores: menstruais, corporais, físicas. Dizem mesmo que as mulheres têm mais resistência à dor do que os homens, ora a natureza sabe bem o que faz, e mulher que não resista à dor não se vai meter numa de ter filhos, a menos que peça logo a anestesia (no entanto, corre sempre riscos). O meu amigo Eduardo tem uma perspectiva acerca das mulheres que eu gosto muito: vale sempre a pena dar-lhes uma oportunidade. São organizadas, decididas, trabalhadoras e, além disso, conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Enquanto um homem compra um cacho de bananas, uma mulher faz as compras, leva as compras a casa, limpa a ranhoca dos filhos e faz o jantar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Uma mulher é um ser multifacetado. Bem, algumas…Muitas estão destinadas a fazer o que melhor sabem, o papel indesejado que ao longo dos séculos tiveram na sombra dos homens: manipuladoras, estrategas, falsárias, larápias, aproveitadoras baratas (ou caras), intriguistas. Casos como Cleópatra, Mata Hari, Lucrécia de Borgia mostram a força da mulher pelo lado pior. Muitas vezes se atribui a Yoko Ono a separação dos Beatles, que ela ainda hoje desmente. Mas será que os homens conhecem bem este poder das mulheres? Será que eles percebem a sua posição de fraqueza, mesmo quando são colocados perante a suposta «fragilidade» das mulheres? Às mulheres são atribuídas responsabilidades enormes: Eva é responsável, ou co-responsável pelo pecado no mundo, por isso não começámos bem, começámos por sussurrar aos homens que tínhamos melhores ideias do que eles, o que nem sempre é verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Vemos sempre uma mulher manipuladora de forma estilizada: exuberante, bonita, muito maquilhada, malévola, inimiga de qualquer outra mulher que rapidamente não se una a ela. Vê nos outros escravos que vivem ao sabor dos seus gostos mais perversos. Todavia, quantas mulheres desenxabidas não serão manipuladoras? Quantas de nós, no melhor e no pior, não conseguimos o que queremos com armas muito menos exuberantes, bastando no fundo existir e ficarmos sentadas à espera que eles se atirem? Há um mito que diz que as mulheres são espertas e os homens parvos. Naturalmente que em parte concordo. Há uma dose de burrice muito grande num homem apaixonado, que loucamente saliva por sexo, atenção e reconhecimento (reiteração) da sua masculinidade. Com armas adequadas, qualquer um destes homens se compromete e dá tudo à mulher. Parece que enquanto alguns deles sentem vontade de dominá-las por ódio a si mesmos (Arno Gruen, novamente), outros sentem vontade de as proteger, como forma de reiteração do facto de serem homens e quererem assumir esse velho papel desde o tempo das cavernas. Os homens não percebem uma coisa: as mulheres não precisam disso, existem bem sem eles. Quando elas dependem deles é porque estão mesmo mal, ou porque estão a manipulá-los sem dó nem piedade. Também há a versão da coitadinha, da mulher preguiçosa que não quer aprender a fazer nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Sou uma pessoa amarga no que diz respeito ao amor. Continuo a achar que as relações durarem mais ou menos tempo não tem a ver com isso. Há gente que se casa para toda a vida e vive na mentira e no erro. Acho que a durabilidade dos casamentos depende da verdade, do querer ou não viver com a nossa verdade, aceitando a verdade do outro. Talvez se viva mais feliz na mentira, não invoca tanto sofrimento. Talvez pessoas frias e desapaixonadas sejam as mulheres «ideais»: elas ficam à espera de terem tudo o que querem, eles ficam à espera de lhes darem tudo. No fundo, o objectivo de vida é exactamente o mesmo: enganarmo-nos a nós próprios. A dependência, o apego e a manipulação afectiva são bem mais hábeis e seguros do que o amor, que é volátil, etéreo, irónico até, porque muitas vezes nos faz perder a noção do concreto e cometer a loucura de nos casarmos. Tudo isto é uma grande responsabilidade, mas a responsabilidade está no domínio da consciência, e essa sim, vai escasseando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-2837233971123176197?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/2837233971123176197/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=2837233971123176197' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2837233971123176197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/2837233971123176197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/responsabilidade-s-mulheres-so.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-333344683339527270</id><published>2007-04-02T13:58:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T14:01:06.238-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;Em sintonia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Mais do que empatia, simpatia, utopia, sempre gostei da palavra sintonia. Parece mais terra-a-terra do que utopia, mais rebuscada do que empatia ou simpatia. Já agora empatia é profunda, porque pode ter ou não simpatia à mistura, mas tem muito a ver com sintonia. Sintonia lembra-me sinfonia, música, arranjo musical. Tem a ver com algo muito lato que me é extremamente caro: a coerência. Se vivermos em coerência com os nossos valores, pode ruir o mundo, podemos estar tristes, mas sabemos, à partida, que somos nós próprios, que não existimos só para agradar aos outros, que temos um dom não partilhado com a grande maioria das pessoas: há um trilho que só nós percorremos, sozinhos, sem ninguém nos ajudar, mesmo que em todos os outros percursos tenhamos tido ajuda. O percurso do eu. Isso é fundamental. Sem isso, não há coerência, e claro, não há sintonia, nem connosco, nem com as pessoas, nem com o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Não sei quem eu teria sido se tivesse seguido tão somente a educação que me foi dada. Um misto dos meus pais e dos meus avós parece-me coisa ruim. Mas sem eu própria cá estar era isso que tinha acontecido. Há muita coisa que nunca teria sido como é, há muitas pessoas que eu não teria encontrado no meu caminho. Se eu tivesse levado à letra algumas palavras que me proferiram, eu não estava casada, nem fora de casa, nem a fazer investigação. Houve uma pequena parte de tudo o que fui ouvindo que fez de mim uma pessoa bastante desconfiada: afinal, o que querem os outros? Parece que há pessoas que vivem permanentemente apoiadas nos nossos ombros, a achar que assim é que estão bem, e se lhes desviamos um bocadinho o ombro somos considerados maus filhos, gente com mau feitio, gente fria e severa. Não podemos viver a sorrir, porque essa confiança representa o fim de nós próprios, mesmo que, bem lá no fundo, sejamos simpáticos e tenhamos vontade de ajudar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Foi sempre isto que senti com muitas pessoas, mesmo da minha família: estavam ali, expectantes, à espera de mim, mas pior do que isso, achavam que eu tinha de ser «assim», naquele formato pré-definido. Há pessoas que lembram os animais, se vêem comida arfam, babam-se e vêm a correr ter connosco. Todavia, se um dia aparecemos de mãos vazias, ali vêm na mesma, pousam à frente dos nossos pés, esperam um bocadinho e depois vão embora. Com as pessoas é diferente, porque as pessoas criticam. Acham que se éramos de uma maneira (provavelmente imaginada por elas) não lhes podemos frustrar as expectativas nunca. A minha avó ainda me cobra as coisas que eu fazia e que eu pensava aos dez anos. Eu tenho trinta. Em vinte anos não podemos mudar nada do que somos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Estar em sintonia é muito difícil porque compreende o frágil equilíbrio entre o social, o pessoal e o familiar. Mas acima de tudo exige que sejamos coerentes connosco, com os nossos desejos, crenças e sonhos mais profundos. Exige que façamos o luto daquilo em que não acreditamos e das relações pessoais que nos frustram e que passemos à fase seguinte: a fase em que nós temos de ser nós, a fase em que temos dúvidas mas só as expomos a quem as merece ouvir, a fase em que bocas foleiras deixam de nos afectar e em que finalmente pensamos que há pessoas para as quais o maior castigo é serem como são, mas que infelizmente não há Justiça Divina que nos ilumine o caminho e puna os que consideramos prevaricadores. Estar em sintonia é não precisar de mais informações se não as que gostamos de ter, de ouvir, de saborear, de escrever, de partilhar. É dar aos outros o lugar que eles merecem: alguns pertinho de nós, outros bem longe. É só termos e sermos aquilo que realmente precisamos, e não nos importarmos nada que nos chamem orgulhosos, presunçosos ou maus feitios. É ter a certeza que não estorvámos ninguém na hora errada e pedimos ajuda na hora certa, e não nos arrependermos disso. É estar preparado para ser estorvado na hora errada, mas também para ajudar na hora certa. É aceitar os nossos erros e falhas. Eles cá estão para nos lembrarmos que somos humanos, e sobretudo que é muito difícil estar em sintonia, exige anos de treino rigoroso, e que, como qualquer atleta que preza sua forma física, devemos treinar o espírito e a consciência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24683500-333344683339527270?l=antitesesetransparencias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/feeds/333344683339527270/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24683500&amp;postID=333344683339527270' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/333344683339527270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24683500/posts/default/333344683339527270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://antitesesetransparencias.blogspot.com/2007/04/em-sintonia-mais-do-que-empatia.html' title=''/><author><name>fercris77</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09164860456297005884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24683500.post-3528053686546832142</id><published>2007-03-27T14:39:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T14:42:40.303-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;A ficção&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A ficção seduz-me fortemente. Gosto de criação, mais do que de ficção. Gosto de me sentir embrenhada nos filmes, nos livros, nas peças de teatro, em quadros, esculturas, exposições, em músicas e no que elas significam. Mas há uma grande diferença entre ouvir e tocar, entre ler e escrever um livro, ou entre apreciar e esculpir. Há uma grande diferença entre gostarmos de uma coisa e sabermos sobre ela. A mesma diferença que existe entre arte em geral ou pintura no particular, no específico. Também há uma grande diferença entre vivermos e sabermos viver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Gosto de crápulas do cinema, personagens execráveis. Adorei, por exemplo, o Hannibal Lecter e acho que nenhum actor faria aquela personagem com tanta arte como Sir Anthony Hopkins. Todavia, não me apetecia nada cruzar a minha vida e os meus caminhos com os daquele homem. Por isso, costumo dizer que mentiras, sacanices, torpezas e sadismos, só na ficção. Na vida real tenho pouca ou nenhuma curiosidade. Ou então quero espreitar e vir embora, do mesmo modo que se espreita sexo ao vivo num bar. Voyeurismo puro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Tenho um grande descontentamento com a maldade. Parece-me sempre baixo ver um ser humano a pontapear outro, seja verbal seja fisicamente, ou até mesmo em pensamentos. Evidentemente, não sou uma inocente, há muitas pessoas cuja cabeça me apetecia esmagar como quem esmaga alhos no almofariz. A questão é: de que me serviria isso? Nem eu ficava melhor, nem a pessoa aprenderia lição nenhuma. Muitas vezes capitulamos da forma mais honesta que existe, que é a de desistir de colocar em ordem o que nunca esteve bem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Temos de contar com diversos factores: a maldade é tão humana como a bondade e existiu sempre, desde os primórdios, na luta pela sobrevivência; ao longo dos séculos, e intemporalmente, há pessoas sem consciência, cuja função literal é arruinar o que são (mostrando apenas o que pensam que são ou o que gostariam de ser), e com isso arrastarem a multidão que puderem. Quando olho para Hitler vejo isto mesmo: é uma figura perversa, enraivecida, torpe. Projecta o que gostaria de ser: imortal. Mostra o que é: parvo. Arrasta uma multidão na mesma, que não o questiona. São massas amorfas de gente sem consistência interior. Só assim somos arrastados pelos outros: através da ficção, da mentira, da projecção, mas nunca da verdade. A verdade não arrasta nem convence do mesmo modo que a mentira. Não se socorre de nenhuma retórica específica. Mas a ficção tem uma retórica estudada ao pormenor. Como fazer política sem retórica? Não andamos por aí como Sócrates, a convencer os outros do que é o Bem e do que é a Verdade. Mas é pena…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Podíamos ser melhores pessoas se não nos deixássemos enganar tanto e de tantas maneiras estúpidas. A maior parte desses recursos submerge completamente o que somos. E só assim somos, para nós e para os outros. Ser arrogante, por exemplo, é uma estratégia de defesa que resulta bem: afasta as pessoas de nós, constrói um muro à nossa volta intransponível. Os outros ficam de fora. É como dizer «daqui não passas». Mas a arrogância tem no seu oposto uma função muito semelhante: não servirá a simpatia para nos protegermos também? Evidente que nem todos somos só uma coisa ou outra, mas há pessoas cuja preponderância de uma ou de outra característica nos deixam boquiabertos. E enganam, se não estivermos atentos, o mais comum dos mortais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Há diversas coisas absolutamente ficcionais, mas nem todos dão por elas. Os narcisistas, por exemplo. Experimentem ir ao blogue do Cláudio Ramos e têm a surpresa da vossa vida: há dezenas de pessoas a apoiá-lo, a achá-lo fantástico e a chamá-lo de frontal, honesto, verdadeiro. Para o Cláudio Ramos, o mundo deveria girar em torno do seu umbigo, da sua cara, das suas palavras. Sou franca que ele até nem escreve mal, mas quando, e só quando, não fala dele próprio. Ao Cláudio Ramos eu daria o castigo de fazer trabalho voluntário com crianças cegas e surdas: sem ninguém para o ver ou ouvir, quem iria ele convencer que é o melhor do mundo? Que estratégias utilizaria? Teria certamente de sair da sua existência tosca, das revistas porcas que lê, dos comentários falsificados que faz e perceber, de uma vez por todas, que até os pais, irmãos, mulher (ou ex-mulher) e filha têm mais que fazer do que estar a ouvi-lo. Quem teve ideia de lhe dar voz na televisão, tempo de antena? De lhe dar atenção, trabalho? Não sei. Sei que lhe pagam para ele ser estúpido. &lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Há pessoas cuja existência se baseia em serem vermes nojentos. Pagam-lhes para serem os piores vermes. Uma vez a Maya (a tal taróloga-relações públicas) disse-lhe: “Ainda bem que as pessoas te odeiam, estás a fazer o teu papel“. Portanto, ele é pago para ser odiado, mas é narcisista e quer ser admirado, adulado, amado? Que confusão…Nem na adolescência eu vivi num armário assim tão cheio de cadáveres. Claro que o blogue dele se chama «Eu, Cláudio», como «Eu, Carolina». Aliás, o princípio da existência das duas personagens é o mesmo: quanto mais reles, mais atenção, quanto mais atenção, mais dinheiro. Ele e ela são especialistas no seu próprio umbigo. Mas ela ao menos sabe que ninguém gostaria de estar na sua pele, a ser ameaçada de morte, agora o Claudinho, esse acha que todos têm inveja dele e lhe devem alguma coisa. Amigos, vão para casa ler Dalai Lama, aprender que no universo somos só um pontinho, aprender, como diz aquela parábola oriental, que quando o macaco julga que chegou à lua está num dos dedos de Buda e ainda tem de enfrentar o deserto do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Unicode MS&amp;quot;;" lan
